Sabrina Noivas 37 - Mail-Order Bridegroom

ELA PRECISAVA DE UM MARIDO. ELE... DE UM AMOR!
Ameaada pela falncia, Leah Hampton precisava de 1 marido - e com urgncia. Apesar de ter colocado um anncio no jornal e ter aparecido vrios candidatos, Hunter Pryde, seu antigo amor, parecia ser a nica opo. O casamento deles seria estritamente um acordo de interesses comerciais. Ela precisava de 1 administrador para o rancho e ele... Bem, Leah decidira que Hunter no teria seu corao de maneira alguma. No que ele tivesse qualquer pretenso a respeito.8 anos atrs, Hunter deixara isso bem claro. E Leah era bastante esperta para no cair 2 vezes na mesma armadilha.

Digitalizao e Correo: Nina

Dados da Edio: Editora Nova Cultural 1996
Publio original: 1995 Gnero: Romance contemprneo 
 Estado da Obra: Corrigida
Srie  Marcado Por Um Beijo (Sealed with a Kiss)
Author	Title	Ebook	Date
Michaels, Leigh	Invitation to Love
	Mar-1995Neels, Betty	Dearest Love
	Apr-1995Leclaire, Day	Mail-Order Bridegroom
Sabrina Noivas 37 - 
Marido Por Encomenda	May-1995Parv, Valerie	P.S. I Love You
	Jun-1995McMahon, Barbara	Wanted: Wife and Mother
	Jul-1995Howard, Stephanie	The Best for Last
	Aug-1995Brooks, Helen	Angels Do Have Wings
	Sep-1995Hart, Jessica	Legally Binding
	Oct-1995Allison, Heather	Undercover Lover
	Nov-1995Winters, Rebecca	Return to Sender
	Dec-1995Hardy, Kristin	Certified Male
	Jun-2005Hardy, Kristin	U.S. Male
	Aug-2005

PRLOGO
Proprietria de rancho precisa imediata e desesperadamente de um homem! Os interessados devero:
1.	Ter entre 25-45 anos, ser gentil, educado e querer um relacionamento srio.
2.	Ter grande experincia na rea agropecuria, que saiba montar a cavalo, cuidar de rebanhos e lidar com empregados.
3.	Ter slida experincia anterior, principalmente habilidade para lidar com um banqueiro teimoso.

Tenho vinte e seis anos e posso oferecer uma casa confortvel, trs refeies completas e uma das mais belas vistas do Texas Hill Country. (Coloco-me  disposio para discutir mais detalhes de carter pessoal). Os interessados devero enviar cartas com currculo e referncias para "Srta. Bluebonnet", Box 42, Crossroads, Texas.
Hunter Pryde pegou o jornal e releu o anncio. Seus lbios se curvaram num sorriso frio e cruel.
- Ento, Leah precisa desesperadamente de um marido - murmurou. - Interessante. Muito, muito interessante.


CAPITULO I

Leah foi interrompida bruscamente pelo candidato.
	Ser um casamento de verdade? No posso assumir um compromisso sem saber as condies do casamento.
Erguendo os olhos do currculo de Titus T. Culpepper, Leah perguntou:
	Por acaso refere-se aos seus direitos conjugais, sr. Culpepper?
	Se isto significa saber se dormiremos juntos, ento, respondo que estou me referindo aos meus direitos conjugais, sim.
	Resmungando, empurrou a preciosa cadeira Chippendale, que pertencera  me de Leah.  Voc  uma mulher bonita, srta. Hampton. Sempre tive um fraco por louras de olhos azuis.
Leah esforou-se para no demonstrar a contrariedade.
	Estou... lisonjeada, mas...
	Tudo bem. J entendi  ele a interrompeu novamente.	Desde que eu consiga o que quero, no me importo. Acho, tambm, que no precisaremos nos embaraar pelo fato de no dormirmos na mesma cama.
	Creio que ainda seja cedo demais para discutirmos a respeito de direitos conjugais ou qualquer outro assunto desse tipo  Leah esclareceu num tom desencorajador. Pretendia encontrar um marido simptico, dcil, disposto a manter um relacionamento platnico. Um rpido e ardente romance na juventude, j fora suficiente.  Quanto ao seu currculo, sr. Culpepper...
	Titus T.
	Desculpe. No entendi.
	As pessoas me tratam por Titus T. Se vamos mesmo nos casar, pode comear a chamar-me pelo meu nome.
	 Claro.  Leah relanceou os olhos pelos papis  sua frente. A entrevista no transcorrera como esperava. Sentia-se decepcionada. Infelizmente, j eliminara todos os candidatos anteriores a Titus T. Ainda faltava entrevistar o ltimo candidato do dia. Um certo H.P. Smith.  Pelo currculo, vejo que tem muita experincia com ranchos.
	Na verdade, dirigi uma fazenda. Mas, rancho... fazenda...	Ergueu os ombros.  Tudo a mesma coisa. Desde que eu saiba onde colocar o balde para ordenhar uma vaca, no importa se foi fazenda ou rancho, no  mesmo?
Ela o encarou, perplexa.
	Importa, sim. E muito.
	No, no meu modo de pensar.  Titus T. olhou-a com curiosidade.  O anncio dizia que voc tambm precisa de um homem de negcios. Para qu?
Ele tocara no ponto crucial do anncio. Leah precisava de um marido experiente na rea financeira, para cuidar de seus interesses. S assim, poderia dedicar-se ao rancho. Hesitou, relutando em comentar a respeito da precariedade de sua situao monetria. Porm, no tinha outra sada, exceto contar a verdade.
	O rancho est enfrentando graves dificuldades financeiras. Com toda honestidade, iremos  falncia se eu no conseguir um emprstimo. O gerente do banco explicou que, se eu tivesse um marido que, alm de rancheiro, fosse um administrador experiente, no nos negariam o emprstimo. Por isso, publiquei o anncio.
Titus T. concordou com um movimento de cabea.
	Desagrada-me saber que um docinho como voc tenha problemas com clculos. Ficarei muito feliz em poder cuidar do seu dinheiro.  Titus T. abriu-se num sorriso expansivo.
	Por uma questo de segurana, acho uma boa ideia colocar tudo em meu nome. Depois, convencerei o gerente a nos conceder um emprstimo generoso. Nunca mais precisar se preocupar com esses assuntos.
Leah esforou-se para no demonstrar a repulsa que aquele homem lhe causava. No havia motivos para continuar com a entrevista. Desde o primeiro momento, percebera que Titus T. era um aventureiro. No deveria sequer t-lo recebido. Entretanto, estava to desesperada que no podia se dar ao luxo de dispensar os candidatos. Inclinando a cabea, tentou demonstrar que considerara as palavras dele.
	Claro. No vejo qualquer problema com relao a isso 	mentiu sem o menor escrpulo. Ergueu-se, jogando a longa trana para as costas.  Desculpe, mas nosso tempo se esgotou.
Tenho outra entrevista marcada.  Esperava que o candidato seguinte fosse mais agradvel. At aquele momento, as alternativas estavam praticamente descartadas.
	Agora, srta. Hampton...
	Agradeo por ter vindo  interrompeu-o, com a esperana que ele entendesse que a conversa estava encerrada. Sem esconder o aborrecimento, apoiou as mos na escrivaninha de carvalho. Movimentou a cabea em direo  porta. Queria Titus T. Culpepper fora do escritrio e de seu caminho o mais rpido possvel. Se preciso, chamaria Patrick, o capataz.  Eu o avisarei assim que me decidir.
Titus levantou-se, aproximando-se dela.
	Melhor pensar muito bem antes de tomar essa deciso.
Com uma rapidez incrvel, ele a abraou. Leah virou o rosto a tempo, impedindo que Titus a beijasse.
	Ora, doura. Seja boazinha  ele rosnou ao ouvido dela. 	Como vai saber que tipo de marido serei, se no trocarmos alguns carinhos?
	Largue-me!
Entre revoltada e assustada, encontrou foras para desvencilhar-se, surpreendendo-o. Aproveitando o momento de surpresa, Leah atravessou a sala em direo  estante, de onde tirou o rifle. Apontou a arma para Titus T.
	Melhor ir embora, sr. Culpepper. Imediatamente  esbravejou, encostando o cano do rifle na barriga dele.
Recuando, ele ergueu os braos.
	Calma, srta. Hampton. No precisa se zangar. Era apenas um beijinho. J que vamos casar...
	Aconselho-o a esquecer a ideia  afirmou com convico.
Alguns fios de cabelos caram sobre seus olhos, mas Leah no se atrevia a largar a arma, para afast-los.
Titus T. fitou-a com ar de desafio.
	Tudo por causa de um beijo? A menos que se case com um rato, qualquer homem que honre as calas que usa exigir muito mais de voc!
O atrevimento e a vulgaridade dele a desconcertaram. Mesmo assim, recusou-se a discutir, principalmente porque no tinha argumentos. Naquele esquema louco que montara, esse era um ponto no qual preferia no se aprofundar.
	Esse problema no  seu, uma vez que no ser voc esse homem, sr. Culpepper.
	Orgulho bobo!  Titus pegou o chapu surrado do cabine ao lado da porta.  Ento, por que colocou o anncio no jornal, se no deseja um marido de verdade? Isso  o que chamo de falso anncio.
Furioso, ele saiu da sala. Leah o seguiu, ainda com o rifle nas mos. Sem olhar para trs, Titus T. atravessou a varanda, desceu os degraus e entrou na caminhonete velha e empoeirada. Leah esperou, at v-lo desaparecer na estrada.
	Devo ter enlouquecido para acreditar que daria certo resmungou, afastando o cabelo do rosto.  Cus, o que estou fazendo?
Leah conhecia a resposta. Estava fazendo exatamente aquilo que seu pai esperaria que ela fizesse, diante da oferta de uma das maiores empresas do Estado, interessada em comprar o rancho. Casar-se para proteger sua av e a propriedade.
Enquanto todos os rancheiros da regio, envolvidos pelas tticas da Lyon Enterprises, haviam vendido suas terras, Hampton Homestead permanecia firme. Mesmo completamente cercada pelo inimigo, a famlia recusava-se a vender o rancho.
Quando o representante da Lyon Enterprises aparecera com a ltima proposta da empresa, a av fora categrica:
	Por mais tentadora que seja a oferta, no venderemos a propriedade. S sairei daqui morta. Meu av morreu lutando por estas terras. Meu pai tambm. E, se preciso, seguirei o exemplo deles.	
Depois, cruzando os braos, erguemdo  queixo desafiadoramente em direo ao emissrio, que no se atreveu a contestar
tanta determinao.
Leah acreditava que, se, por qualquer motivo, tivessem que sair do rancho, a av morreria de desgosto. Era primordial que conservassem o rancho nas mos da famMa. Para tanto, precisaria, obviamente, encontrar uma soluo para as dificuldades que enfrentava. E, se no conseguisse um emprstimo bancrio com urgncia, fatalmente perderia as terras.
Passara trs longos anos discutindo com o gerente do banco, at descobrir que no concediam financiamento a mulheres solteiras, ainda mais na faixa dos vinte anos. A relutncia era ainda maior, pelo fato de Leah cuidar sozinha da av e do rancho. Alm disso tudo, havia outro agravante, que tornava as coisas piores. O interesse de uma empresa slida em comprar as terras. O banco usava isso como uma desculpa irrefutvel para negar o emprstimo.
Nesse nterim, entre discusses interminveis, Leah soubera que os bancos se mostravam menos rgidos, quando o marido, cabea do casal, alm de rancheiro, era o administrador das finanas da propriedade.
Diante disso, no vacilara em publicar um anncio no jornal, procurando por um marido. Tremeu s em lembrar de Titus T. Culpepper. Infelizmente, nenhum dos entrevistados daquele dia preenchia os requisitos exigidos.
No ntimo, o que desejava mesmo era um cavaleiro vestindo uma armadura brilhante, montado num cavalo branco, com uma espada na mo, pronto para enfrentar os drages que a ameaavam. Uma fantasia de adolescente, admitia. Entretanto, no podia proibir seu lado romntico de sonhar com o impossvel.
Leah verificou as horas. O ltimo candidato chegaria a qualquer instante. Esperava que esse homem fosse mais adequado, que os demais entrevistados. Dcil o suficiente para atender a todas suas exigncias e um administrador experiente para satisfazer o banco.
Como se adivinhando seus pensamentos, um cavaleiro solitrio apareceu no horizonte. Pouco mais do que uma sombra, contra o alaranjado do cu ao entardecer. Estreitou os olhos, estudando atentamente a figura do homem que se aproximava.
Com certeza, tratava-se de H.P. Smith, o ltimo candidato.
Ele cavalgava lentamente, muito  vontade na sela, balanando num ritmo cadenciado e natural. Mesmo a distncia, Leah notou que o cavalo era bonito. O pelo castanho, sem manchas, a crina e o rabo cor de bano, brilhando sob os raios dourados do sol. O animal tinha aparncia de selvagem. Um selvagem que o cavaleiro dominava com facilidade.
Leah estremeceu. Alguma coisa naquele homem a perturbava. No saberia explicar o motivo. De repente, teve a impresso de conhec-lo. A intuio lhe assegurava que no se tratava de uma fantasia. Reconhecia o modo como sentava na sela. A maneira simples, segura, com que controlava o animal. A postura ereta e autoritria dos ombros. At mesmo a posio do chapu era levemente familiar.
Protegeu os olhos com a mo, perguntando-se quem seria aquele homem.
Esperou, atenta a todos os movimentos do estranho. Ele atravessou o porto do rancho, com a segurana de quem conhecia bem o lugar. Como se fosse o proprietrio. Leah notou os cabelos pretos sob a aba do chapu, as feies srias e bem delineadas, como talhadas em mrmores. Desmontou, amarrando as rdeas no poste. Sem demonstrar o mnimo constrangimento, caminhou com passos seguros em direo a Leah.
Enquanto caminhava, tirou as luvas, pendurando-as no cinto. Leah observou as mos grandes e fortes. Conhecia aquelas mos! Mas, de onde? Uma imagem atravessou sua mente, como um relmpago. Lembranas de dedos speros acariciando seus seios, provocando um misto de dor e xtase. Ela gemeu.
O estranho ergueu o rosto. Os olhos pretos e frios transmitiam ameaa e promessa. Naquele momento, Leah descobriu quem era ele e porque viera.
 Decididamente, este no  meu dia  ela resmungou. Movida pelo instinto, ergueu o rifle e atirou.
O primeiro tiro atingiu o cho, apenas alguns centmetros diante dele. O homem no se intimidou. Continuou andando, com os olhos fixos em Leah. O segundo disparo detonou entre os ps dele, espirrando terra nas botas pretas.
Acelerando os passos, ele subiu os degraus de dois em dois. Num movimento rpido, tirou o rifle das mos de Leah. jogando-o no cho. Segurando-a com firmeza pelos ombros, abraou-a, inesperadamente.
Voc nunca teve boa pontaria  ele murmurou com voz enrouquecida. Depois, a beijou.
O beijo era tudo aquilo que Leah se lembrava e muito mais.
Ele sempre combinara fora com ternura, porm, aquele beijo continha uma exigncia cruel, que parecia dominar o corpo e a mente de Leah, paralisando-a. Os lbios dele subjugavam-na com voracidade e paixo.
Completamente fora de controle, Leah o enlaou pelo pescoo, redescobrindo a largura dos ombros dele, a rigidez dos msculos das costas e do peito. Com dedos trmulos, tocou a base da garganta, sabendo que, se apertasse, ele perderia as foras. Porm, algo impediu seu gesto. Ele fora seu primeiro amor... o nico amor. Havia uma ligao entre ambos, que nada poderia destruir.
Para sua surpresa e embarao, Leah correspondia ao beijo. Regozijava-se com as lembranas que aquele beijo despertavam. De repente, sentia-se reviver nos braos dele, transformando-se, novamente, na mulher que fora, um dia. Enquanto o lado emocional se inebriava, a parte racional de Leah no se esquecia do quanto sofrera nas mos dele. Por isso, conhecia o perigo que corria e o preo que pagaria se permitisse que ele derrubasse as barreiras que, s duras penas, erguera a seu redor. No suportaria passar por novo sofrimento. Aquele homem quase a destrura uma vez. No lhe daria oportunidade para completar a destruio.
Beijava-a lentamente, como o conquistador acossando sua presa. Ele no conteve um dbil gemido de satisfao. Foi esse som que a trouxe de volta  razo. Com dificuldade, conseguiu desvencilhar-se dos braos dele. Recuou alguns passos. Tocando os lbios com dedos trmulos, fitou-o com os olhos arregalados, no acreditando que aquele homem era Hunter Pryde. O nico homem a quem esperava jamais reencontrar!
Ele a encarou, com ar divertido.
	Hei, Leah! H quanto tempo, no?  cumprimentou-a.
As palavras dele despertaram um mundo de mgoa. Leah esforou-se para no demonstrar as lembranas dolorosas que o beijo ressuscitara. No entendia como Hunter podia agir com tanta naturalidade, depois de tudo o que acontecera.
	Nem tanto tempo assim. O que est fazendo aqui, Hunter? perguntou com voz fria.  O que quer?
Ele riu.
	Voc sabe muito bem o que quero. O que sempre quis.
Leah negou com um movimento de cabea.
	No. O rancho, no.
	O rancho? Arrisque outro palpite, Leah.  Ele tirou um recorte de jornal, do bolso da camisa.  Vim em resposta ao seu anncio.
	Voc no est falando a srio...
	Nunca falei to srio em minha vida.
A voz soou como um aviso. Leah recuou mais alguns passos.
	Voc no est agindo direito. Alis, nem deveria ter vindo. Voc sequer marcou entrevista!  Ela sabia que a desculpa era inconsistente, porm, precisava impedi-lo de avanar o sinal.
	Por que no me entrevista agora?
	Sem chances.
	No concordo. Exatamente por no concordar, foi que respondi ao seu anncio com o nome de H.P. Smith.
Leah fechou os olhos por um momento. Depois da experincia desagradvel com Titus T. Culpepper, ela depositara todas as esperanas no desconhecido H.P. Smith. Exagerara demais ao sonhar com o cavaleiro de armadura brilhante. Hunter Pryde no tinha nada de cavaleiro. Era um antigo namorado, um vaqueiro no stio do pai, um ladro que roubara seu corao, antes de desaparecer como a neblina da madrugada. Mas, nunca um cavaleiro.
Ele guardou o recorte de jornal no bolso e segurou-a pelo cotovelo.
	Para dentro, Leah! Temos muito o que discutir.
	No!  ela protestou, soltando o brao.  No tenho nada para discutir com voc.
Depois de pegar o rifle do cho, Hunter descarregou-o.
	Sugiro que reconsidere sua deciso, Leah.
Com as mos nos quadris, ela o encarou:
	Voc no  bem-vindo aqui.
	Ultima chance, Leah. Tenho certeza de que, no ntimo, voc no quer brigar comigo.
As palavras eram frias. A ameaa implacvel. A expresso dos olhos quase a impedia de respirar. Leah preferia que Hunter no a olhasse daquela maneira. No entendia o comportamento dele. Nunca o prejudicara. Apenas o amara. E, em troca desse amor, ele a abandonara.
Sentiu que comeava a entrar em pnico. Precisava reagir.
Do contrrio, no conseguiria enfrent-lo. Conhecia-o muito bem. Para lidar com ele, precisaria de calma, de tato, de in teligncia. Decidiu ouvi-lo para depois mand-lo embora.
	Ok, Hunter. O que tem a me dizer?
O rudo das balas na mo dele, incomodava-a.
	Entre, Leah.
Ela no ofereceu resistncia. Em silncio, foram direto para o escritrio. Hunter fechou a porta e deteve-se nas fotos de famlia, penduradas na parede. Observou com ateno uma foto de Leah, tirada na poca em que ambos se conheceram. Ela acabara de completar dezoito anos.
	Imaginava que seus cabelos tivessem escurecido. Virou-se para Leah.  Enganei-me. Continuam to claros como prata. De to macios, pareciam seda. Espero que no tenham mudado. 
	Pare com isso, Hunter!  ela ordenou.
Ele olhou de novo para a foto.
	No retrata a realidade.
	Se est se referindo  foto, no concordo. Eu era exatamente assim.
	Nem tanto.  Ele sorriu com ironia.  A foto no revela a paixo... nem a crueldade que voc possua.  Encarou-a.
 Ainda possui?
Leah contraiu os lbios.
	Mudei muito nestes anos todos. No percebeu?
Procurando assumir uma postura mais autoritria, parou atrs da escrivaninha de carvalho. Hunter no se intimidou. Tirando o chapu, jogou-o sobre o mvel, sentando-se na beirada, prximo  Leah.
	Voc sabia que o anncio era meu, no ?  ela comeou, determinada a encerrar a conversa o mais rpido possvel.  Como?
	Pelo apelido. Srta. Bluebonnet.
	Sim, claro. Papai costumava chamar-me assim, por causa dos meus olhos.  Aps uma breve pausa, perguntou:  Por que veio, Hunter? No acredito que seja em resposta ao anncio.
	Voc sabe o motivo de minha vinda.
	Posso imaginar.  Observada por aqueles olhos negros perscrutadores, Leah sentia-se intimidada, como nunca antes em sua vida.
Hunter Pryde mudara. Oito anos atrs, aos vinte e cinco ele era rebelde, em aparncia e atitudes. Usava cabelos longos amarrados por uma tira de couro, num rabo-de-cavalo. Os olhos refletiam uma feroz determinao de vencer num mundo que no o compreendia. Porm, o que mais a atrara, fora o rosto. Os maxilares bem torneados, o nariz aquilino, as feies marcantes transmitiam fora e vitalidade.
Braos e pernas compridos, ombros largos, msculos rgidos, lembravam uma mistura do sangue de conquistadores com ndios americanos. Nos braos dele, Leah sentia-se viva e vibrante e sabia que jamais conseguiria amar outro homem.
E, estava certa.  Veio assistir  runa dos Hampton? E isso?
Hunter sorriu com cinismo.
	Dominados, sim. Arruinados, jamais. No era o lema do seu pai? No, Leah. Apenas, vim para saber o motivo de no ter vendido o rancho, j que a situao est to difcil. Ser que no havia outra sada? Precisava recorrer a isto?  Tirou novamente o recorte do bolso, amassando-o.
Leah chocou-se com a reao dele, porm, permaneceu impassvel. No aceitaria recriminaes de ningum. Principalmente de Hunter.
	Esse no  um problema seu  defendeu-se.  No devo satisfaes a ningum, muito menos a voc, Hunter.
	Estou assumindo este problema, Leah  corrigiu-a, num tom rspido.  E quero ouvir uma explicao.
Ela respirou fundo, tentando manter o autocontrole.
	Voc est realmente interessado, ou trata-se apenas de curiosidade?
Hunter cruzou os braos.
	Se no estivesse realmente interessado, no teria vindo
at aqui.
	Pois bem. No tinha outra escolha, a no ser apelar ao anncio.
	Essa desculpa no me convence. Sempre temos escolha. Voc tomou a deciso errada.
	Voc no  obrigado a concordar com minhas decises, porm, isso no significa que estejam erradas.  Fez uma pausa por um instante.  Tenho enfrentado srias dificuldades. Papai morreu um ano depois de sua partida.
Sei.
Surpresa, Leah ergueu a sobrancelha.
	Sabe?
Ela no pode evitar uma pontada de decepo. Hunter soubera e nunca se preocupara em procur-la para ver se precisava de ajuda, de apoio, de proteo. Encolheu os ombros. No, nunca precisara de proteo. Fora forte o suficiente para proteger a si mesma. Tambm para proteger a av, o rancho. Cuidara de tudo sozinha, com sacrifcio, abnegao, desprendimento.
	Li o obiturio no jornal.  Hunter inclinou-se e Leah prendeu a respirao, inebriando-se com o perfume da loo ps-barba.
  natural que o rancho tenha entrado em decadncia, desde ento. Voc pode ser eficiente, dedicada e bem-intencionada, porm, est muito longe de possuir a experincia de seu pai.
Por um momento, Leah sentiu-se frgil e vulnervel. Perguntou-se como pudera envolver-se com Hunter. Mesmo aos dezoito anos, deveria ter percebido a frieza da alma e a perspiccia da mente, sob a aparncia de homem atraente e charmoso.
	No vou perder tempo em defender-me. No me importo absolutamente com sua opinio a meu respeito. Alm do mais, voc no tem o direito de me julgar. Agora, diga logo o que veio fazer aqui e saia das minhas terras.
Ela percebeu um brilho de raiva nos olhos dele. Num movimento rpido e inesperado, Hunter agarrou-a pela cintura, prendendo-a entre as pernas.
	Voc no adivinha por que estou aqui?
Encarando-o, respondeu:
	Voc veio atendendo ao anncio.
	Muito mais que isso, Leah. Muito mais  murmurou.
Os lbios se curvaram num sorriso irnico.  Vim por causa do rancho.  As pupilas se dilataram.  E... por voc.

CAPITULO II

Por uma frao de segundos, o choque paralisou Leah. Recuperando-se rapidamente, ergueu o queixo, enquanto lutava para desvencilhar-se.
	Tenho pena de voc, Hunter, porque no conseguir nada.
	Veremos.
Desistira de lutar. Em vez de resistir, decidiu usar as armas que possua. Palavras.
	Voc realmente acreditou que, depois de tantos anos, chegaria aqui e, com, um estalar de dedos, me teria aos seus ps? Sua arrogncia  ultrajante. Depois de tudo o que me fez, eu no deveria nem permitir que ultrapassasse os limites do rancho!
	Um pouco melodramtico, no acha?
Contendo-se para no perder o controle diante de Hunter, ela esbravejou:
	Melodramtico? Atrevido! Voc roubou minha inocncia! Voc me usou, me enganou, interessado apenas no rancho!  Toda a amargura reprimida durante tantos anos, de repente, explodia com a fora de um vulco.  Eu tinha apenas dezoito anos e estava perdidamente apaixonada. E, voc me usou!
	Mentira! Eu apenas peguei o que voc me oferecia.
A crueldade dele a atingia impiedosamente. Fitou-o direto nos olhos.
	No queira fugir da responsabilidade. Voc obteve o que queria, sem se preocupar com o sofrimento dos outros.
	Voc nunca soube o que eu queria. Ainda no sabe.
Leah revoltou-se com a ideia de que Hunter a julgava to cega e ingnua, a ponto de no perceber suas verdadeiras intenes. A garota crdula e cega de amor que ele conhecera no passado, no existia mais. Por culpa e obra dele. Indignada, atacou-o:
	Voc no mudou, Hunter. Continua ambicionando a mesma coisa que h oito anos. Minhas terras. No seja pretensioso!
	No  pretenso, Leah. Nunca foi. Se encarar a realidade dos fatos, ver que estou certo. Que sempre estive certo.
Puxou-a para mais prximo. Lentamente, abraou-a, envolvendo-a em seus braos fortes, impedindo qualquer possibilidade de fuga. Leah pressionou as mos contra o peito dele, lutando para manter uma pequena distncia entre ambos. Entretanto, aquele toque foi o bastante para despertar emoes esquecidas. Sentiu os olhos embaados pelas lgrimas, mas, com esforo, as conteve. Naquele momento, as lgrimas no ajudariam em nada.
	Por que est agindo assim?  ela indagou.  Depois de tantos anos?
	Porque isso me dar o que mais desejo.
Ela riu, num misto de dor e desiluso.
	H oito anos, quando voc me disse essas mesmas palavras, ingenuamente, acreditei que era a mim que queria. Enganei-me. Era o rancho que voc queria.
	Eu disse?
	Sim! S por esse motivo que me levou para a cama? Por que assim realizaria seu sonho? No deu certo, no  mesmo?
	Levei para a cama? Uma explicao curiosa para algo que fizemos juntos e que, alis, est muito longe da verdade. Alm disso, Leah, pelo que me lembro, nunca nos utilizamos de uma cama!
Leah recusou-se a sentir vergonha de um ato que considerava a experincia mais bonita de sua vida.
	E verdade. Nunca utilizamos uma cama, porque voc foi embora antes que surgisse a oportunidade para tanto. Voc no teria partido, se meu pai no tivesse ameaado de deserdar-me. Ele me obrigou a escolher entre voc e o rancho.
	E, voc fez sua escolha.
Leah segurou-o pela camisa, incapaz de controlar-se.
	Como pode afirmar se no estava mais aqui para saber?
Mas, uma coisa  certa. Se tivesse me decidido por voc, teria cometido um erro do qual me arrependeria amargamente. Nunca me ocorreu imaginar que, sem o rancho, eu no valia nada para voc.  Ao descobrir essa verdade, Leah sofrera muito. Somente o orgulho ferido dera-lhe foras para no desmoronar.  Ento, depois de iludir-me, para vingar-se do meu pai, desapareceu na estrada.
Hunter pegou-lhe as mos, obrigando-a a soltar a camisa.
	Vamos ser justos. No desapareci. Fui expulso.
	Oh, no  verdade. Esperei-o na cabana durante horas.
No  engraado?  Um leve tremor percorreu o corpo de Leah, machucada pelas lembranas que, h muito, enterrara.  Na
quela tarde, fazia muito calor. Mesmo assim, esperei. Temia ser descoberta por algum peo que, por qualquer motivo, decidisse passar a noite na cabana. Mas, no fui embora. Repetia para mim mesma, que voc viria. As horas pareciam uma eternidade. Anoiteceu e eu ainda procurava uma desculpa para sua ausncia.
	Pare, Leah!
Ela no conseguiu conter as recordaes que fluam como o vento.
	Era noite de lua cheia. Sentei no cho. Pela janela da cabana acompanhava a caminhada da lua pelo cu.
Hunter a fitou, impassvel e distante.
	Chovia.
	No, at s duas da manh  corrigiu-o, num fio de voz.  A chuva entrava pelas goteiras, mas, como uma tola, fiquei.  Movimentava a cabea, desesperadamente.  Fiquei e fiquei e fiquei!
	Por que? Por que ficou?  ele insistiu.  Olhe para mim, Leah. Olhe dentro dos meus olhos e conte todas suas mentiras. Sim, porque no acredito em nada do que est dizendo.
	Como voc pode afirmar isso, se no estava l para testemunhar minha ingenuidade?
	Diga!  ele esbravejou.
Forada pelo tom imperioso, ela ergueu a cabea. Hunter afastou uma mecha dos cabelos louros do rosto de Leah. Apesar de toc-la com ternura, a expresso dele continuava fria.
	Fiquei porque esperava que me levasse embora, como prometera  admitiu com voz trmula.  Quando o dia amanheceu, finalmente compreendi, que voc no viria. Ento, jurei que jamais confiaria em homem algum. Diga-me a verdade, Hunter. O que aconteceu? O que houve de to relevante para que desaparecesse sem qualquer explicao, impedindo-o de voltar?
	Aconteceu o delegado Lomax.
Leah ergueu a sobrancelha, sem entender o significado das palavras dele.
	O que...
Hunter a interrompeu com uma estrondosa gargalhada. 
	Deixe disso, Leah! Toda essa histria de ter ficado  minha espera na cabana, enfrentando um calor infernal, de olhar a lua... tudo isso no passa de uma grande mentira.
Tudo inveno. Voc sabe muito bem disso. Entretanto, gostei da parte das goteiras no telhado. Muito pattico.
	O que o delegado tem a ver com seu desaparecimento?
	Como eu prometera, fui at a cabana. Voc no estava l. Mas, o delegado estava, acompanhado de alguns policiais.
	No acredito.
	Foi preciso seis homens para expulsar-me da cabana. Em sua comovente narrativa, voc esqueceu de mencionar os mveis despedaados, os vidros quebrados. Ou a porta arrebentada. Eles conseguiram me vencer, mas, no foi fcil.
	No sei...  Leah forou a memria, na tentativa de lembrar se reparara nos mveis ou nas vidraas.  Realmente, as coisas estavam meio bagunadas, mas...
Hunter interrompeu-a:
	Creio que estava ocupada demais observando as estrelas, que nem reparou nos estragos.  Puxou-a pela trana.  Ou, talvez, no tenha reparado porque  tudo mentira. Admita.
Naquele dia, voc no esteve na cabana.
	Estive!
- Mentira. Somente duas pessoas sabiam do nosso encontro. Voc e eu. No abri a boca. Desde que o delegado apareceu em seu lugar, Leah, s h uma explicao. Voc mudou de ideia e, temendo minha reao, correu para pedir socorro ao papai.
	No  verdade.
	No? Ento, me diga. Se tivssemos nos encontrado na quela noite, voc teria partido comigo?
Leah nunca lhe mentira antes. Continuaria sendo sincera, independente das consequncias.
	No, Hunter. No teria partido com voc.
Ele contraiu os msculos do rosto. Por um momento, Leah esperou por uma exploso de raiva. No sentiu medo. Tinha certeza de que Hunter jamais a agrediria fisicamente.
	No acredito.  Soltou-a e levantou-se, como se quisesse manter-se distante dela.
Leah sabia que suas explicaes no mudariam nada. Porm, precisava tentar. Pela primeira vez, tocou-o espontaneamente no brao.
	H uma razo para eu afirmar que no teria ido embora com voc...
	Basta, Leah. J ouvi demais. Voc subestinia minha inteligncia. Alm do mais, suas desculpas absolutamente no me interessam.
Leah ergueu os ombros, consciente de que no poderia obrig-lo a ouvi-la.
	Ento, por que est aqui?  indagou.  Para que provocar mais mgoas? Mgoas que nenhum de ns precisa enfrentar?
	Porque  o dia de hoje que importa. Seu rancho e o anncio.
	No permitirei que coloque as mos no rancho... ou em mim  preveniu-o com determinao.  Desista e v embora. Jamais me casarei com voc.
O som de uma gargalhada irnica invadiu o escritrio.
	No estou lhe propondo casamento, doura.
Leah sentiu o rosto corando.
	Deduzi que veio por esse motivo. Trouxe o recorte de jornal e insinuou...
	Insinuei o que?
	Que estava interessado em casar comigo.  Sustentou o olhar divertido de Hunter.  Voc veio, atendendo ao meu anncio, no ?
	No para propor casamento. Vim, porque voc no publicaria o anncio se no estivesse desesperada. Portanto, creio que poderamos fazer uma troca. Quero o rancho, Leah, e farei o possvel para consegui-lo.
Fitaram-se por um longo momento. Antes, que ela tivesse tempo de responder, ouviram o som insistente de uma buzina. Hunter espiou pela janela.
	Chegou algum. Outro pretendente, talvez.
Passando por ele, Leah se aproximou da janela. Reconheceu pick-up estacionada na frente da casa. O motorista pressionou a buzina novamente.
	Oh, no  ela resmungou.  Parece que hoje  o dia das surpresas. Surpresas desagradveis, alis.  Pegou o rifle que Hunter pusera na estante.
	O qu est acontecendo, Leah?  Hunter quis saber.  Quem  seu visitante?
	Buli Jones.  o capataz do Circle P.
	Circle P.?
	Uma organizao nova, a nica existente por aqui, com exceo do nosso rancho. Todos os ranchos da regio foram adquiridos por uma grande companhia, a Lyon Enterprises.
Agora, esto tentando me intimidar. Olhe, peo por favor. Fique fora disso. Esse assunto no lhe diz respeito.
Hunter no discutiu. Colocando o chapu, seguiu-a at a varanda. Negligentemente apoiado na porta da caminhonete, Buli Jones cumprimentou-a:
	'tarde, dona Hampton.  Atirou a ponta do cigarro no canteiro de rosas.
Ignorando as palavras dele, Leah parou.no primeiro degrau da varanda.
	Fora das minhas terras, antes que eu chame o delegado  ordenou com rispidez.
	Pelo visto, est de mau-humor, dona. Pode chamar o delegado, se isso a far sentir-se melhor. Mas, voc sabe e eu sei, que ele no vir. Ele j est cansado dos seus telefonemas.
Leah no tinha como contra-argumentar uma verdade. Como defesa, apontou o rifle para Buli.
	Diga logo por que veio e desaparea daqui, antes que o mande de volta para casa com um tiro na testa.
Buli Jones no se mostrou nada intimidado. Pelo contrrio, riu visivelmente divertido. Com um movimento de cabea, apontou para Hunter.
	Esse hombre  um dos seus pretendentes? No me parece muito apropriado.
Hunter sorriu sem entusiasmo.
	D um tempo, amigo.
Leah no escondeu sua surpresa. Se Buli referira-se a Hunter como um pretendente em potencial, era porque sabia a respeito do anncio. No imaginava como descobrira. Sem dar chances para os dois homens conversarem, interveio:
	Ento, veio por causa do anncio, Jones?
	Uma das razes  ele concordou.  Gostaria de apresentar-me como candidato, porm, no creio que aceite.
	Acertou.
	Quanto ao outro motivo...  Calou-se para acender outro cigarro. Tragou, soltando lentamente a fumaa pela boca.
Leah conhecia essa manobra. Uma tentativa para enerv-la. Infelizmente, ele conseguia.
	Fale logo, Jones.
	Ora, ora. Para que tanta pressa?  Deu de ombros.  Quer que eu seja objetivo? OK. Vou direto ao assunto. Vim para lhe dar um pequeno conselho de amigo.
	De amigo?
	Sou do tipo de rapaz cordial, sabia?  Avanou um passo na direo dela.  Se me der uma chance, descobrir o quanto sou amistoso.
Ela no soube exatamente o que o fez parar. Se o rudo da arma sendo engatilhada ou se o movimento rpido de Hunter. De qualquer modo, Buli Jones estremeceu. Olhando para Hunter, Leah percebeu o que contivera os movimentos do capataz.
Sempre achara os olhos de Hunter fascinantes. Num minuto se mostravam frios e distantes, no outro, brilhando com fogo e paixo. Havia uma ameaa implacvel estampada nos olhos negros. E, pela primeira vez, se apercebia que, alm de fascinantes, poderiam se transformar em ameaadores. Hunter encarou Buli Jones.
	Se tiver mais alguma coisa para dizer, sugiro que diga logo. Rpido.
Buli fulminou Hunter com um olhar de fria. Todavia, obedeceu. Voltando-se para Leah, explicou:
	Parece que a Lyon Enterprises est se cansando de brincar de gato e rato com voc. A companhia  poderosa e conta com muita gente influente...
	Estou morrendo de medo  Leah retrucou.
Novamente, Buli atirou a ponta do cigarro no canteiro de rosas.
	Mas, morrer. Ouvi dizer que o novo chefo  intransigente. Voc no tem chance.
Mesmo no demonstrando, Leah se apavorou com aquela revelao.
	Voc repete a mesma coisa a sculos.  Esforou-se para aparentar uma calma que estava longe de sentir.  Tenho conseguido lidar muito bem com essas ameaas.
	At agora, o tratamento tem sido com luvas de pelica.
Leah conteve a raiva.
	Voc considera atos infames como poluir poos, arrebentar cercas de arame ou espantar meu rebanho de ovelhas como tratamento com luvas de pelica?
Ele riu.
	Queramos apenas nos divertir um pouco. Porm, tiramos a luvas, dona. Depois, no venha dizer que no avisei.
Virando-se, caminhou de volta at a pick-up. Ligou o motor, partindo em alta velocidade. Em silncio, Hunter e Leah observaram a caminhonete de Buli Jones afastar-se, deixando para trs, uma nuvem de poeira.
Hunter tirou o rifle das mos dela, colocando-o sobre o parapeito da varanda.
	H mais alguma coisa que esqueceu de me contar? ele murmurou num tom sarcstico.
Leah ergueu o queixo.
	Um ou dois pequenos detalhes, sobre os quais no vale a pena discutirmos. Mesmo porque no so da sua conta.
	No concordo. Acho melhor voltarmos para o escritrio e discutirmos sobre esses pequenos detalhes.
	No! Recuso-me a discutir assuntos do rancho com voc!
Mesmo que voc estivesse interessado no meu anncio, isto , em casar comigo, no o escolheria para o cargo.
Hunter ergueu uma sobrancelha.
	Cargo? Pensei que quisesse um marido.
	E, quero. Porm, uma vez que no est interessado...
	Lutava para que sua voz no trasse a angstia.  Creio que j se divertiu um bocado, por hoje. Agora, v embora, por favor.
Negando com um movimento de cabea, ele disse:
	Ainda no terminamos nossa conversa e no sairei daqui enquanto no esclarecermos tudo. Se isso significa candidatar-me ao... cargo, considere-me candidatado.
	Esquea. Voc no rene as qualificaes necessrias. Com isso, dou por encerrada nossa conversa.
	Sou qualificado, sim. Em todos os aspectos.
Leah no pretendia continuar com aquela charada, entretanto, no tinha escapatria. A menos, que o ameaasse com a arma. Como j tentara esse artifcio, sem resultado, decidiu enfrent-lo.
	OK. Considera-se qualificado? Ento, prove.
	Um desafio? Pois bem, vamos por partes. Requisito nmero um. Voc quer um homem entre vinte e cinco e quarenta e cinco anos. Sem problemas.
	Leia o anncio com mais ateno, Hunter. Mencionei um homem gentil e educado. Voc no  gentil, nem educado.
Os olhos negros e impiedosos encararam-na.
	Voc ainda se lembra bem, no?
Fingindo no perceber o tom irnico, ela prosseguiu:
	O anncio tambm diz que esse homem precisa querer um relacionamento srio. No me diga que, finalmente, est disposto a estabelecer-se.
	Isso vai depender de entrarmos num acordo. Requisito nmero dois. Experincia em administrar ranchos.  Cruzou os braos.  Pretende discutir sobre minhas qualificaes aqui?
Ela negou com um movimento de cabea. Afinal, no havia nada sobre o que discutirem.
	Reconheo suas habilidades profissionais  ela admitiu com franqueza.
Hunter sorriu levemente.
	Voc reconhecer muito mais, antes mesmo que eu termine minha exposio. Nmero trs. O candidato deve ter grande experincia anterior, principalmente, que saiba lidar com banqueiro teimoso.  Com a ponta do dedo, empurrou o chapu para trs.  Voc est diante da pessoa certa.
	Estou?
Alguma coisa nas atitudes de Hunter a preocupou. Ele agia como se aquela situao toda no passasse de um jogo. E, mais. Hunter conduzia esse jogo, como se Leah j o tivesse perdido, sem saber. O sorriso de Hunter tornou-se ameaadoramente predatrio.
	Voc est enfrentando dificuldades financeiras e o banco no concorda em conceder-lhe emprstimo, a menos que tenha um marido na retaguarda. Acertei?
Leah cerrou os dentes.
	Quase  foi obrigada a confessar.  Mas, repito, no ser voc o escolhido. Assunto encerrado.
	Nem pensar. No h um nico banco no mundo, que no atenderia a um pedido meu.
	Desde quanto?  ela indagou, mordazmente.
Hunter se aproximou, prendendo-a contra a coluna da varanda.
	Passaram-se oito anos, desde nosso ltimo encontro, querida. Muitas coisas aconteceram nesse espao de tempo. No sou mais aquele pobre diabo que conheceu. Voc precisa de mim, Leah. Com urgncia, muita urgncia. Vou provar-lhe.
	No preciso de voc  negou com veemncia.  Jamais precisarei.
	Ah, precisar, sim!  Embora a voz soasse macia e carinhosa, as palavras ecoaram asperamente.  Porque no conseguir ajuda bancria sem mim. Garanto. Amanh mesmo voc se certificar dessa verdade.
Leah respirava com dificuldade.
	Pode provar?
	Darei todas as provas que quiser.  Inclinou a cabea Os lbios quase se tocavam.  Como v, sou bem qualificado.
	No concordo. Voc mesmo admitiu no ser gentil, nem educado. Uma vez que esse  dos requisitos exigidos...  Ergueu os ombros.  Receio ter que dispens-lo.
	E, eu receio, ter que insistir. No mundo dos negcios, todas as transaes esto sujeitas a concesses. Voc ter que abrir um precedente no requisito gentil e educado.
	Quais sero as suas concesses?
	Nenhuma.  Riu. Com a ponta do dedo, empurrou o chapu para trs.  Diga-me, Leah. Por que no vendeu o rancho?
Ela respirou fundo, com impacincia.
	Pensei que soubesse. Hampton Homestead pertence  famlia h...
	Geraes. Seu pai sempre repetiu essa frase com orgulho.
Por isso, jamais permitiria que o rancho, ou sua filha, cassem nas mos de um mestio, cujas origens no vo alm do orfanato onde foi abandonado.
Leah o encarou, perplexa.
	Ele disse isso?
	 Sim, disse. Mas, no tem importncia. Voc no tem opo. Leah. Soube, atravs de fontes seguras, que est  beira da falncia. Se vender o rancho, pelo menos, ter dinheiro para viver com conforto.
	H outra alternativa  desafiou-o.
	O anncio.
	No me olhe como se eu fosse doida. No foi uma deciso precipitada, nem acho que seja bobagem. O banco no me negaria o emprstimo, se tivesse um marido, misto de administrador e rancheiro.
	Eles lhe deram alguma garantia?
	No por escrito. O gerente do departamento de emprstimos, Conrad Michaels,  um velho amigo de famlia. Apesar de no ter tido possibilidade de nos ajudar antes, ele acha que nosso dficit ser facilmente superado. Foi de Conrad a ideia de casa mento. Depois de casada, o banco no me negar um emprstimo.
Leah nunca vira Hunter to furioso.
	Voc est dizendo que foi Michaels quem a convenceu a publicar o anncio esse anncio inconsequente?
	No  inconsequente  protestou.   prtico. Conrad simplesmente sugeriu que eu procurasse, o mais rpido possvel, por um marido com as qualificaes necessrias.
	Ele sugeriu, ? Na posio dele, como gerente bancrio?  Hunter no se preocupava em esconder o desprezo.  Nunca lhe ocorreu que ele poder ter dificuldades em manter a promessa? Ele est subordinado a uma diretoria que poder continuar no concordando com o emprstimo. Nesse caso, como voc se sairia da encrenca? Falida e casada com algum vaqueiro qualquer, que a explorar em tudo o que puder, antes de abandon-la na misria.
	Voc deve saber muito bem, uma vez que  especialista nessa arte.
	No fale sem conhecimento de causa, Leah  preveniu-a.  Case com o prximo candidato que aparecer por aqui e receber de volta somente problemas.
	No  nada disso. Confio em Conrad. Ele conseguir o emprstimo, tenho certeza.
Hunter cerrou os olhos, demonstrando que no compartilhava com a opinio de Leah. Mas, no comentou nada.
Com relao ao anncio?  ele indagou.
	A ideia foi minha. Precisava solues rpidas.  Cruzou os braos.  No posso negar que consegui.
	Bem, se conseguiu um gentil e educado, est de parabns.
	Dispenso seus cumprimentos. Tudo o que preciso,  da aprovao de Conrad.
	No duvido que seu amigo gerente se prontifique a certificar-se de que o candidato  realmente qualificado como rancheiro e administrador. E, como marido e amante? Quem ir se certificar nesse particular?  A voz de Hunter soou rouca e sedutora.  Gentil e educado no ser capaz de satisfaz-la na cama. Nem em milhes de anos.
Leah sentiu o rubor cobrindo as faces.
	Esta  a ltima das minhas preocupaes  murmurou.
	 assim que v a vida de casada?
	Um relacionamento sem graa, com um marido sem a menor ideia de como agradar a esposa?
Novamente, as imagens passaram pela cabea de Leah. Imagens dela e Hunter abraados sob o cu azul. As roupas espalhadas, a nudez de seus corpos rolando pela grama. No pode evitar de lembrar com saudade desses momentos felizes. Porm, sabia que no deveria deixar-se envolver por essas emoes. No, se quisesse salvar o rancho.
	Isso no  to importante  defendeu-se.  Pretendo conservar o rancho. Nem que para isso tenha que casar com o primeiro sujeito que aparecer na minha porta. Nada do que disser, vai mudar minha deciso.
	Eu sou o nico homem realmente qualificado que surgiu na sua porta, Leah.
A insistncia de Hunter comeava a irrit-la.
	Voc no est me levando a srio. A situao  muito mais complicada do que imagina. A Lyon Enterprises est interessada em comprar o rancho. Usa todos as artimanhas para pressionar-me. Voc conheceu Buli Jones. Ele j convenceu muitos dos meus empregados a se demitirem, oferecendo, em troca, quantias vultuosas. No menti quando o acusei de cortar as cercas, de espantar meu rebanho, de poluir poos. O homem que se casar comigo, dever ser capaz de lidar com tudo isso.
 Colocou as mos nos quadris.  Talvez agora, conhecendo os fatos, voc resolva ir embora de vez.
Num movimento rpido, Hunter a abraou.
	No me ameace, Leah. Aposto como no gostar das consequncias. Fale a verdade. Voc est sendo mesmo hostilizada
ou tudo no passa de outra de suas fantasias?
Leah no tentou desvencilhar-se.
	No  fantasia. Hoje, voc teve uma pequena mostra. Se no acreditar em mim, pergunte ao capataz. Patrick  um dos poucos que ainda no se renderam aos encantos da Lyon.
	 verdade, mesmo?
	Claro.
	Est mesmo disposta a casar-se com um desconhecido, para tentar salvar o rancho?
	Estou.
	Nesse caso, s h uma alternativa.
	J disse. No venderei o rancho.
	No ser preciso. Voc vai casar comigo.
Se no estivesse nos braos dele, certamente, Leah cairia, derrubada pela surpresa.
	O que?
	Voc ouviu. Ns nos casaremos e conseguiremos seu emprstimo.
Leah o fitava deslumbrada. Havia fora e determinao nos olhos dele.
	Pensei que no quisesse casar comigo.
	No foi minha primeira inteno. Porm, quanto mais considero a ideia, maior o apelo.
	Esta  a proposta mais insultante que j ouvi em toda. minha vida.

	Posso ser ainda mais insultante, acredite.
	Se quiser que o aceite, aconselho-o a no exagerar.
Fitaram-se em silncio. Lentamente, Leah desviou o olhar.
	Voc aceitar  Hunter sussurrou com satisfao.
Exausta, Leah no conseguia pensar com clareza. Precisava de tempo. Tempo para ficar sozinha e ponderar, para decidir. Desconfiava que Hunter no lhe daria esse tempo.
	Como posso acreditar que conseguirei o emprstimo?
Hunter contraiu os msculos do rosto.
	Tenho alguma influncia. No sou mais aquele p-de-chinelo de oito anos atrs.
	Nunca o encarei dessa maneira  Leah reagiu de pronto.
	Qual  sua resposta, Leah? Tem vinte e quatro horas para decidir. Vende o rancho para mim ou casa comigo.
	Parece que no me deixou muitas sadas.
	Voc tem uma sada. Eu.
Novamente, Leah notou a expresso fria e distante de Hun-ter. Nesse momento, odiou-o. Odou-o por despertar-lhe desejos muito esquecidos. Odiou-o, pela capacidade incrvel de remexer em suas emoes.
	Vinte e quatro horas, Leah. Depois disso, no ter mais chance.  Sem mais nenhuma palavra, afastou-se.
Leah permaneceu ainda por muito tempo na varanda, incapaz de mover-se, incapaz de pensar. Por fim, com um suspiro abafado, escondeu o rosto entre as mos, dando vazo s lgrimas.

CAPITULO III

Hunter colocou a pasta sobre a escrivaninha de L.seu escritrio. Aps uma leve batida na porta, seu assistente, Kevin Anderson, entrou na sala.
	E, ento? Ela concordou em vender o rancho?
Hunter tirou alguns papis de dentro da pasta, colocando-os de lado.
	Ainda no. Mas concordar... de um modo ou de outro.
 Ele olhou para seu assistente, com expresso de contrarie dade.  Por que no me falou de Buli Jones e de tudo o que ele anda fazendo?
	O capataz?  Kevin hesitou por um momento. Depois, ergueu os ombros.  No pensei que fosse importante.
	Claro que  importante  Hunter advertiu-o asperamente.  As decises devem ser minhas. No suas.
	Desculpe, chefe. No acontecer de novo.  Kevin pausou por um instante, antes de perguntar num tom cauteloso: Imagino que tenha conhecido o capataz.
	Sim.
	Ele o reconheceu?
Hunter no respondeu de imediato. Aproximou-se da janela. Houston se descortinava diante de seus olhos. A intensa umi-dade vinda do Golfo do Mxico prenunciava uma nova onda de calor sobre o sul do Texas.
	No  disse, por fim.  No me reconheceu. Tambm, no me preocupei em apresentar-me.
	Melhor assim. Que faremos com ele?
	Por enquanto, nada.  Hunter se voltou, encarando o assistente.  Talvez, no futuro, tenha que tomar algumas atitudes.
	Como quiser. Voc  o chefe.
	De hoje em diante, quero que me mantenha informado de tudo. Mesmo de coisas que julgar sem importncia. No pretendo ser apanhado em flagrante outra vez.
	Sim, senhor. Desculpe, senhor. Com licena.  Kevin saiu da sala.
Hunter sentou-se e abriu uma pasta com o nome Hampton Homestead. Espalhou sobre a escrivaninha inmeras cartas, documentos, fotos. Escolheu duas fotos de Leah. Uma idntica  que vira no escritrio do rancho. Outra, de um ms atrs.
Observando a foto mais recente, sentiu a fora de um desejo incontrolvel, intenso, inesperado, dilacerando seu corpo. Ainda a desejava. Queria acariciar os cabelos soltos de Leah. Queria tocar novamente sua pele macia e perfumada. Deixou a foto sobre a mesa.
	Logo, logo  prometeu a si mesmo.
Na manh seguinte, a av de Leah procurou-a no quarto.
	Precisamos conversar  Rose disse, oferecendo-lhe uma xcara de caf.
Leah fechou os olhos. No conseguira dormir e a claridade do sol a incomodava.
	Se  sobre Hunter, por favor, esquea. No quero discutir sobre isso.
	E sobre Hunter.
	Por favor, vov. No insista.
	Preciso confessar algo e voc vai me ouvir, nem que para isso tenha que jog-la ao cho e me sentar em cima.
Leah sorriu.
	Podemos, pelos menos, conversar durante cinco minutos sobre o tempo, enquanto bebo meu caf?
	O dia est quente e ensolarado. Vinte graus na sombra.
Melhor beber seu caf rpido. E sobre Hunter.
Leah suspirou. Entre outras, a teimosia e a determinao eram caractersticas da personalidade da av.
	Do que se trata?
	O que ele contou ontem, sobre o delegado,  verdade  Rose declarou.
	Como sabe? Escutou nossa conversa?
	Sim. No estou nem um pouco envergonhada por admitir isso. Estou, sim, muito envergonhada por ter trado sua confiana, oito anos atrs. Leah, fui quem preveniu seu pai sobre os planos de fugir com Hunter.  Girava nervosamente a aliana no dedo.
Leah j desconfiava. A av fora a nica pessoa com quem comentara o assunto.
	Voc contou a meu pai...
	Contei porque no queria que voc partisse. Fui muito egosta, no?
	Eu prometi que no iria embora!
Leah colocou a xcara sobre a mesa de cabeceira e saiu da cama. Contara tudo  Rose, simplesmente porque no poderia sair de casa, sem despedir-se da av. Porm, no esperava ser surpreendida com uma notcia triste, que mudara todos os seus planos. A av revelara que seu pai sofria de uma doena incurvel e que teria pouco tempo de vida. Diante disso, Leah no teve alternativa. Apesar de todo o amor que nutria por Hunter, no poderia abandonar o pai num momento to crtico. No seria justo.
Leah fitou a av.
	Eu disse que iria ao encontro de Hunter para explicar sobre a doena de papai. Pretendia pedir-lhe para esperar...para voltar depois... depois...
Rose encolheu os ombros.
	Talvez ele tivesse concordado. Mas, eu no tinha certeza. Suspirou.  Oua, garota. Tomei uma deciso. Quero que se case com Hunter.
	O qu?  Leah arregalou os olhos, atnita.
	Est surda? Eu disse que quero que se case com Hunter Rose repetiu.
	Por qu?
	Porque...  Rose ergueu o queixo, num gesto determinado.	Bem, hoje logo cedo, recebi um telefonema de Conrad Michaels.
	O que ele queria?
	Oficialmente, para comunicar sua aposentadoria. Oficiosamente, para que soubssemos que no poderemos mais contar com sua intercesso junto ao banco. A mensagem que captei foi que no conseguiremos emprstimo bancrio em qualquer circunstncia.
	Hunter!  Leah exclamou.
	Foi o que me ocorreu tambm.  Os olhos da av se, estreitaram.  Acha que ele  to influente, a ponto de forar o afastamento de Conrad?	
- Possivelmente. Se Hunter  to impiedoso quanto suspeitamos, no   toa que queira que me case com ele.
	Pois, acho que devemos tirar vantagem dessa impiedade toda.
	Acha mesmo?
Inclinando a cabea, Rose olhou fixamente para a xcara de caf que segurava nas mos, como se as respostas para seus problemas estivessem l. Por fim, ergueu os olhos, fitando Leah com expresso dura.
	Voc tem duas opes. Poder vender o rancho ou brigar com a Lyon Enterprises. Se quiser vender, d a palavra e, ento, desistimos e nos mudamos daqui. Mas, se quiser vencer a Lyon, Hunter  o homem indicado para ajud-la. A deciso de casar-se ou no com ele,  sua. nica e exclusivamente sua. Porm, aconselho-a a aceit-lo. Homens como Hunter aparecem uma vez s em nossa vida. Voc teve muita sorte. Ele no bater  sua porta duas vezes.
Sorte? Leah tinha suas dvidas. Hunter acreditava que fora ela quem contara a Ben Hampton seus planos de fuga. Por isso, imaginava que ele voltara, apenas para vingar-se. E, ao deparar com o anncio, apressou-se em tirar proveito da vulnerabilidade dela.
Olhou para a av. O rosto de Rose era a imagem do desespero. A perda do rancho significaria sua morte. Leah sentiu uma sensao estranha ao constatar que, de certa forma, tinha o destino de sua av nas mos. O poder de vida ou morte. De repente, compreendeu que s havia um caminho a seguir.
	Vou telefonar para Hunter  comunicou  av.
Pela primeira vez, Leah viu o brilho de lgrimas nos olhos da av.
	No aceite a primeira oferta, garota  aconselhou-a.  Negocie e s ter a ganhar com esse casamento.
	No sou sua neta por acaso, vov. No permitirei que Hunter comande o espetculo sozinho.
S depois de completar uma lista de exigncias que pretendia apresentar a Hunter, Leah percebeu que ele no deixara o
nmero de seu telefone. Esse fato, porm, no chegou a representar um problema. Exatamente vinte e quatro horas aps o encontro do dia anterior, Hunter telefonou.
	Qual  sua resposta?  indagou, sem prembulos.
	Gostaria de encontr-lo para discutir a situao  ela ponderou.
	Voc quer discutir os termos de. rendio?
	Sim.  Leah chocou-se com o som da prpria voz.
	Agora, voc est sendo sensata. Como v, desistir, no  to mau quanto parece.
	Bem, onde posso encontr-lo?  Mudou deliberadamente de assunto.
	Estou em Houston. No precisa dirigir at aqui. Estarei  sua espera amanh, ao meio-dia. Na cabana.
Leah no acreditava no que acabara de ouvir.
	Isto no  uma brincadeira, Hunter.
	Nem pretendo que seja. Estou falando srio, Leah. Encontre-me amanh, ao meio-dia, na cabana. Como antigamente. Espero que no mude de ideia. No haver uma segunda chance.
	No houve h oito anos atrs. Por que agora seria diferente?
	Ser diferente  ele prometeu.
	Sim, tudo ser diferente.
	Muito bem, Leah. Ainda h esperana para voc.
Ela tentou se controlar, determinada a ignorar as provocaes.
	Preferia encontr-lo no escritrio. O que acha? Hunter? ela falava sozinha. Mais do que provocada, sentia-se ultrajada.
Lentamente, colocou o fone no gancho. As perspectivas para um futuro ao lado de Hunter no eram nada encorajadoras.
Entretanto, no poderia carregar para sempre a culpa do episdio da cabana. Tentara explicar, mas, aparentemente, Hunter no acreditara em sua inocncia.
No dia seguinte, depois do caf da manh, Leah foi at o pasto, para ver Dreamseeker, o garanho recm-adquirido. Ao chegar junto  cerca, assoviou. O cavalo preto veio galopando pela grama. Parou a alguns metros de distncia, escavando a terra e balanando o rabo.
No faa charme, rapaz  Leah brincou.  Trouxe uma coisa para voc.  Abri a mo, de modo que o animal visse os torres de acar.  Venha. Sei que voc gosta.
Sem hesitar, o cavalo se aproximou da cerca. Comeu o acar na palma da mo de Leah. Depois, mordiscou de leve os dedos dela, num gesto de domnio. Com um relincho, galopou de volta ao pasto.
Leah cruzou os braos, recusando-se a deixar-se abater pela tristeza. Fizera sua escolha. Uma escolha que protegeria o garanho, protegeria o rancho, protegeria a av e todas as criaturas que viviam sob sua responsabilidade.
Entendera por que Dreamseeker a mordera. Quisera provar que ainda era livre para se aproximar e, depois, fugir. Isso a entristeceu ainda mais, pois sabia que vivia uma mentira.
De volta  casa, Leah selou um cavalo e foi para a cabana. Apesar de primavera, o tempo estava mais quente e mido do que aquele fatdico dia de oito anos antes. O ar estava abafado, carregado com a ameaa de tempestade. Leah tremeu. As coincidncias que cercavam os dois encontros pareciam assustadoras demais.
Ao chegar, Leah amarrou o cavalo. Hunter no chegara ainda. Leah parou na porta, relutando em entrar na cabana. Relutando em enfrentar mais lembranas. Durante oito anos, evitara esse local. Porm, justamente por causa de Hunter, no poderia evit-lo mais. Respirou fundo e, de queixo erguido, abriu a porta da cabana.
Entrou cautelosamente, olhando ao redor. Surpreendeu-se com o que viu. Estava tudo limpo e em ordem. A mesa, duas cadeiras, a cama. Uma fina camada de poeira era o nico sinal de negligncia. Algum cuidara da conservao da cabana. Quem? Por qu?
	Revivendo velhas lembranas?
Leah se voltou.
	Hunter? Voc me assustou.
Uma silhueta surgiu no limiar, bloqueando a luz do sol.
	No deveria assustar-se com tanta facilidade.
Procurando alguma coisa para dizer, com um gesto apontou para os objetos.
	Est tudo igual. Pensei que estivesse tudo destrudo. 
Ele encolheu os ombros..
Um rancho com estas dimenses precisa de cabanas, para
os empregados descansarem quando trabalham nos pastos.
O clima estava tenso. Leah no conseguiria suportar por muito tempo aquele situao de confronto. Decidiu no prolong-la. Encarando-o, perguntou num tom defensivo:
	Por que quis encontrar-me aqui?
	Apenas para aborrec-la.
	Conseguiu. Essa foi a nica razo?
	No. Poderia ter pedido que fosse at Houston. Porm, considerando nossa histria...  Apoiou-se na porta.
Com as mos na fivela do cinto, a cala jeans delineando os msculos das pernas, era todo masculinidade e atrao. Leah desviou o olhar. No queria lembrar-se das vezes em que ele desvestira os jeans e a camisa, expondo seu corpo para uma Leah apaixonada e ansiosa.
Obrigou-se, desesperadamente, a concentrar-se na conversa.
	Voc leva muito mais vantagens do que eu, por negociar aqui  ela argumentou.  Despertando velhas memrias, jogando com meus sentimentos de culpa... tudo isso poder me enfraquecer, no ?
	Sim. Jogo para vencer. Melhor compreender esse ponto desde agora, Leah.
Ela contraiu os lbios.
	E se no compreender?
	Compreender. Voc e eu vivemos num crculo. Voltamos ao ponto de partida. Todavia, no  a mesma coisa. Voc mudou.
Eu mudei. Nossa situao mudou.
	Em que mudou?  Leah indagou, curiosa.  Em que voc mudou? O que fez, depois que deixou o rancho?
Hunter hesitou. Por um instante, Leah pensou que no responderia.
	Primeiro, conclu meus estudos. Depois, trabalhei vinte e quatro horas por dia para construir minha... fortuna.
	Suponho que foi bem-sucedido.
	Diria que sim.
	 tudo o que tem para me dizer? Que estudou e enriqueceu?
	Sim.
Leah o encarou, cheia de suspeitas. Sem dvida, Hunter no revelara tudo. Havia muito mais para contar.
	Por que tanto mistrio?  questionou-o, dando voz s suas preocupaes.  O que est escondendo?
	Ainda me agredindo, Leah?
	Tenho o direito de saber. Afinal,  o meu rancho que est em jogo.
Hunter negou com um movimento de cabea.
	O rancho pode ser seu. Mas quem est no comando sou eu. Quero que isso fique bem claro.
	No, no est nada claro!  esbravejou.  Alis, vou logo avisando que no admitirei que fique jogando nosso passado no meu rosto, a todo momento. No passarei o resto da minha vida, pedindo desculpas por uma falta que no cometi.
	No pretendo tocar mais nesse assunto, Leah. Creio que precisamos esclarecer certos pontos, para que no haja nenhuma dvida na sua cabea. No quero que diga, depois, que no avisei.
	Avisou-me?
	H sete anos, voc est administrando sozinha este rancho, levando-o quase  runa. Agora, estou aqui com a inteno de salv-lo. E conseguirei. Entretanto, voc ter que entender e aceitar que eu assumi o comando. No admitirei que me questione na frente dos empregados ou que discuta minhas decises. Ter que confiar em mim, Leah. Inteiramente. Sem perguntas. Comearemos agora.
	Voc esteve longe durante tanto tempo... No me parece razovel...
Num movimento brusco, Hunter arregaou a manga da camisa.
	Est vendo esta cicatriz?  Uma linha comprida e tortuosa marcava o antebrao.
	Sim.  Leah sentiu um frio na espinha.
	Eu a ganhei quando o delegado jogou-me pela janela. H outra, na coxa. Um dos homens de Lomax tentou marcar um gol com a espora. Quase conseguiu. Quebrei a clavcula e algumas costelas nesta porta.  Examinou-a com ateno.  Ainda est fora de esquadro. Depois de tudo, parece que deixei minha marca aqui.
Constrangida, Leah perguntou-se como o pai e o delegado Lomax puderam agir com tanta crueldade.
	Voc voltou para vingar-se, no?  perguntou num fio de voz.  Quer o controle do rancho para vingar-se do modo como meu pai o tratou e, tambm, porque no fui embora com voc?
	Acredite no que quiser, Leah.  Inclinou-se na direo dela. Suas palavras soaram frias e duras.  Veja bem. Fui expulso destas terras uma vez. No acontecer de novo. Se no concordar com minhas imposies, venda o rancho. Mas, se casar comigo, no espere uma sociedade. Nos meus negcios, quem d as ordens sou eu.
	Sua palavra  lei.  isso?
	Exatamente.
	Acontece que tambm tenho algumas condies.
	Ah, sim? Quais so?
Leah tirou do bolso a lista que preparara. Ignorando o riso abafado de Hunter, indagou:
	Como ficam meus empregados? Esto conosco h muitos anos. Como poder me garantir que nada mudar em relao a eles?
	No estou garantindo nada. Se cumprirem suas tarefas satisfatoriamente, ficaro. Do contrrio...
Leah sentiu um sinal de alarme. Todos os empregados sempre foram dedicados e cumpridores de suas tarefas. Todavia, poderiam no ser suficientemente bons, dentro dos padres de Hunter.
Pensou em Patrick. Com uma perna defeituosa, no era to forte e rpido como um capataz deveria ser. Pensou no casal Mateo e Inez Arroyas. Inez era uma governanta competente, mas tinha seis filhos para cuidar. Leah sempre insistira para que as crianas viessem em primeiro lugar, mesmo em detrimento do servio da casa. Mateo era excelente no trato com cavalos. Porm, tendo perdido um brao num acidente de automvel, tinha dificuldades em conseguir emprego.
Duvidava que Hunter compartilhasse de sua opinio.
	Mas..
	J comeou a questionar meus julgamentos?  ele perguntou num tom suave.
	No, exatamente. Gostaria de ter algum tipo de garantia que essas pessoas no sero demitidas.  Percebeu que a expresso dele tornava-se sria.  Sou responsvel por elas forou-se a explicar.  No conseguiro trabalho em outro lugar.
	No sou um homem desumano ou insensato. Seus em pregados no sero demitidos sem justa causa.
No era propriamente uma garantia, mas era o melhor que conseguira dele.
	E minha av?
Um brilho de raiva surgiu nos olhos dele.
	Pensa que no sei o quanto Hampton Homestead significa para ela?
	Voc no pretende obrig-la a mudar-se?
Imediatamente, Leah percebeu que o ofendera.
	Por mais que a ideia me atraia, no  minha inteno arranc-la de seu lar. Qual a prxima pergunta da lista?
	Quero um acordo pr-nupcial, estabelecendo que, em caso de divrcio, ficarei com o rancho.
	No haver divrcio.
Ela levantou o queixo,
	Ento voc no faz objeo a esse acordo, no?
Hunter passou a mo pela nuca, denotando impacincia com a lista.
	Melhor deixar que nosso advogado cuide desses detalhes. Recuso-me a comear um casamento, discutindo um divrcio imaginrio.
	Ok.
	Prxima?
Leah respirou fundo. O ltimo item poderia ser o mais polmico de todos.
	No dormirei com voc  falou num s flego.
Hunter sorriu com ironia.
	Este quesito  o que h de mais irreal. E voc sabe muito bem disso.
	Eu...
Leah no completou a frase, pois Hunter a interrompeu bruscamente.
	Ser um casamento de verdade. No mais completo sentido da palavra. Dormiremos juntos, beberemos, comeremos, faremos amor juntos.
	De jeito nenhum  ela protestou,  beira do desespero.
 Voc quer o controle do rancho e ter. Eu no fao parte da permuta. No aceito!
	Aceitar, Leah, e gostar  afirmou com segurana. Eu a conheo muito bem para saber o que  melhor para voc.
	Voc conheceu uma garota de dezoito anos, inexperiente e ingnua. Mas no sabe nada a respeito da pessoa na qual me transformei. No sabe absolutamente nada sobre meus sonhos, minhas esperanas, meus anseios. E jamais saber.
	Outro desafio?  Hunter se aproximou dela.  Poderemos resolver isso agora mesmo! A cama  um pouco estreita, mas no tem importncia. Garanto que no se decepcionar.
Leah recuou.
	Atrevido! No poder me forar!
	No costumo usar a fora. Alis, no ser necessrio.
Por um terrvel momento, Leah imaginou que ele se dispunha a provar o que afirmara. Que, num movimento rpido, a seguraria, levando-a para a cama. Aliviada, percebeu que Hunter relaxava, apesar do olhar intenso e misterioso.
	O que tem a dizer a respeito de filhos?  ele perguntou inesperadamente.  Ou ser que esse item est fora da sua lista?
Os fatos haviam se precipitado de tal maneira, que Leah esquecera-se por completo do assunto.
	Voc quer filhos?  ela indagou, meio incerta.
Hunter continuava a olh-la com desconfortvel intensidade.
	Voc quer? Ou devo perguntar se voc quer meus filhos?
	Um dia, sonhei com isso  confessou m voz baixa.
	E agora?
Olhou-o, tentando esconder o nervosismo.
	Sim, quero ter filhos.
	No os ter, se eu concordar com suas condies. Tire essa exigncia da sua lista, Leah. Est totalmente fora de cogitao.
Leah no concebia a ideia de entregar-se a ele sem amor, sem compromisso. Todavia, no tinha escolha.
	Hunter, por favor...
Ele a tocou. Segurando a cabea de Leah entre as mos, obrigou-a a fit-lo.
	Faremos amor, voc e eu, e teremos filhos. Muitos. As chances de nascerem loiros com olhos azuis so mnimas. Voc poder suportar isso?
 No sou meu pai. Sei que no acredita, mas  verdade. Acha que amarei menos um filho s porque  moreno, em vez de louro?  Atreveu-se a acariciar os cabelos pretos de Hunter.
Ele tomou-lhe a mo, pousando-a sobre o brao cicatrizado. A palidez de Leah contrastava com sua pele bronzeada.
	A diferena de cor incomoda a muita gente.
	No a mim. Nunca incomodou.
Hunter assentiu, aparentemente aceitando as palavras dela.
	Mais alguma condio?
	No. Entretanto, no prometo que jamais o questionarei. Amo este rancho e farei o possvel para proteger o pessoal daqui.
	Agora, isso  comigo.
	O que no significa que no me preocuparei.
	As preocupaes tambm fazem parte do meu trabalho.
Leah concordou. Faltava apenas uma questo para ser resolvida.
	Sobre o casamento...
	Quero casar no final da semana. Diga-me onde e quando.
Estarei l. No quero que passe de sbado.
: Assim rpido? Falta menos de uma semana!
	Voc j est com segundas intenes, Leah?
	No... H muito para ser feito e o tempo  curto.
	Arrume tempo.  Apertou-a em seus braos.  Agora, preciso ir.  Beijou-a.
O beijo afastou os fantasmas do passado. Por mais que tentasse opor-se a ele, mantendo um pedao de si mesma protegido e em segurana, Hunter derrubava todas as suas resistncias com incrvel facilidade.
O beijo se tornava mais exigente. Hunter acariciou o seio de Leah, tocando o mamilo enrijecido sob o tecido fino da blusa. Ela no se rebelava... Permitia que Hunter a tocasse como desejava, que explorasse seu corpo como queria, que a conduzisse por caminhos de sonho e prazer, que conhecera somente com ele.
Por um instante, Leah imaginou que ainda significava algo de especial para Hunter, que a queria muito mais do que ao rancho. Porm, o momento de magia se desfez, quando se lembrou que tudo no passava de um jogo de interesses, de vingana.
Por fim, Hunter a soltou.
	Telefone-se contando sobre os detalhes  instruiu-a, caminhando para a porta.  Precisaremos obter a licena o mais rpido possvel.
	Mais uma coisa  ela pediu. Aps uma breve hesitao, prosseguiu:  Conrad Michaels aposentou-se. Voc foi o responsvel pela aposentadoria dele?
	Sim.
Leah suspeitava. Mesmo assim, chocou-se por ouvi-lo admitir o fato com naturalidade.
	Por qu?
Hunter no respondeu. Saiu da cabana, obrigando-a a segui-lo. Montou seu cavalo. Leah o alcanou.
	Hunter, por favor. Por que forou Conrad a aposentar-se?
Ele a fitou em silncio, por um longo momento. Depois, inclinou-se, com um brilho ameaador nos olhos negros.
	Porque ele a colocou em risco.
	Do que est falando?
	Do anncio.
	Fui eu quem publicou o anncio, no Conrad.

	Voc foi uma tola, Leah. Ser que no imaginou o perigo que corria, entrevistando desconhecidos dentro da sua prpria casa?
	Por isso aposentou Conrad.
	Acredite-me, tomei a deciso certa. Precisava fazer alguma coisa, antes que ele a influenciasse com outras ideias malucas. Considerando que Conrad  um velho amigo da famlia, resolvi facilitar as coisas para ele.
Um pensamento passou pela mente de Leah.
	Se voc  to poderoso, suficientemente poderoso para forar a aposentadoria de Conrad, por que faz tanta questo do rancho?  interrogou-o.  O rancho deve ser peixe pequeno para voc. Por qu, Hunter? Por qu?
Um sorriso irnico surgiu nos lbios dele. Com a ponta do dedo, afastou o chapu da testa.
	Minha querida futura esposa, esta  uma pergunta  qual no pretendo responder.
Com isso, afastou-se. Nuvens escuras cobriam o cu, anunciando a tempestade que no tardaria a cair. Um relmpago cortou o cu, na direo que Hunter seguia.
Leah suspirou, perguntando-se se a fria da natureza era um pressgio de coisa tristes ou uma promessa.

CAPITULO IV

Com apenas cinco dias para os preparativos, Leah _ 'decidiu que a melhor soluo seria um casamento ntimo no rancho. Depois da cerimnia, ofereceria um jantar apenas para os amigos mais ntimos e os empregados.
Alm do mais, no conseguiria suportar um dia inteiro de comemorao, quando, na verdade, o casamento no seria mais do que um acordo de negcios.
A av no discutiu os planos de Leah. Apenas insistia para que convidasse Conrad Michaels.
	Talvez sua presena desagrade a Hunter, mas Conrad  um velho amigo de famlia  Rose argumentou.  Gostaria que a conduzisse at o altar.
	No creio que Hunter se incomodaria. O problema  se Conrad se sentir  vontade na presena de Hunter  Leah observou.  Vou telefonar para Conrad para saber o que ele pretende fazer. No o pressionarei.
Conrad mostrou-se amvel e ansioso.
	Apreciaria muito a oportunidade de melhorar meu relacionamento com Hunter  ele confessou.  Mereci a repreenso dele.
	Repreenso?  Leah repetiu.  O que ele disse?
Aps um embaraoso silncio, Conrad admitiu:
	Oh, nada demais. Ele fez algumas observaes justas, principalmente com relao ao seu anncio.
	Que observaes?
	Que no deveria t-la encorajado a procurar por um marido  a explicao veio rpida.  Agora, pensando melhor, concordo que foi uma loucura. Jamais me perdoaria se algo de ruim tivesse lhe acontecido, Leah.
Mas acontecera. Hunter respondera ao anncio.
	De qualquer modo, o resultado foi satisfatrio  ela men tiu.  No se preocupe mais. Est tudo bem.
Depois de confirmar a presena de Conrad, despediram-se.
Os dias seguintes transcorreram como um turbilho. Leah passava o tempo providenciando jantar, flores, decorao e a licena de casamento. Por fim, cansada de tanta confuso, pediu  av e a Inez:
	O resto  com vocs.
	Mas, sehorita, por favor  Inez protestou.  O casamento deve ser perfeito. E se cometermos algum erro? No se importa?
Leah se importava. Esse era o problema. Como no se importar com o casamento dos seus sonhos, se a cerimnia da sexta-feira seria uma farsa?
	O que decidirem para mim estar perfeito. Apenas mantenham a simplicidade.
	E o vestido?  Rose lembrou, antes que Leah sasse da sala.  Parece que est esquecendo de propsito, no?
	Pretendo compr-lo quinta-feira.  Recusava-se a admitir
a verdade contida nas palavras da av.
	Oh, no, querida  Rose contestou com a costumeira obstinao.  J tenho o vestido de noiva para voc. Sua me o usou no casamento dela e  o vestido mais extraordinrio j vi em toda minha vida. Est no sto. Limpo, bem conservado, perfeito. Experimente-o. Talvez precise de ajustes.
Leah obedeceu com relutncia. No sto, no teve dificuldades em encontrar uma caixa com o nome da me e a data do casamento. Levou-a para direto para o quarto. Precisava de alguns momento de privacidade para examinar o vestido de noiva. Passou a chave na fechadura da porta, abriu a caixa.
Segurou o vestido, sentindo um aperto na garganta. A av tinha razo. O vestido no tinha nada de comum. Sua me era professora de histria medieval. O modelo, que refletia sua obsesso pela poca, inclua o vu de tecido finssimo e a tiara de prata. Era bonito e romntico. O tipo de vestido que qualquer mulher sonharia em usar.
Sentiu os olhos lacrimejando.
O vestido prometia felicidade e alegria. No uma transao comercial. Prometia uma vida de risos e companheirismo. No conflitos e desentendimento, que era o que esperava de um casamento vazio. Acima de tudo, o vestido prometia amor eterno. No a amargura e a mgoa que consumiam seu futuro marido.
Sem se dar tempo para reconsiderar, guardou o vestido e a caixa em baixo da cama. Depois, correu para o pasto. Assoviou para Dreamseeker, precisando, pelo menos por um instante, sentir-se como o garanho. Livre, selvagem e dono de sua vontade. O cavalo no atendeu a seu chamado. Leah, ento, sentiu-se mais sozinha e abandonada do que nunca.
	Voc disse que no posso usar o vestido?  Leah perguntou a Inez.  Por qu?
	Arruinado, sehorita. Sinto muito.
	Arruinado? Como?
	O ferro! Queimei seu vestido!
	O vestido no precisava ser passado!
A governanta no continha as lgrimas.
	Desculpe. Queria tudo perfeito. Estava entusiasmada e... Torcia as mos.  Perdoe-me.
	Tudo bem, Inez  Leah procurava acalm-la.  S que vou me casar dentro de uma hora. E, agora? No posso descer assim.  Apontou para o conjunto de calcinha e suti de seda.
	A senra Rose sugere que use o vestido de su madre. lindo!
Leah fechou os olhos. Antes que tivesse coragem de mover-se at o closet, a fim de vestir a primeira roupa que lhe casse s mos, Inez entregou-lhe o vestido de noiva. Tocou o corpete bordado em prolas e fios prateados. Realmente, era um vestido encantador. E pertencera  sua me.
Sabendo que qualquer discusso seria absolutamente infrutfera, permitiu que a governanta a ajudasse a vestir-se.
	O cinto, sehorita.
Inez segurou a corrente de prata, enrolando-o duas vezes na cintura de Leah. A corrente, tambm toda adornada com prolas, ia at a altura dos joelhos. Com os movimentos, os elos repicavam levemente.
	Maravilhosa  Inez murmurou.  Agora, vamos cuidar dos cabelos. Vai deix-los soltos?
	Pensei em tran-los.
Rapidamente, Inez fez duas tranas estreitas. Puxando-as para a nuca, enrolou-#s num coque.
	Ficou bem  Leah aprovou.
	O resto dos cabelos ficar solto  Inez explicou, ajeitando os cachos. Por fim, colocou o vu e a tiara de prata. Recuando alguns passos, bateu palmas.  Qu hermosal O sehor Hunter  um homem de sorte.
Leah no respondeu. Como explicar  governanta que aquele encenao toda nada tinha a ver com a sorte. A menos que considerasse como m sorte.
	Quanto tempo falta?  indagou.
	Apenas alguns minutos. O sehor Michaels est  sua espera no p da escada.
	Estou pronta.  Pegou o buque de flores do campo. Presente das crianas Arroya. Beijou o rosto de Inez.  Obrigada pela ajuda. Agora, pode ir. Descerei num minuto.
A governanta saiu, fechando a porta. A ss, Leah mirou a estranha refletida no espelho. Perguntou-se o que Hunter pensaria ao v-la vestida de noiva. Ridcula? Atraente? Talvez nem se preocupasse com a aparncia dela. Fechou os olhos e orou em silncio. Orou para que, algum dia, Hunter encontrasse paz e felicidade naquele casamento... e, quem sabe, amor. Mais relaxada, caminhou em direo  porta. No poderia demorar mais.
 medida que descia os degraus, o tecido do vestido farfalhava como folhas ao vento. Conrad a esperava. Olhou-a. A reao dele foi tudo o que Leah desejara. Fitava-a boquiaberto, como se no acreditasse nos prprios olhos.
	Leah  murmurou, com voz enrouquecida e surpresa.  Minha querida, parece um sonho! Isso me faz imaginar...
	Imaginar o qu?
	Imaginar que, afinal, no fui to irresponsvel por incentiv-la a publicar o anncio  confessou.  Tem certeza de que este casamento  o que deseja? Ainda h tempo para mudar de ideia.
	Voc sabe to bem quanto eu que  tarde demais. De qualquer modo, no mudaria de ideia.
Conrad concordou com um movimento de cabea.
 E isso a.  Ofereceu-lhe o brao.  Vamos?
De braos dados, caminharam para o galpo, construdo em toda a extenso da casa. Foi a vez de Leah surpreender-se. Grandes vasos de flores perfumadas decoravam o local. O toque romntico ficou por conta da luz radiante das inmeras velas espalhadas por todos os cantos. O clima combinava perfeitamente com o estilo medieval do vestido de noiva.
Seu olhar procurou por Hunter, no outro extremo do galpo. Sentiu suas pulsaes aceleradas. O cowboy desaparecera. No lugar dele, havia um homem que vestia smoking com a mesma naturalidade com que usava jeans. Extremamente sofisticado e distante.
Os cabelos negros reluziam  luz das velas. Os olhos brilhavam como lavas, queimando com fogo e paixo.
O sbito silncio causado pela chegada de Leah chamou a ateno dele, que a fitou com intensidade. De repente, o ar de indiferena dissolveu-se. Sua expresso ganhou vida, vibrando em toda sua ferocidade. Olhava-a como um guerreiro observava sua prxima conquista. Ele era o prmio. Leah controlou-se para no virar as costas e sumir dali.
Conrad comeou a andar. Leah o acompanhou. Para no fugir ao tema, instrumentos de cordas tocavam msicas medievais. Com os olhos fixos em Hunter, deixou-se conduzir por Conrad, alheia ao que se passava ao seu redor. Como num sonho, viu Hunter pegar em sua mo.
O padre comeou a cerimnia. Leah no ouviu uma s palavra. Nem mesmo recordava-se de ter feito os votos de casamento. A aliana que Hunter colocara em seu dedo era o incio das mudanas que ocorreriam em sua vida. Observou a aliana por longo tempo, estudando o trabalho em ouro e se perguntando o motivo pelo qual ele escolhera aquele modelo delicado.
	Leah  Hunter despertou-a daquele estranho estado de letargia.
Olhou-o confusa.
	Sim?
	J somos marido e mulher.  Enlaou-a.   hora de beijar a noiva.
Apesar de saber que aquela situao toda no passava de uma manobra de Hunter para conseguir o controle do rancho, Leah foi incapaz de resistir aos carinhos dele. Perdeu-se naquele abrao, sucumbindo ao calor de seu primeiro beijo como esposa de Hunter.
	Leah, minha mulher  ele murmurou, fitando-a direto nos olhos.
O olhar de satisfao a irritou. Felizmente, a irritao desapareceu, dando lugar  alegria de receber os cumprimentos dos amigos e empregados.
Depois, todos se dirigiram  sala de jantar, tambm enfeitada com flores e velas. Leah e Hunter sentaram-se frente  frente mesa principal. Durante todo o jantar, Leah sentiu o olhar intenso de Hunter, acompanhando todos os seus movimentos.  medida que o tempo passava, mais se conscientizava da presena dele.
Quase ao final do jantar, Hunter se levantou com o copo na mo.
	Um brinde  anunciou. Todos os convidados se voltaram para ele.
	Um brinde  noiva?  Conrad indagou.
	Um brinde  minha esposa  Hunter ergueu o copo._ A mulher mais bonita que j conheci. Que todos os seus sonhos se realizem... e valham o preo que ela est pagando.
Os convidados responderam ao brinde. Em seguida, foi a vez de Leah se levantar.
	Ao meu marido. A resposta aos meus sonhos.  Bebeu o lquido num s gole.
Antes da meia-noite, os convidados comearam a se despedir. Rose combinara passar o fim de semana em casa de amigos. Os empregados ganharam alguns dias de folga. Somente Patrick ficaria no rancho para cuidar dos animais. Porm, conhecendo-o to bem, Leah sabia que no o veria at a manh de segunda-feira.
Depois da sada do ltimo convidado, Leah e Hunter pararam no hall. A tenso entre eles era quase palpvel. Leah apertou as mos, sentindo novamente o peso da aliana. Lembrou-se do pensamento que lhe ocorrera durante a cerimnia.
Voc comprou as alianas ou...
Hunter a interrompeu.
Lgico que as comprei. Ou ser que pensa que encarreguei minha secretria para compr-las.
Nem sabia que voc tem secretria  confessou.  A propsito, Hunter, o que voc faz?
Aps um instante de hesitao, ele decidiu: : Bem, digamos que trabalhava numa empresa resolvendo situaes problemticas que ningum conseguia resolver. Leah caminhava pela sala, apagando as velas.
	Imagino que seja um bom profissional. Ento, por que largou tudo para retornar ao campo?
	Quem disse que larguei?
	Ah, no?  Leah no escondeu a surpresa.
	Em caso de urgncia, o pessoal sabe onde ncontrar-me.
 Segurando-a pelo brao, tirou-a de perto de algumas velas colocadas em nvel mais baixo.  Cuidado. Odiaria ver este vestido em chamas.
	Foi de minha me. No tinha certeza se voc gostaria dele.
	Gosto  Hunter sussurrou  meia-voz.
Retendo a respirao, Leah disse:
	Ainda no respondeu  minha pergunta.
	Que pergunta?
	Por que resolveu voltar para o rancho, j que tem um bom emprego?
	Trata-se de um trabalho interminvel. Agora, esquea. A menos que queira comear uma discusso na nossa noite de npcias.
Ela no entendera sua explicao sobre o emprego, mas no insistiu.
Hunter apagou as velas restantes, deixando a sala na semi-escurido.
	Tenho um presente de casamento para voc.  Tirando uma caixa de dentro de uma cesta de flores, entregou-a a Leah.  Abra.
Ela desembrulhou a caixa lentamente. Ao abri-la, deparou com uma curiosa pedra azul presa a uma corrente por um aro de ouro.
	Igual  sua!  Leah exclamou. Seus olhos lacrimejaram.
O nico objeto de identificao, deixado com Hunter no orfanato, fora um pingente feito com uma pedra idntica  rplica que oferecera  Leah. Ele a usava como talism, embora nunca tenha conseguido descobrir suas origens.
	Achei que uma corrente de ouro ficaria melhor do que a minha tira de couro.
	Obrigada.  linda.  Entregou-lhe a caixa e virando de costas, pediu:  Coloque, por favor.
Suspendeu o vu e os cabelos para que Hunter colocasse a corrente em volta de seu pescoo. A pedra aninhou-se entre os seios dela, fria e pesada contra a pele macia.
Antes que se desse por conta, Hunter a ergueu nos braos. Leah apoiou-se nos ombros dele. Com o corao descompassado, admitiu que o inevitvel estava por acontecer. Hunter atravessou o hall, subindo as escadas em direo do quarto principal.
Leah tentou protestar, mas, ao deparar com o quarto todo ornado com flores e velas, sorriu. Sua av pensara em todos os detalhes. E, ao destinar esse quarto para o casal, Rose demonstrava que aceitava a posio de Hunter como chefe da famlia.
	Onde  o quarto de Rose?  ele perguntou, como se adivinhasse os pensamentos de Leah.
	No trreo. Ela tem uma ala independente, construda quando meus pais se casaram. Vov sempre quis manter no s sua privacidade, como tambm a do casal.
Hunter forou um sorriso.
	Ento, ainda h esperanas para uma amizade entre sua av e eu.
Colocou-a no cho. O sorriso desaparecera. A expresso dos olhos dele se intensificava. Tirou a tiara de prata e o vu da cabea de Leah. Recuou alguns passos.
	Tire o vestido. No quero rasg-lo.
O rudo das correntes, o farfalhar do tecido, os sapatos, as mos de Hunter ajudando-a... Na mente de Leah, tudo acontecia em cmera lenta. De repente, no meio do quarto, sentiu-se terrivelmente consciente de seu corpo coberto apenas pelo conjunto de seda.
	Huntermurmurou.  Creio que ainda no estou preparada.
	Relaxe  aconselhou-n com voz abafada.  No h pressa. Temos todo o tempo do mundo.  Abraou-a.  Lembra-se de como fomos felizes juntos?
	No somos mais os mesmos, Hunter. Nossos sentimentos mudaram.
	Algumas coisas no mudam. E isso  uma delas.
Os olhos dele brilhavam, cheios de calor e ansiedade. As feies srias refletiam desejo. Com a ponta do dedo, tocou no queixo de Leah, obrigando-a a fit-lo.
Ela estremeceu. Hunter sempre fora extremamente carinhoso. Um amante que combinava sensibilidade com paixo. Por isso, fazer amor com ele fora uma experincia que Leah jamais esquecera.
	Quero faz-la feliz, Leah.  Beijava-a no lbulo da orelha, no pescoo. Com dedos geis, ele desabotoou o suti.
Leah fechou os olhos. Sabia como era maravilhoso fazer amor com Hunter. O que a preocupava, porm, era o dia seguinte, quando teria de encarar a realidade. Tocou-lhe o seio e seu corao parecia querer explodir sob a palma de sua mo. Por um longo momento, ainda hesitou entre entregar-se  magia do momento ou reprimir suas emoes.
	Foi tudo to rpido  tentou argumentar.
	Faremos com que se prolongue.  Com a ponta do dedo, acariciava o mamilo, quase a enlouquecendo.
Tirou o palet e a gravata. Desabotoou a camisa e depois conduziu Leah at a cama. Cuidadosamente, colocou-a sobre o colcho, deitando-se a seu lado. Enterrou os dedos nos cabelos encaracolados.
	Desejei fazer isto, desde o momento em que vi a foto  ele confessou.
	Que foto?  Leah olhou-o confusa. Pelo modo como falava, Hunter dava a entender que vira uma foto recente. Mas, onde? quando?
Os msculos dele se contraram. Hunter levou algum tempo at explicar:
	A foto que estava sobre a escrivaninha de seu pai. Voc aparece com os cabelos soltos.
	Na poca em que voc trabalhou aqui, meus cabelos eram curtos.
	Sim. Mas gosto deles compridos.  Ele se esquivou, sem se preocupar em esclarecer a confuso.
O clima de encantamento esvaiu-se. Leah se afastou.
	Hunter  balbuciou. - No posso.
	Seu nervosismo  natural ele comentou num tom frio, sem esboar qualquer tentativa para toc-la.
	No  apenas nervoso.  Cobriu-se com o lenol, sob o olhar perscrutador dele.  Voc conseguiu seu objetivo, Hunter. Estamos casados e no podemos voltar atrs. Ainda h pouco, voc mesmo disse que teramos todo o tempo do mundo. Por que apressar-me, pondo em risco nosso relacionamento? Novamente, ele se contraiu.
	Acredita que se fizermos amor prejudicaremos nosso relacionamento?
Mordendo o lbio, ela concordou com um movimento de cabea.
	Prejudicaremos, sim, se no estivermos preparados. Com toda sinceridade, Hunter, no estou preparada ainda.
	Quando estar?  perguntou num tom spero.
	No sei.
	Tente adivinhar, Leah. Minha pacincia no  infinita.
	No foi isso que voc falou, h cinco minutos.
Hunter a segurou pelos ombros.
	H cinco minutos atrs, minha querida, voc estava to ansiosa quanto eu para consumar nosso casamento. Voc me quer tanto quanto a desejo, Leah. No adianta negar.
	Isso  luxria, no amor. Luxria no  suficiente para mim.  Consciente do quanto inadvertidamente revelara, ela se desvencilhou dos braos dele e saiu da cama.  Eu... eu preciso apenas de mais algum tempo.  to difcil entender? Estou pedindo demais?
Ele soltou uma gargalhada. Passou a mo pelos cabelos, denotando impacincia.
	 inevitvel que acontea o que voc est tentando adiar. Hoje, amanh, depois... Qual a diferena?
Encarou-o com expresso desesperada.
	Quarenta e oito horas.  Aguardava ansiosa.
Hunter relaxou e Leah sorriu timidamente.
	Ok, Leah. Esperarei. Todavia, no extrapole. Minha pa cincia tem limites.
	Estou certa que sim.  Aproximou-se da porta.  Vou trocar de roupa.
	No demore.
Com a cabea erguida e envolta no lenol, saiu em direo ao seu quarto de solteira.
Escolheu uma camisola simples. Depois de vesti-la, sentou-se na cama, ruminando seus pensamentos. No tinha certeza se melhorara ou piorara a situao, j crtica. Encolheu-se, abraada ao travesseiro. Se ao menos Hunter a amasse... Tocou o talism que ele lhe oferecera como presente de casamento O amor de Hunter mudaria tudo. Entretanto, precisava encarar a realidade. Quanto mais rapido aceitasse esse fato, menor seria o sentimento de frustrao
Por mais que tentasse se mostrar realista, no conseguiu evitar que as lagrimas corressem pelas faces.

CAPITULO V

Leah acordou ao amanhecer incomodada por um estranho peso sob suas pernas. Virando a cabea, deparou com Hunter dormindo a seu lado. Aquela viso despertou-a por completo. Olhou ao redor, certificando-se que no sonhara. Estava de volta ao quarto principal.
Lembrava-se vagamente de Hunter entrando em seu antigo quarto, onde cochilara abraada a um travesseiro.
 Dormiremos juntos, mulher  murmurara.
Levara-a nos braos para o quarto do casal. Leah no protestara. Ao contrrio. Enlaando-o pelo pescoo, apoiara a cabea em seu ombro.
Hunter a colocara na cama perfumada com o aroma de flores. Depois disso, lembrava-se apenas da sensao de calor e paz invadindo-a, corpo e alma, quando ele a envolvera num abrao protetor e aconchegante.
Leah olhou-o novamente, estudando as feies marcantes com grande curiosidade. Mesmo adormecido, no perdia a imponncia, a fora, o carisma. A barba crescida s servia para intensificar a aura de perigo e agressividade que emanava dele, como uma segunda pele. O lenol at a cintura, deixava  mostra o dorso nu. Leah se inebriava com aquela viso, contendo o mpeto de acarici-lo. Temendo ser descoberta num momento de fraqueza, decidiu levantar-se, antes que Hunter acordasse.
Saiu silenciosamente do quarto. Na cozinha, pegou uma ma e torres de acar. Ainda de camisola, foi at o pasto. O vento batia em seu corpo e balanava seus cabelos. Assoviou para Dreamseeker, que atravessou o pasto a galope. Quando parou ao lado da cerca, Leah ofereceu-lhe a ma. O animal comeu avidamente. Depois, no satisfeito, roou a cabea no ombro de Leah, at que ela se comovesse e lhe desse o acar. O garanho esperava, com os msculos vibrando. Leah estendeu a mo e, enquanto Dreamseeker comia, acariciou-o no pescoo, satisfeita com a demonstrao de confiana.
	Que diabos est fazendo?
A voz de Hunter os assustou. Dreamseeker fugiu a galope e Leah tremia de susto e raiva.
	Droga, Hunter! Precisava chegar assim to de mansinho, feito um gato?
Ele cruzou os braos.
	Gato?
	Sim! Voc assustou Dreamseeker e a mim tambm.
	Sei  sua voz soou distrada e maliciosa.
De repente, Leah percebeu que, com o sol s suas costas, a camisola tornara-se transparente. E, absorvido pela viso, Hunter no estava absolutamente preocupado com o fato de t-los assustado.
	Hunter Pryde, s vezes o odeio, sabia?  esbravejou, antes de iniciar o caminho de volta.
No chegou longe. Hunter a alcanou.
	Pode me odiar  vontade, mulher. Nada vai mudar. Quanto mais depressa se conscientizar disso, melhor.
	No soii nenhuma idiota. Voc casou comigo apenas por que essa foi a nica forma de colocar as mos no rancho. Entretanto, isso no quer dizer que venceu a parada, Hunter. No vou desistir.
	No?  Ele sorriu divertido.  Veremos.
Leah precisava convenc-lo e, sobretudo, convencer a si mesma.
	Voc no vencer, Hunter. No permitirei. Jamais!
	Quanta paixo! Quanta energia!  ele murmurou, enlaando-a.  Tudo desperdiado aqui. Por que no entramos e nos beneficiamos com tudo isso?
	Voc prometeu esperar.  Leah reagiu.  Ainda no estou pronta.
	No?  Nos olhos negros, um brilho cnico.  Acorde, mulher! No me custa nada quebrar a promessa.
Num movimento rpido e inesperado, Hunter a pegou nos braos, levando-a de volta para casa. No hall, colocou-a no cho, sem, contudo, solt-la.
	Hunter, por favor, deixe-me ir  pediu num tom de splica. Evitava encar-lo. No se atrevia a ver a paixo que sabia estar estampada nas feies fortes e determinadas. Se o fizesse, com certeza, no resistiria.
> De jeito nenhum.  Beijou-a, abalando seu equilbrio.
Por fim, soltou-a. Leah o fitou com olhos angustiados. No queria que Hunter a tocasse, a beijasse, obrigando-a a voltar  vida. No pretendia experimentar novamente a dor que seu amor por ele lhe causaria.
Todavia, desconfiava que Hunter no se preocupava com os sentimentos dela. Ele tinha mtodos prprios. E ela estava nos ltimos lugares em sua lista de prioridades.
	Na noite passada, eu a preveni. No esperarei eternamente.  Puxou a manga da camisola.  Se a encontrar de novo andando assim, no me responsabilizarei por meus atos, ouviu? Agora, v trocar de roupa.
Leah abriu a boca para revidar, mas Hunter no lhe deu chance.
	Vou inspecionar o rancho. Sairei daqui a cinco minutos. Com ou sem voc.
Leah trocou de roupa rapidamente. Vestiu jeans, camiseta e botas. Tranou os cabelos, pegou o chapu e desceu as escadas pensando que deveria levar seus objetos e roupas para o quarto que, agora, dividia com Hunter.
	Tem tempo  resmungou.
Encontrou Hunter no estbulo, selando dois cavalos. Ele estendeu uma sacola de papel.
	Pegue. Est com fome?
	Obrigada. Estou faminta.  Verificou o contedo da sacola.
Doces que Inez preparara para o casamento.  Trouxe caf?
	A garrafa trmica est na mochila. Sirva-se.  Olhou-a.  Coloquei a gua Appaloosa em outra cocheira. H um rombo, l no fundo.  Apontou o local danificado.  Parece que precisaremos de um telhado novo.
	Pedirei a Patrick para providenciar o conserto..
	No.  Ele empurrou a aba do chapu.  Eu disse que o estbulo precisa de um telhado novo.
Leah guardou a sacola com os doces. Tirou a garrafa trmica da mochila.
	Mais um daqueles testes conjugais?
	Vai comear, ?
Leah ignorou a advertncia.
	Um teste  continuou.  Voc diz que precisamos de um telhado novo. Eu digo que no. Voc diz que  o chefe e que vamos comprar um telhado novo. E eu digo que no temos condies. Voc diz que vamos comprar de qualquer maneira, mesmo que fiquemos sem comer durante um ms. Se eu disser qualquer outra coisa, voc dir que, antes de nos casarmos, em prometi isto e concordei com aquilo. Dir, tambm, que  o chefe e que sua palavra  lei. No  isto que est acontecendo?
Rindo, Hunter concordou com um movimento de cabea.
	Exatamente. Fico feliz por saber que voc aprende fcil.  Entregou-lhe uma capa impermevel amarelo brilhante.  Leve isto.  O homem do tempo previu chuva.
	Hunter, realmente, no temos condies para comprar um telhado novo.  Enrolou a capa, amarrando-a na sela.  Do contrrio, j teramos comprado na primavera passada, ou na anterior ou na anterior da anterior.
	Compraremos um telhado novo.  Montou no cavalo.  E, no precisaremos ficar sem comer durante um ms.
Aps uma breve hesitao, Leah tambm montou.
	Pode me explicar como?
	Deixe as preocupaes comigo, mulher.  Estalou o lngua, incitando o cavalo a trotar.
Passaram a manh visitando a parte leste da propriedade. Leah comeou a enxergar o rancho com os olhos de Hunter. O resultado no a agradou em nada. Em todos os cantos, havia sinais de negligncia. Cercas cortadas. Estacas cadas. Uma parte do gado apresentava evidncias de vermes e a maioria dos animais no havia sido marcada, nem vacinada.
A sudeste das terras, Hunter desmontou s margens de um riacho.
	O que seus empregados esto fazendo, Leah?  ele perguntou, contrariado.  No h desculpas para o estado precrio do rancho.
	Tem faltado dinheiro  defendeu-se.  No posso pagar empregados suficientes para cuidar de tudo.
	Sinto decepcion-la. Independente da quantidade, seus empregados no esto trabalhando absolutamente nada.
	Muito do que vimos no  por culpa deles, mas minha. No tenho tido tempo para inspecionar pessoalmente.
	Bobagem, Leah. Qualquer capataz competente resolveria esses problemas.
	Voc me garantiu que ningum seria demitido antes de provarem suas habilidades. Sei que a situao no  l essas coisas, mas d-nos uma chance. Diga-nos o que quer e faremos o possvel.
Ele tirou as luvas, pendurando-as no cinto.
	Tudo o que quero  que desa desse cavalo e sente para conversarmos.
Leah resistiu.
	Se sentarmos sob a nogueira, pegaremos carrapatos.
	Voc pegou da ltima vez?  Tirou o chapu.
Ela fechou os olhos. Ento, Hunter se lembrava do lugar. De repente, desejou saber se sua parada ali fora casual ou premeditada.
	Bem, encontrei um ou dois  admitiu.
	Esta noite examinarei seu corpo.
	Agradeo, mas prefiro no me expor.
	Ora, Leah. Desa!  Estendeu-lhe a mo.  No a trouxe at aqui para recomearmos uma discusso. Quero conversar com voc. Deixaremos as recordaes para outro dia.
Relutantemente, ela desmontou.
	Sobre o que quer conversar?
	Sobre os reparos e os empregados.
	Ento comearemos pelos reparos  ela sugeriu.  J conseguiu o emprstimo? Por isso planeja trocar o telhado do estbulo?
	Planejo tambm substituir as cercas, fixar as estacas, aumentar seu rebanho. Sim, consegui o emprstimo. Temos dinheiro suficiente para deixarmos o rancho em dia. Porm, no  somente a falta de conservao que concorre para a runa de um rancho.
Leah sentou-se na grama, ao lado de Hunter.
	Hora de discutirmos sobre os empregados?
	Acertou. Antes de nos casarmos, tive oportunidade de conhecer alguns deles.
	Ento sabe por que os contratei.  Fitou-o direto nos olhos .
	Leah...
	No diga nada, Hunter. Primeiro, voc vai me ouvir.  Calou-se por um momento, escolhendo as palavras certas para convenc-lo. Precisava proteger seus empregados, a qualquer custo.  No ser fcil meus empregados fixos conseguirem outra colocao. Quando conheci os Arroyas, eles moravam numa choupana, sem as mnimas condies de higiene e na mais absoluta misria. Patrick quebrou a perna ao salvar uma criana quase atropelada por um motorista bbado. Quando se recuperou do acidente, foi despedido pela Lyon Enterprises, que no admitia um empregado com defeito fsico em seu quadro de funcionrios.
Hunter estreitou os olhos.
	Ele trabalhava para a Lyon Enterprises?
	Sim. Patrick era o capataz do Circle P. Buli Jones o substituiu.
	Ento, voc o contratou.
	Sim. Sei que o trabalho dele ou dos Arroyas nem sempre  perfeito. Mais importante do que isso, para mim,  que eles recuperaram a auto-estima. Asseguro que se esforam para fazer o melhor possvel. Mas, se voc exigir, tentaro o impossvel, se necessrio. Considero essas pessoas como membros da famlia. No me pea nada que possam prejudic-los, porque no concordarei.
Com o olhar perdido no horizonte, Hunter comentou:
	Voc sempre teve um fraco pelos pobres-coitados e injustiados. Creio que foi isso que a atraiu em mim.
	No  verdade...  Calou-se, temendo revelar demais.
Sempre o considerara um homem ambicioso, determinado, movido pela paixo e fora. Nunca um pobre-coitado.
	Bem, entendo que queira proteger seus amigos. Contudo, repito que no poder dirigir o rancho sem uma ajuda competente.
	Hunter  ela pediu.  Por favor, d uma chance a eles. Uma s. Juro que no pedirei mais nada.
Ele a olhou com ar de quem no acreditava.
	No mesmo?
	No, porque no valer a pena salvar o rancho, se no puder salv-los tambm.
Hunter ergueu a sobrancelha, com expresso sria.
	Voc desistiria do rancho se tivesse que escolher entre obter lucro ou substituir o pessoal?
Leah refletiu por alguns instantes, antes de responder.
	Suponho que sim. Do contrrio, eu no seria melhor que a Lyon Enterprises. E, se quisesse ser igual  essa empresa, teria vendido o rancho h muito tempo!
	Tem certeza?
	Claro.
	Ok. Vou atend-la. Por enquanto. No posso garantir nada em relao ao futuro. De acordo?
	Tenho de concordar, no?
	Agora, vamos inspecionar o outro lado do rancho. Depois, voltamos para casa.
	Estou pronta. Vamos?
	Ainda no. Primeiro, quero uma coisa de voc.
	O qu?  perguntou desconfiada.
	Quero que me beije.
	O qu?  ela repetiu.
	Voc ouviu bem. Quero um beijo. Estou me esforando para esperar at que esteja pronta. Porm, no vejo mal algum num simples beijo.  Sustentou o olhar contrariado de Leah.
	Ora, mulher! No pedi nada de mais!
Concordando que no havia nada de extraordinrio no pedido, e antes que mudasse de ideia, Leah tocou o rosto dele, acariciando a pele bronzeada. Lentamente, seus dedos se enterraram nos cabelos negros. Roou os lbios nos dele. No ntimo, esperava que Hunter a tomasse nos braos, consumando o que claramente desejava. Todavia, ele no se moveu.
Leah continuou. Beijava-o no pescoo, no queixo, nos lbios. Depois, ento, o beijou realmente, como uma mulher beija o homem amado. De repente, Hunter reagiu, correspondeu com uma voracidade que derrubou as defesas dela. Ele a abraou e, nesse momento, Leah admitiu que no lhe negaria nada.
Num movimento quase imperceptvel, Hunter deitou-a na grama, inclinando-se sobre ela. Abrindo os olhos, viu, horrorizada, uma faca na mo dele.
	Voc est exagerando, Jones! O que est fazendo aqui? Hunter vociferou.
Leah no percebera que o capataz do Circle P se aproximara, a cavalo. Hunter percebera.
	Mande seu protetorzinho guardar a faca, Leah  Buli Jones gritou.  Ou ento serei obrigado a usar isto.  Mostrou rifle.  Entendeu o que eu disse, hombre? Depois, ningum poder me acusar por defender minha vida.
Os olhos de Hunter brilhavam, irados e ameaadores.
	Voc conhecer a fora desta lmina em sua pele, antes de pensar em tocar na arma. Entendeu, muchacho? Suma da qui! Rpido!
Por um instante, Leah pensou que Buli atiraria. A mo do capataz encostou no rifle, antes de pousar na perna.
	Voc ainda  novo por aqui, hombre. Por isso, desta vez vou perdoar seu atrevimento. Da prxima, no escapar. No recebo ameaas de ningum. De ningum!
	ltimo aviso.  A faca brilhava na mo de Hunter.  Saia daqui!
	Voc vai se arrepender, Leah.  Resmungando, Jones se afastou.
Hunter guardou a faca e abraou Leah, que tremia.
	Calma  murmurou com os lbios nos cabelos dela.  Ele j foi.
	Buli Jones poderia ter atirado em voc.
	Esquea, Leah. J passou.
Ela se aninhou nos braos dele, precisando, mais do que nunca, de seus carinhos. Hunter a beijou. No com a mesma paixo desesperada de minutos antes. O beijo foi to terno e carinhoso, que a comoveu.
	Ele me assusta, Hunter  confessou.
	Fale-me sobre Jones.  No era um pedido, mas, sim, uma ordem.
	J lhe contei muita coisa. Bem, embora no possa provar, desconfio que ele seja o responsvel pelas nossas cercas danificadas, pelos poos poludos e mesmo pela fuga de alguns animais.
	Imagino que, por causa de Jones, voc no inspeciona o rancho sozinha. Por isso, no tem acompanhado os problemas de perto, no ?
Ela confirmou com um movimento de cabea. 
E s permito que os empregados saiam em grupo. Fico apavorada com o que possa acontecer.
Voc j informou  Lyon Enterprises sobre esses... incidentes? Leah lanou-lhe um olhar mordaz.
	De quem voc acha que partem as ordens?
	Tem provas?
Desvencilhou-se dos braos dele. A irritao substitura o medo.
	Se tivesse provas, Buli Jones estaria na cadeira e eu j teria processado a Lyon Enterprises. Voc casou comigo por causa do rancho, no ? Pois bem, trate de defend-lo. Do contrrio, ambos perderemos.
Hunter colocou o chapu.
	Vamos.
	Agora? Sem terminar a discusso?
	Quero verificar os outros pastos, antes que escurea.
	Vamos seguir a mesma direo de Jones. E se o encontrarmos de novo?
A expresso de Hunter tornouTse impenetrvel.
	Serei obrigado a me identificar  afirmou.
	Por favor, Hunter. Por que no voltamos para casa? Poderemos inspecionar esses pastos amanh. Para que procurar mais problemas?
Os lbios dele se curvaram num sorriso desanimado. Leah achou que ele insistiria em cavalgar at os demais pastos. Por fim, concordou.
	Ok. Deixaremos para amanh.
No escritrio, Hunter tirou o fone do rancho. Hesitou por algum tempo, antes de discar. Depois de alguns toque, algum atendeu.
	Kevin Anderson.
	Hunter. Conte-me as novidades.  Ouvia em silncio, fazendo algumas anotaes.  Tudo bem. Por enquanto, no faa nada. Espere at eu voltar.
	Algum problema?  Kevin perguntou.
	Tive outro confronto com Buli Jones.
A voz de Kevin soou alarmada.
	Ele sabe quem  voc?
	Ainda no. Poucas pessoas sabem sobre nosso casamento. Jones poder se tornar um problema, quando descobrir.
	O que quer que eu faa?
	Mande-me a pasta dele. Ainda hoje
	Mandarei. O que mais? Voc o quer... fora de cena?
Hunter passou a mo pelos cabelos.
	No. Por enquanto, no.
	Como quiser. Voc  o chefe.
	Obrigado, Kevin.
Desligou. Olhou para o relgio. Hora de deitar com sua bela esposa. Hora de enlaar aquele doce, macio, atraente corpo eminino em seus braos e... dormir.
Pacincia. Tudo o que precisava era de um pouco mais de pacincia. E, ento, aquele doce, macio, atraente corpo feminino seria todo seu.

CAPITULO VI

Leah deslizou dos braos de Hunter, assim que o dia seguinte comeou a clarear. Lembrando-se do aviso dele, dessa vez, vestiu-se antes de descer para a cozinha. De posse de uma ma e torres de acar, correu para o pasto  procura de Dreamseeker.
Assoviou, mas o animal no atendeu. Assoviou novamente, em vo. Imaginou que Dreamseeker, talvez, estivesse na outra extremidade do pasto. Enquanto esperava, Leah comeu a ma, observando o nascer do sol. Os raios iluminavam os campos, tornando as cores mais vivas, mais vibrantes. Sem dvida, essa era sua hora favorita do dia.
Ouviu o rudo de passos s suas costas.
	Bonito, no?  ela perguntou em voz baixa.
	Muito.  Hunter apoiou-se na estaca da cerca.  No a assustei?
	No. Voc bateu a porta da cozinha.
	Da prxima vez, serei mais discreto  ele comentou, bem-humorado.  Seu cavalo ainda no apareceu?
	No. Talvez o encontre durante nossa inspeo. Pronto?
	Ainda no.  Segurou-a pelo brao.
	Algo errado?  Fitou-o apreensiva.
	O que acha? Esta manh voc fugiu novamente.
Leah se retraiu diante do olhar de censura. Concordara em dormir com ele, sem contestar. Porm, no admitiria que Hunter controlasse seus horrios.
	Considera isso um problema?
	Sim. No gosto disso. Amanh, quero que comece o dia nos meus braos.
Desvencilhando-se, recuou alguns passos.
	Que diferena faz?
A pergunta o divertiu.
	Acorde comigo e ver a diferena.
Leah deu de ombros.
	Vou pensar no assunto. Gosto de ficar sozinha pela manh.
	Quero algum tempo s com voc. Os casais precisam de privacidade... intimidade.
O momento da verdade chegara. Leah respirou fundo. Se entendera bem as palavras dele, na manh seguinte comearia a cumprir suas obrigaes de esposa, transformando o casamento numa unio verdadeira. Esse pensamento a apavorava. Temia que, ao se apossar de seu corpo, Hunter se apossasse tambm de seu corao.
	Tudo bem  concordou, por fim.  Amanh cedo, ser nossa hora.
Ele inclinou a cabea.
	Temos a tarde e a noite inteiras para discutirmos.
	Hunter...
	Hora de trabalhar!  interrompeu-a. Um brilho divertido iluminava os olhos dele.  Ainda temos daqueles sonhos que comemos ontem?
	Claro! Inez deixou-nos bem abastecidos. Vou buscar.
	Traga a garrafa de caf, tambm. Vou selar os cavalos.
Alguns minutos depois, j cavalgavam em direo aos pastos localizados ao sul. O cavalos pareciam inquietos, agitando-se ao menor movimento.
	Alguma coisa na ar?  Leah olhou ao redor, preocupada. Ladyinger nunca agiu assim!
	Os animais esto assustados. Seus empregados no no taram a presena de puma por aqui?
	No.  De repente, Leah sentiu um aperto no corao.
	Dreamseeker!
	Nada de pnico! No afirmei que seja uma puma. Apenas considerei a possibilidade.
Atentos ao menor sinal de alerta, quase no conversaram, depois disso. J nos limites do rancho, Hunter parou para examinar uma cerca danificada.
Aqui terminam suas terras e comeam as da Lyon Enterprises, no?  perguntou, claramente aborrecido com as condies da cerca.
	Sim.
	Voc est procurando problemas, permitindo que os estragos cheguem a este ponto. Basta um empurro para seu rebanho passar para o lado de l. Amanh cedo providenciaremos o conserto.

	E Buli Jones?  Leah no escondia a preocupao.
Os msculos do rosto de Hunter se contraram.
	Esquea Buli Jones. Eu me entendo com ele.
Por volta do meio-dia, terminaram a inspeo. Cavalgando por uma colina, logo descobriram o motivo da inquietao dos animais. A cerca entre os dois ranchos estava no cho. E, nas terras da Lyon Enterprises, Dreamseeker pastava tranquilamente... ao lado de uma gua do Circle P., capturada pelo garanho.
Hunter puxou as rdeas. Olhou de relance para Leah.
	Aquele no  o seu garanho?
	Sim. E Dreamseeker.
	No  qualquer cavalo que tem a audcia de quebrar uma cerca para se aproximar de uma gua. D para contar as vezes que isso acontece.
Sem pensar nas consequncias, Leah foi em busca do garanho. Hunter a alcanou antes que atravessasse os limites do rancho.
	Que diabos pensa que vai fazer?  bloqueou a passagem dela.
	O que voc acha? Vou buscar meu cavalo. Saia da frente, Hunter. No tenho muito tempo.
Ele a olhou sem acreditar.
	Voc no est falando a srio!
	Claro, que estou. Se Buli Jones encontrar Dreamseeker na propriedade do Circle P, atirar primeiro, depois far perguntas. Quero tirar meu cavalo de l, antes que isso acontea.
 Puxou as rdeas, disposta a realizar seu intento.
Percebendo as intenes de Leah, Hunter segurou a sela de Ladyfinger, impedindo qualquer movimento da gua.
	Pense no risco que est correndo.
	Hunter, estamos perdendo um tempo precioso.  Preparou-se para desmontar, a fim de ir a p atrs de Dreamseeker. Mais uma vez, ele a segurou.
	Como pretende traz-lo de volta? Laando-o? Ora, Leah, ele no se afastar facilmente da gua.
	Preciso agir rapidamente, antes que Buli Jones aparea.
	Leah, no seja teimosa! No cometa uma estupidez. Veja. Voc tem duas opes. Ou deixa o cavalo nas terras da Lyon at que o... entusiasmo esfrie ou...
	Ou?  ela repetiu com impacincia.
	Ou voc far exatamente o que eu disser, para ter o animal de volta.
Leah abriu a boca para contestar, porm ele a interrompeu.
	E, ento? J decidiu?
Bastou um olhar para Dreemseeker para ela saber que no tinha escolha.
	Ok. Ser como voc quiser. Quando tempo demorar para traz-lo?
	Vai depender do interesse dele pela gua. Amarre Ladyfnger fora das vistas dos animais e fique ao lado da cerca. Vou laar a gua e tentar traz-la para c. Dreamseeker a seguir.
Quando ambos estiverem em nossas terras, levante a cerca. Se algo sair errado, fique calma e no interfira.  Fitava-a com uma expresso que no admitia contestaes.  Entendeu?
 Entendi.  Seguiu as instrues dele. Tirou da caixa de ferramentas, o material que precisaria. Calou as luvas e procurou um lugar meio encoberto junto  cerca.  J estou pronta.
Hunter atravessou o pasto lentamente. No querendo provocar o instinto selvagem de Dreemseeker, manteve distncia da gua. Passaram-se dez minutos antes que surgisse a oportunidade para la-la. Leah prendeu a respirao no momento em que a corda planou no ar... para cair diretamente no alvo. Com a rapidez de um cowboy experiente e com desejo de concluir a tarefa antes que Dreamseeker percebesse suas intenes, Hunter comeou a puxar a corda, trazendo a gua.
O animal lutou, tentando resistir. Hunter suava e Leah podia ouvir o rudo da sela. J estavam quase na metade do caminho quando Dreamseeker percebeu o que se passava. O cavalo que Hunter montava no precisou mais de estmulo. Ao deparar com o garanho galopando direto na direo deles, redobrou os esforos. At mesmo a gua perdeu a relutncia.
Dreamseeker os alcanou. Em vez de atacar Hunter, o garanho mordiscou a gua que, rapidamente, mudou de direo.
	Leah, fique calma!
Disposto a reconquistar o prprio territrio, Dreamseeker conduziu a gua em direo ao rancho Hampton. Hunter teve apenas que deixar o caminho livre.
	Levante a cerca rpido, antes que ele mude de ideia.
Hunter postou-se entre Leah e garanho furioso. Dreamseeker hesitou por um momento, incerto entre enfrentar os intrusos ou fugir com sua conquista. Hunter se retesou, pronto para qualquer eventualidade.
Sem perder um nico segundo, Leah fincou as estacas, fixando o arame farpado. Com um relincho, o garanho rendeu-se. Afastando-se, conduziu a gua para o lado extremo do pasto. Certo de que o perigo passara, Hunter desmontou, amarrando o cavalo na cerca.
	Onde est Ladyinger?
	Arrebentou as rdeas e fugiu. Creio que percebeu que Dreamseeker causaria problemas.
	Voc voltar comigo. Iremos embora assim que terminarmos os reparos.
	Certo.  Ela no se atreveu a discutir.
Hunter a ajudou a reparar a cerca. Trabalharam em silncio durante algum tempo. Leah foi a primeira a falar.
	Que faremos com a gua?
	Nada. Depois, a levarei de volta para os pastos do Circle P..
Leah interrompeu seu trabalho.
	E, Buli Jones?
Para sua surpresa, Hunter sorriu.
	Enviarei a ele uma fatura de despesas com reproduo!  Fixou a ltima carreira de arame e virou-se para Leah.  O garanho j foi selado?
Ela negou com um movimento de cabea.	,
	No, mas...
	Ainda  selvagem?  Hunter no esperou pela confirmao.
	Vou solt-lo.
Suando frio, Leah esfregava as mos.
	Voc no est pensando em...
	Ele  muito perigoso e no quero colocar sua segurana em risco.
	Nesse caso, ter que soltar os touros, vacas e todos os animais do rancho  ela rebateu, em desespero de causa.  Sim, porque, de acordo com as circunstncias, qualquer um poder tornar-se perigoso.
	No adianta argumentar. No mudarei de ideia.  Fixou uma estaca, martelando com fria.
Leah no sabia como explicar o significado de Dreamseeker. Hunter jamais entenderia. O garanho representava a fantasia de ser livre, independente, irresponsvel. Ao mesmo tempo em que sonhava em dom-lo, desejava que o animal continuasse vivendo sua liberdade, assim como ansiava experimentar sua prpria liberdade. Esse era um sonho impossvel, mas no se importava.
Encarou-o.
	No faa isso. No o solte. Dreamseeker  tudo para mim.
	Mais um caso de pobre-coitado?
	Talvez. Imagino que outros compradores o tenham rejeitado. Parece que  meio abusado no pasto, o que explicaria sua inquietao.
Hunter apoiou-se na estaca. A camisa xadrez grudava no peito musculoso. Gotas de suor brilhavam no pescoo e os cabelos caam na testa.
	Perde seu tempo, tentando me convencer a ficar com o animal. Ele  muito perigoso. Alis, ontem, voc jurou que no me pediria mais favores. Lembra-se?
	Lembro. No estou pedindo outro favor.  Sorriu inocentemente.  Estou apelando para sua compreenso.
	Est me pressionando?
Ela ergueu os ombros.
	Estou. Mas  muito importante para mim.
Hunter franziu as sobrancelhas e Leah pde notar o conflito que ele enfrentava, entre o bom senso e o pedido dela. Finalmente, ele cedeu.
	Um ms. Se eu conseguir dom-lo, ou pelo menos deix-lo mais dcil, ele fica. Porm, nesse meio tempo, voc fique bem alerta. Ok?
	Ok.  Seu sorriso de abriu.
	Esta  a ltima vez, Leah  preveniu-a.  No exagere. Agora, monte.
	Meu cavalo...  lembrou-o.
	No esqueci. Cavalgaremos juntos.
Soltou as rdeas da gua. Olhando de Hunter para o animal, Leah prendeu a respirao. Com os dois juntos, montados no mesmo animal, o caminho de volta seria longo demais. Estremeceu.
A exemplo das manhs anteriores, no dia seguinte Leah j se preparava para sair da cama, quando lembrou-se de sua promessa. Suspirando, deitou-se novamente, puxando o lenol at o queixo. Inesperadamente, Hunter descobriu-a, enlaando-a num abrao aconchegante.
	Bom dia, mulher  murmurou junto  orelha dela.
	Bom dia  respondeu, esperando que Hunter forasse uma aproximao maior.
Como as quarenta e oito horas que ela pedira haviam se esgotado na noite anterior, Hunter estaria em seus direitos. Ofegando, ele fechou os olhos.
	O sol j nasceu  ela comentou, tentando disfarar o nervosismo.
	Uh-huh.
Roou a ponta do nariz na face de Leah, que se retraiu.
	Bem, agora que voc j acordou, creio que posso levantar-me. Tenho muito servio e...
	O servio pode esperar  ele respondeu, com voz enrouquecida.  Relaxe.  Com o queixo encostado na cabea de Leah, ele prosseguiu:  Apenas relaxe e converse comigo.
	Conversar?  Mostrou-se confusa, quanto s intenes dele.  Sobre o qu?
	Qualquer coisa. Tudo. Sobre o que lhe vier  mente.

	Ok  concordou, consciente do tremor de sua voz. Quais seus planos para hoje?
	Pretendo comear a domar Dreamseeker pela manh.
	Voc disse que a cerca danificada teria prioridade.
	Claro. Hoje mesmo estar reparada.
	Tenha cuidado.  Hesitou em confessar seus temores. No confio em Buli Jones.
	Serei cauteloso.
	 que...  Puxou uma mecha de cabelos que caa na testa. De repente, sentiu que, de to prximos, os corpos se tocavam. Embaraada, perdeu o fio da conversa.
Hunter notou. Gentilmente, segurou o rosto de Leah entre as mos.
	Serei cauteloso  repetiu. Ento, beijou-a calorosa e intensamente.
Leah no reclamou. Nem poderia. Deixou-se envolver, correspondendo com a mesma avidez. O beijo tornava-se mais e mais ntimo, exigente. Sentindo a capitulao, Hunter pressionou o corpo contra o dela. Leah reagiu de imediato, relaxando e acompanhando os movimentos dele.
Hunter desabotoou os botes de prola da camisola de Leah, ajudando-a a despi-la. Fitou-a embevecido. A claridade da manh brincava com as linhas marcantes do rosto dele. Ajoelhado sobre ela, Hunter parecia um conquistador, um guerreiro de bronze pronto para apossar-se do que tanto almejara. Os olhos negros brilhavam como chamas.
Assustada com a expresso dele, instintivamente, cobriu-se com o lenol. Sabia que no deveria adiar mais, porm, de repente, sentiu-se em pnico.
	No!  O protesto veio antes que ela se desse por conta.
	No lute contra mim.  Fitava-a com os olhos cheios de paixo.  No a machucarei, Leah. Voc sabe como sempre foi muito bom. Continuar sendo.
	Eu sei, eu sei  balbuciou, contendo um soluo.  Mas... no posso evitar. Nunca mais ser a mesma coisa. No posso obrigar-me a sentir o que senti no passado, s porque casei-me com voc... Apenas porque  o que voc quer.
	E, voc no quer?  Com a ponta do dedo, tocava o mamilo rgido.  Se voc acredita nisso, ento, est mentindo para si mesma. A reao do seu corpo desmente suas palavras.
	Tem razo.  A confisso, sincera e dolorosa, dilacera
va-a. Tudo o que queria era entregar-se quele abrao e inebriar-se com aqueles momentos fugazes de prazer, sem preocupar-se com as consequncias. Entretanto, alguma coisa inexplicvel impedia-a de seguir adiante. Hunter j conseguira muito. No se atrevia a conceder-lhe mais. Ainda no.
	Entregue-se a mim, Leah.  Sua voz soou spera, carregada de desejo.  Voc me quer. Pare de resistir.
Ela movimentou a cabea vrias vezes, negando veementemente.
	No pretendo ser uma pea nesse seu jogo de vingana. Voc j conseguiu o rancho. No poder ter  mim, tambm. No, assim facilmente. Nem com tanta indiferena.
	Voc acha que isso tudo  indiferena?  Segurou-lhe a mo, obrigando-a a tocar em sua pele ardente.  Toque-me.
Depois, repita se  indiferena.
Incapaz de resistir, seus dedos contornaram as linhas do trax e do abdmen.
	Se voc sente algo por mim, diga  ela pediu.  Diga que no se trata apenas de sexo, de atrao fsica. Diga, com toda a honestidade, que no existe uma parte secreta de voc querendo resolver velhas diferenas.  Os olhos dela se encheram de lgrimas.
 Diga, por favor, Hunter. S assim no me sentirei usada.
Tenso, Hunter apertou os ombros de Leah. Depois, pendeu a cabea at os seios dela. Uma lgrima escorreu pela face de Leah. Obtivera sua resposta. Arriscara e perdera. O silncio de Hunter o condenava. Mesmo sem emitir uma nica palavra, ele deixava claro que suas motivaes estavam longe de ser puras, que seus atos no eram inspirados por um sentimento nobre, chamado amor.
	Poderia t-la  fora  ele murmurou contra os seios de Leah.
Ela queria acreditar que tal afirmao no passava de uma ameaa inconsistente, resultado da frustrao.
	Voc disse que no costuma usar a fora. Mudou de ideia?
 Tentou desvencilhar-se da presso do corpo dele, porm Hunter a segurou pelo ombros, impedindo-a de mover-se. O fato de conseguir o que deseja no melhorar em nada nossa situao  ponderou.
	No diga bobagem! Melhorar em muito minha situao.
E, aposto at meu ltimo dlar, como melhorar a sua, tambm.
Leah no poderia negar a verdade. Apesar das tentativas de conter as lgrimas, elas teimavam em correr pelas faces.
	Desculpe. Gostaria de tornar-me sua mulher de fato. De entregar-me a voc, sem medo, sem reservas. Para mim, existe uma grande diferena entre praticar sexo e fazer amor. Sinto muito, mas no to liberal assim.
	No esperava que fosse. Esperava apenas que se resignasse diante do inevitvel e encarasse a realidade,  Com os dedos enroscados nos cabelos dela, forou-a a fit-lo.  E a realidade  uma s. Nosso casamento no s ser consumado, como tambm levaremos uma vida normal de marido e mulher. Poder acontecer hoje, amanh ou depois... No importa. Em breve, mulher, voc ansiar por meus carinhos. Garanto. Voc est erradoela insistiu, mas ambos sabiam que mentia. Hunter enxugou-lhe as lgrimas, com mo calma e carinhosa.  Desta vez, no a forarei. Todavia, preste ateno. No estou prometendo nada com relao  prxima.
Depois, saiu da cama, deixando Leah enfrentando seus pensamentos e a inexorvel conscientizao de que lutar contra Hunter era uma atitude ftil. Por mais que resistisse, seu corpo a traa, impedindo-a de interromper o que Hunter comeara naquela manh. Uma vez acontecido, ele venceria a luta, definitivamente.
Leah foi at o curral, para ver Hunter trabalhando com Dreamseeker. As crianas Arroyas e alguns empregados tambm assistiam ao confronto homem-animal.
 Quieto, rapaz. Quieto.  Hunter procurava acalmar o animal.
Leah observava as mos dele, ouvia a voz tranquilizante e no pde evitar de notar que ele lidava com o garanho nervoso do mesmo modo como a acalmara minutos antes, na cama. No teve a menor dvida de que Hunter venceria a batalha de vontades, de determinao... assim como no duvidava que ele tambm venceria a batalha iniciada no quarto de casal. Era inevitvel.
Depois de encerrar seu trabalho com Dreamseeker, Hunter passou o resto da manh com os empregados, dando incio aos reparos no rancho.
 medida que transcorriam os dias, Leah comeou a relaxar. Hunter no a pressionava. E, ao contrrio do que imaginara, ele no fez grandes mudanas. Conforme prometera, deu uma nova chance aos empregados.
Era no que Leah acreditava, at que Inez, assustada, foi  sua procura no estbulo.
	Senora, venha rpido. Os homens esto brigando.
	Onde?
	Atrs da cocheira.
Sem hesitar, correu at a cocheira. L chegando, deparou com um empregado recm-contratado, Orrie, um rapaz de vinte anos, cado ao cho. Em p, Hunter, com os punhos cerrados. Ao redor deles, os demais empregados formavam um crculo.
	Hunter!  ela gritou, revoltada por ele brigar com um dos seus contratados, principalmente um rapaz to jovem.
Lanou-lhe um rpido olhar.
	Afaste-se, Leah! Isto no lhe diz respeito.
Cambaleando, Orrie se levantou.
	Ele me despediu, srta. Hampton. Ele no tinha o direito de despedir-me. Por favor, ajude-me.
Incerta, Leah olhava de Orrie para Hunter.
	O que aconteceu?
Hunter contraiu os lbios.
	Voc me ouviu, Leah. Afaste-se.

	Precisa fazer alguma coisa, srta. Hampton  Orrie insistiu.  Voc no pode permitir que ele me despea. Ele est tentando mudar tudo.
	Deve haver um mal-entendido. Hunter prometeu uma chance para todos  Leah tentou acalmar os nimos.  Continue seu trabalho.  Olhou para os rostos ansiosos  sua volta.  Esse foi o acordo, certo?
	Ento ele no est cumprindo o acordo.  A expresso de Orrie era de amargura.  Eu no fui o nico despedido. Lenny tambm. Ele proibiu Mateo de cuidar dos cavalos.
Leah no conseguia esconder a contrariedade.
	Voc no pode fazer isso, Hunter!
	Posso e devo.  Virou-se para os homens.  Vocs j receberam minhas ordens. Ao trabalho!  Sem uma palavra, desapareceram de cena.
Orrie a fitou com os olhos mais tristes e patticos que Leah jamais vira.
	No vai deixar ele me despedir, no , srta. Hampton?
	O nome dela  Pryde. Sra. Pryde  Hunter o corrigiu friamente.  E ela no tem nada a dizer. Vai receber seu salrio. E, depois, pegue sua mochila e suma daqui.
Orrie hesitou.
	Srta. Hampton... Pryde?
Leah se aproximou de Hunter.
	Posso saber o motivo?
Hunter cruzou os braos.
	No h nada para saber. Esse assunto  entre mim e o rapaz. Sugiro que volte para casa.
Olhou-o, perplexa.
	O qu?
	Voc ouviu. Voc est interferindo. Despea-se do seu amigo e v para casa.
Por um longo momento, Leah o fitou, imvel, furiosa demais para falar e incerta demais quanto s consequncias de permanecer no local. Abafando um improprio, afastou-se, sentindo o rosto arder pela ofensa.
	Srta. Hampton, por favor, faa alguma coisa!  Orrie gritou.  Por favor!
Leah parou.
	Sinto muito, Orrie. Est fora do meu alcance.
	Ento,  assim? Vai permitir que ele me despea? Vai obedecer s ordens desse... desse mestio bastardo?
Ela arregalou os olhos, entre surpresa e repugnada.
	Nunca mais use essa expresso perto de mim!  repreendeu-o.
Percebendo que cometera um erro imperdovel, Orrie se apressou em remedi-lo.
	Bem... no foi isso que eu quis dizer  desculpou-se. Procure entender. Estou desesperado. No tenho para onde ir.
Leah precisou de toda sua fora de vontade para no ceder s splicas do rapaz.
	Sinto muito. No h mais nada que eu possa fazer. Recomeou a andar.
No olhou para trs. Em casa, refugiou-se no escritrio. Pela janela, observou a partida de Orrie. Hunter tambm assistia, enquanto o rapaz colocava seus pertences na pick-up de Patrick. Depois que o veculo desapareceu de vista, Hunter virou-se em direo  casa, com expresso cansada e preocupada.
Leah mal teve tempo de afastar-se da janela, quando Hunter entrou no escritrio, batendo a porta atrs de si.
 Agora, voc e eu  anunciou com voz furiosa.  Acho que temos um pequeno assunto para resolver.

CAPITULO VII

Assustada com a entrada tempestuosa de Hun-Lter no escritrio, Leah perguntou o bvio:
	Est zangado?
Em passos largos, ele se aproximou, trombando com o porta-chapus.
	Como adivinhou?
	Tambm estou zangada  defendeu-se.  Melhor conversarmos.
	Calmamente  Hunter ironizou.
	Sim. Como duas pessoas civilizadas.  Ela usou a cadeira de couro como proteo.  Ok?
Como resposta, Hunter empurrou a cadeira, prendendo Leah contra a parede.
	Isso quer dizer sim?  ela insistiu, contendo a respirao Um msculo pulou no rosto dele. Com um som gutural, ele demonstrou estar muito mais furioso do que Leah imaginava. Tentou escapar, mas Hunter segurou-a pelo pulso. Num movimento rpido, pegou-a pelos quadris, colocando-a no ombro.
	Hunter! Solte-me!  ela gritou com voz aguda, antes de sentir o mundo de cabea para baixo.
Passou o brao pelas pernas dela, na altura dos joelhos, imobilizando-a completamente.
	Vamos conversar, sim, querida esposa. Mas, no aqui, onde sua av e os empregados podero ouvir.
	Ponha-me no cho. Com as mos nas costas dele, Leah tentava soltar-se, em vo.
	Se voc quiser, poderemos conversar na cabana.  Ele ergueu os ombros, fazendo-a saltar com um saco de batatas.
Com dificuldade para respirar, Leah parou de lutar.
No!  protestou.  Por que no conversamos aqui mesmo? O escritrio  um lugar excelente. S voc comear a conversa, para notar como  agradvel.
	J disse no!
Quando chegaram  porta, Leah entrou em pnico.
	Hunter, por favor. Coloque-me no cho.
Ignorando-a, atravessou o hall, cruzando com Rose.
	Boa tarde, Rose. Vou dar um passeio com minha mulher.

	No diga  Rose cruzou os braos.  Creio que ter problemas para dirigir.
	Voc no imagina do que somos capazes, quando nos determinamos a realizar um intento. No nos espere para jantar, Rose.
Saiu de casa, direto para o ptio. Abriu a porta de sua pick-up e, praticamente, jogou-a na cabine. Depois, fechou a porta com toda a fora.
	Espere aqui  ordenou.
Antes que Leah tivesse tempo para protestar, Hunter afastou-se em direo ao estbulo. Alguns minutos depois, voltou com duas varas e a caixa de apetrechos para pesca. Leah o olhou, sem acreditar.
	Para que tudo isso?  perguntou assim que ele entrou no veculo.
	Para pescar.
	Isso, eu sei.  que... Bem, pensei que quisesse conversar. Mas, j que prefere pescar...
	No precisa ficar contente. Teremos nossa conversa, sim. Por enquanto, considere este passeio como... um calmante.
	E as varas?
	Minha recompensa por no t-la matado.  Ligou o motor.  Se for esperta, fique bem quieta e reze para que demore bastante para chegarmos l.
	Mas...
	Quieta!  Ele explodiu com fria.  Mulher, voc est a um passo do desastre. Aconselho-a a no me provocar mais. 
Achando conveniente seguir o conselho dele, Leah permaneceu em silncio durante todo o trajeto. Logo descobriu o lugar escolhido. Hunter entrou por um caminho estreito, que levava at um lago pequeno, ainda dentro dos limites do rancho. Por seu isolamento, esse fora um dos lugares prediletos para os encontros dos dois namorados, oito anos atrs.
	Hunter...  comeou, quando se aproximavam do lago.
	Ainda no  interrompeu-a.  Ainda no estou suficientemente calmo para lidar com voc.
Estacionando a pick-up no final da estrada, Hunter desceu da cabine. Pegou os apetrechos e um cobertor.
	Vamos  ordenou.
Com relutncia, Leah saiu do veculo, procurando por um lugar para sentar-se. Suspeitava que Hunter pretendia ficar no lago por muito tempo. Nesse caso, nada como um mnimo de conforto. Abriu o cobertor mexicano multicolorido na grama  margem do lago, tirou as botas e as meias e arregaou a cala jeans at os joelhos. Mergulhando os ps na gua fria, perguntou:
	O que faremos primeiro? Conversar ou pescar?
	Ambos.  Hunter olhou-a de relance.  Quer uma vara?
	Sim, obrigada.
Vasculhou a grama at encontrar um grilo. Fechando os olhos, colocou o inseto no anzol e jogou a linha para o meio do lago. Sentou-se novamente no cobertor, tentando relaxar, apesar de apreensiva com a prxima e inevitvel conversa.
Hunter preparou seu anzol, lanando-o  gua tambm.
Aps alguns minutos de silncio, Leah decidiu enfrent-lo.
	Voc no podia despedir Orrie.
	Mas despedi.
	Por qu?
	No insista. No  sobre esse assunto que quero discutir com voc.
Leah no se deu por vencida.
	E Mateo9 Ele adora cuidar dos cavalos. Precisava tirar-lhe essa tarefa? Por que despediu Lenny tambm?  um bom empregado e um homem maravilhoso.
Hunter contraiu os lbios.
	J disse e repito. No  essa a questo.
	No concordo, Hunter. Precisamos, sim, discutir sobre isso.
	Voc est aborrecida porque tomei uma srie de decises sem consult-la antes.
Ela respirou fundo, admitindo que Hunter estava certo. Apesar dos inmeros avisos de que ele cuidaria sozinho do rancho, no ntimo imaginara que Hunter comunicaria suas intenes antes de realiz-las.
	Por que fez isso? Por que demitiu Orrie e Lenny? Por que mudou as tarefas de Mateo?Diante do silncio teimoso de Hunter, ela gritou exasperada:  Voc no vai me contar, no ?
	No, no vou.
	Porque essa no  a questo?  indagou, jogando a vara na grama. Engatinhou, para sair de cima do cobertor.  O rancho  meu, tambm. Tenho o direito de saber. Voc prometeu dar uma chance a todos os empregados. Voc prometeu!
Largando a vara sobre o cobertor, Hunter a segurou pelo tornozelo antes que ela se afastasse.
	Essa  a questo  ele esbravejou.  Fiz uma promessa e a cumpri. Voc fez uma promessa, mas no a cumpriu.
Leah lutava para desvencilhar-se dos dedos dele.
	No sei do que est falando.
Puxando-a, Hunter se ajoelhou, apoiando as mos ao lado da cabea dela.
	Quem est no comando do rancho?
	Isso no tem importncia.
	Tem importncia, sim. Responda. Quem est no comando do rancho?
A resposta custou muito  Leah.
	Voc  obrigou-se a admitir.
Hunter se afastou, permitindo que ela escapasse.
	Otimo. Nesse caso, voc se lembra da nossa conversa l na cabana.  Sua voz no escondia a satisfao.
Leah colocou as mos nos quadris.
	Muito engraado. Como poderia esquecer?  Absolutamente no era uma de suas recordaes mais agradveis. Cada detalhe daquela conversa fora gravado a fogo em sua memria.
	Ento, voc se lembra tambm das promessas que trocamos.
	Claro.
	Eu tambm lembro.  Estalou os dedos.  Prometi dar uma chance aos seus empregados. Prometi dar um lar  sua av. Prometi assinar um contrato pr-nupcial. E tudo?
Encarou-o.
	Sim.
	Voc prometeu uma nica coisa. Qual foi?
Sabia aonde Hunter queria chegar e no gostava do rumo que a conversa tomava.
	Bem, parece que no foi uma nica coisa  contemporizou.
	Ento, voc no lembra de nada?
Chegara o momento de encarar os fatos. Olhou-o direto nos olhos, mordeu o lbio antes de dizer:
	Prometi que aceitaria sua autoridade para administrar o rancho.
	O que isso significa?
Ela hesitou por um instante.
	Bem... que sua palavra  lei. Que eu no deveria question-lo diante dos empregados, nem discutir suas decises.  Que voc no trabalha em sociedade - repetiu as ordens dele.
	Voc seguiu essas regras? Cumpriu a promessa?
Leah negou com um movimento de cabea.
	No.  Tampouco cumprira a promessa de tornar o casamento deles numa unio verdadeira.
	Por isso estou zangado. Quero que confie em mim, que acredite que tudo o que fao,  para seu bem e em benefcio do rancho. Vai confiar em mim, sem me questionar?
	Voc  muito misterioso.
	Sim, sou.
Leah mordeu o lbio. No sabia como atend-lo, uma vez que tudo fazia parte de um plano de vingana.
	No creio que possa confiar em voc, Hunter. Voc est me pedindo para arriscar.
	Sim, estou.
	Isso  demais  murmurou. Com a ponta do dedo, contornava os desenhos do cobertor.  No posso atend-lo. Ainda no.
Passou-se um longo minuto antes que Hunter inclinasse a cabea.
	Ok. Responderei s suas perguntas. Desta vez.
Leah o fitou surpresa.
	Vai me contar por que despediu Orrie e Lenny? E por que proibiu Mateo de cuidar dos cavalos?
	Sim. Da prxima vez, confiar ou no em mim. Pouco me importa. No espere justificativas pelos meus atos. Entendeu? Pois bem. Coloquei Mateo para trabalhar no celeiro. Isso acarretar um aumento de ordenado. Algo que ele e a famlia necessitam. Alm disso, ele entende mais de mecnica do que de cavalos.
	Mas... ele entende muito sobre cavalos.
	No, ele entende mesmo  de consertar nossos equipamentos. Quanto a Lenny... Ele no estava satisfeito por trabalhar no rancho. Porm, como no conseguia outro emprego e precisava de dinheiro, sujeitou-se a trabalhar contrariado. Ento, o encaminhei para o setor de vigilncia do banco em que Conrad Michaels era gerente. Lenny adorou a oportunidade.
Leah surpreendeu-se com esse lado perspicaz do carter de Hunter.
	E Orrie?
Hunter franziu as sobrancelhas.
	Orrie  um ladro.
	Ladro? No acredito. O que ele roubou?
	Sua tiara de. prata.
Atnita, arregalou os olhos.
	O qu? Ele roubou a tiara que usei no casamento? Mas estava no nosso...
	Quarto  Hunter completou a frase.
Em silncio, Leah pegou a vara de pesca. Sentia-se trada e a traio magoara-a demais. Lentamente, recolheu a linha. O grilo desaparecera do anzol, mas no tinha estmago para procurar outro. Perdera o entusiasmo para pescar.
Percebendo tanta tristeza, Hunter a segurou pela trana. Leah no resistiu. Precisava de conforto. Abraou-a e ela se rendeu aquele abrao.
	Tudo bem?  ele perguntou.
	No  admitiu.  Veja o que acontece quando confiamos em algum.
	Eu sei. Mas no sou Orrie.
	No . Desculpe, Hunter. Deveria ter acreditado que voc faria o melhor pelo rancho.
	De pleno acordo.
	Tambm no deveria t-lo questionado diante dos empregados.
	De pleno acordo  ele repetiu.  Desculpas aceitas.
	Soltou-a. Inesperadamente, tirou a camisa e as botas.
Depois, em silncio, destranou os cabelos dela.
	Hunter, no!  Leah protestou, mas Hunter no a atendeu.
Como que hipnotizado, desabotoou a blusa que Leah usava, tocando a pele macia. Contornou as linhas do pescoo e da curva dos seios. Incapaz de controlar-se, inclinou a cabea, beijando o mamilo enrijecido.
Leah prendeu a respirao. Enterrou as unhas no ombro dele, arranhando-o.
	Hunter!  O nome escapou, carregado de uma inegvel carga de paixo e urgncia.
De imediato, ele procurou pelos lbios dela. Beijou-a com ardor. Leah explorava o corpo dele avidamente, ansiando por absorv-lo por completo. A barreira formada pelo tecido da blusa parecia estimul-lo ainda mais.
Lentamente, Hunter ergueu a cabea. O rosto moreno refletia desejo, ansiedade. Leah conhecia essa expresso. Sabia que ele chegava ao limite de sua resistncia. Olhou-o incerta, dividida entre completar a intimidade que ele implorava e pela qual ela tanto ansiava, ou recuar diante de um ato que consolidaria a posse total das conquistas de Hunter. Fechou os olhos, esperando que ele a despisse, para torn-la sua esposa de fato e de direito. Entretanto, Hunter se afastou. E Leah pde imaginar o quanto lhe custara afastar-se.
Beijou-a novamente.
	No aqui. No assim. Logo, logo  avisou-a com determinao.  Quando voc no tiver mais dvidas, quando no houver a mnima chance de arrepender-se, voc ser minha.
Numa tarde nublada, Leah voltava da cidade, quando deparou com Hunter dirigindo um trator ao redor da casa.
	O que est fazendo?  gritou.
Hunter no respondeu. Limitou-se a acenar com a mo, continuando seu trabalho. As ps enormes revolviam a terra, destruindo o jardim de Rose. Inez se aproximou.
	O que ele est fazendo?  perguntou  governanta, que parara a seu lado.
	No sei.  Inez encolheu os ombros.  Sua av viu, ficou muito zangada  correu para a cozinha.
Rose voltou  varanda, trazendo uma bandeja com uma jarraf de ch gelado e copos.
 J que vamos presenciar todo o meu trabalho ser destrudo, merecemos um mnimo de conforto.
Leah tirou-lhe a bandeja das mos, colocando-a sobre uma mesa de ferro. Rose sentou-se, servindo-se de um copo de ch. Olhou na direo trator, que se afastava.
	Onde ele est indo agora? Se Hunter pensa que vai deixar meu jardim desse jeito, est enganado. Quando voltar, vou dizer-lhe umas verdades!
Leah inclinou-se sobre o parapeito.
	Ele foi guardar o trator. J est voltando.
Hunter foi at a pick-up, de onde tirou vrias mudas de plantas.
	Olhe, ele trouxe jasmins! Adoro jasmins  Leah exclamou.
Ainda bem que teve o bom senso de trazer rosas. Do contrrio, jamais o perdoaria por destruir meu jardim  Rose queixou-se. Hunter alinhou as mudas ao redor da casa. Depois, regou-as. Virando-se em direo  varanda, falou direto com Rose:
	E, ento? No quer ajudar?
	Que espcie de jardim  esse?
	No sou jardineiro.
	Pois vou ensinar como  que se prepara um jardim de verdade. Vou buscar minhas luvas  Rose avisou, entrando na casa.
Leah ofereceu um copo de ch gelado para Hunter.
	Muita gentileza sua em refazer o jardim. Da ltima vez em que Buli Jones estacionou o carro sobre o canteiro de rosas, vov desanimou e no quis mais replant-las.
Ele bebeu o ch, devolvendo o copo vazio  Leah.
	Ele no destruir novamente.  Empurrou o chapu com o dedo enluvado e Leah pensou que nunca o vira to atraente quanto naquele momento.
	Flores da paz?  ela indagou, numa aluso  antipatia entre Hunter e Rose.
	Bem, creio que chegou a hora de nos entendermos. Plantaremos as flores juntos e, nesse meio tempo, conversaremos. Antes de terminarmos o trabalho, j teremos superado nossas diferenas.
Leah sorriu.
	Tenho certeza que sim.
	Pode apostar.
Rose reapareceu, de chapu e luvas. Leah voltou para a varanda, de onde observava a av e Hunter trabalhando na terra.
Hunter prometera mudanas. Realmente, muitas coisas haviam mudado. Reconhecia que, graas a ele, o rancho revivera. Leah sentia que Hunter se tornava cada vez mais importante. Para os empregados, para o rancho, at mesmo para a av.
Porm, mais do que tudo, Hunter tornara-se importante para ela. Quase vital.
Vendo-o conversar com Rose, sentiu-se invadida por uma onde de ternura. De repente, conscientizou-se de que o amava. Sempre o amara.
Assustada, escondeu o rosto entre as mos. Tudo o que no queria, acontecera. Amava Hunter. Ele conseguira tudo... o rancho e seu corao. Diante disso, Leah se perguntava o que ele faria quando descobrisse?

CAPITULO VIII

Logo cedo, no dia seguinte, chegou a nova oferta e Lyon Enterprises, trazida por um mensageiro especial. Leah leu a proposta e, furiosa, saiu  procura de Hunter. Encontrou-o na cocheira, escovando seu cavalo.
	Veja isto.  Entregou-lhe a carta.
Largando a escova, Hunter pegou o papel e leu-o. Comprimiu levemente os lbios. Depois, encolheu os ombros.
	E da?  s escolher. Aceita a proposta ou amassa o papel e joga fora.  Conduziu o cavalo de volta  baia.
Leah o acompanhou com olhar. No era essa a reao que esperava.
	 tudo o que tem a dizer?  indagou, decepcionada.
Hunter passou por ela, atravessou a coxia em direo do feno. Com a ajuda de dois ganchos, pegou um fardo, levando-o at a baia.
	O que quer que eu diga?
Ela continuava a olh-lo com ar de frustrao.
	Bem... sei l... algo mais concreto, talvez. Estou cansada de ser importunada por essa gente. Achei que voc tambm estaria. Ou no se importa mais se eu vender o rancho? 
	 o que voc quer? Vender? Pensei que o nico motivo do nosso casamento era evitar que a Lyon pusesse as mos no rancho.
	Era, mas voc parece to...  Abriu os braos.  No sei. Desinteressado.
	Estou mesmo. Afinal, o rancho no  meu.
Leah estreitou os olhos. Alguma coisa na indiferena dele soava falso. Afinal, ele se casara com a finalidade de proteger o rancho. No acreditava que Hunter realmente no se importava com o fato de aceitar a oferta da Lyon.
	Ento, no se ope que eu venda o rancho?
	No.  Ele interrompeu o trabalho.  Se bem que, de acordo com a lei, no poder vender sem me oferecer o direito e preferncia.
	Como assim?
Hunter arregaou as mangas da camisa e se debruou no monte de feno, deixando  mostra os msculos rijos do brao.
	O contrato pr-nupcial. Lembra-se? Em caso de divrcio, o direito de ficar com o rancho ser exclusivamente seu. Porm, se decidir vender, o direito de preferncia  meu, isto , antes, dever me oferecer o imvel. E, s no caso de eu no aceitar, poder vender para a Lyon ou outro interessado qualquer.  Olhou-a enviesado.  Foi voc quem insistiu em assinar esse bendito acordo. Nem se preocupou em ler documento?
	Li, sim  mentiu. Ela apenas assinara onde o advogado indicara.
	Otimo.  Pelo tom de voz, demonstrava que no acreditara.  Se voc o leu, sabe que h mais uma ou duas clusulas sobre as quais precisamos conversar.
	No vim  sua procura para discutir as clusulas do acordo pr-nupcial. Quero discutir a oferta da Lyon.
	Pode discutir. Sou todo ouvidos.
Ela soltou um longo suspiro.
	Pretendo ir at Houston conversar pessoalmente com a direo da empresa.
Interrompendo o trabalho, Hunter a olhou perplexo.
	Voc o qu?
	Melhor resolver esta questo de uma vez por todas. Vou ao escritrio da Lyon Enterprises dizer que definitivamente no venderei o rancho.
Hunter a fitava como se Leah tivesse perdido a razo.
	Se no quiser vender, rasgue a oferta e esquea o assunto. No vejo necessidade de ir at Houston apenas por esse motivo.
	Preciso ir  Houston.
	Por qu?
	J falei. Quero conversar pessoalmente com o pessoal de l.
Os msculos de Hunter se retesaram. Por uma frao de segundo, seus movimentos tornaram-se lentos. Inclinando-se, juntou o que restara do feno. Depois de amarr-lo, colocou-o na pilha de fardos. Passou por Leah. A aba do chapu envolvia o rosto dele em sombra. Mesmo assim Leah notou as feies contradas e um brilho estranho nos olhos escuros. No conseguiu decifrar se ele estava zangado.
	Por que insiste tanto em conversar pessoalmente com a Lyon?
	Tenho que encontrar essa gente.  Ergueu a folha de papel no ar.  Esta oferta  o cmulo! No vou mais aguentar provocaes. Vou deixar bem claro que esto perdendo tempo, pois no vou vender o rancho. De jeito nenhum. Se necessrio, mencionarei essa clusula do acordo pr-nupcal. Essa que estipula que voc tem o direito de preferncia, em caso de venda.
Ele negou com um movimento de cabea.
	No permito que abra a boca com relao a isso. Esse assunto  nosso. S diz respeito a ns.
	Ok  Leah concordou, impressionada com o comportamento estranho de Hunter.  Mesmo assim, quero ir at Houston. Gostaria que voc fosse comigo.
	Eu? Por qu?
Leah o olhou, ainda mais intrigada.
	Para me dar apoio.
Hunter virou de costas, colocando o p sobre o fardo de feno. Os ombros cados refletiam seu estado de tenso. Leah no se atrevia a question-lo. Se ao menos pudesse ler os pensamentos dele...
Por fim, olhou-a, concordando.
	Ok. Irei com voc. Sairemos sexta-feira e passaremos o fim de semana em meu apartamento
	Voc tem apartamento em Houston?  No escondeu a surpresa.
	Voc constatar quando chegarmos.  Hesitou por um instante, antes de pedir:  Leah, quero que me prometa algo.
	O qu?
Tirou as luvas, colocando-as no cinto.
	Depois que voc tiver conversado com o pessoal da Lyon, quero que me deixe lidar sozinho com a situao.
	O problema no  seu, Hunter.
E meu, sim. Tudo o que diz respeito ao rancho,  problema  meu tambm. E, lidar com grandes companhias como a Lyon Enterprises faz parte do meu trabalho.
	Voc acha que no me dispensaro a devida ateno?
	No  isso. Acontece, que tenho mais experincia do que voc. Tenho mais know-how para vencer essa guerra.
De repente, uma imagem brilhou na mente de Leah. Um cavaleiro montado num cavalo branco, lutando com o drago para salvar a donzela. Tinha certeza de que Hunter era o drago e que ela deveria lutar suas prprias batalhas. Porm, comeava a ter esperanas de que enfrentariam juntos todas as batalhas e que a Lyon Enterprises seria derrotada, definitivamente.
	Est bem, Hunter. Converse em meu nome com a Lyon.
	Otimo.  Enlaou-a pelos ombros.  Estou faminto. E, voc?
	Acho que comeria um boi!  confessou.
Juntos, voltaram para casa.
J era tarde da noite quando Hunter tirou o fone do gancho e discou alguns nmeros. Kevin atendeu.
	Sou eu  Hunter se identificou.  Estou indo. Convoque uma reunio.
	Algo errado?  Kevin indagou.  O que aconteceu?
	Leah recebeu nova oferta da Lyon e quer conversar com o pessoal.
	O qu?
	Voc ouviu.
	O que pretende fazer?
	Apresent-la  direo da Lyon. Tem outro jeito?
	Eu quero dizer... o que voc vai fazer? E se ela descobrir?
	No descobrir  Hunter falou com certeza absoluta.
	Por que no?
	Porque ningum se atrever a contar-lhe.
	Se acharem que isso ajudar a convenc-la, talvez...
	Logo notaro que ela confia em mim  Hunter interrompeu-o bruscamente.  Compreendero, tambm, que ser mais vantajoso ficarem de boca fechada. Alm do mais, todos so bem espertos para saberem que no adiantar nada contar a Leah quem sou.
	Talvez voc tenha razo. Alis, voc sempre tem razo. Comunicarei que voc est por chegar.
	Por favor, abra o apartamento. Passaremos o fim de semana l.
	Ela no suspeitar de nada? Aquele no  propriamente um apartamento de um homem de classe mdia.
	Leah estar preocupada demais para notar certos... detalhes.
	Tudo bem. Vejo-o na sexta.
	Ok.
Hunter desligou o telefone. Relaxou o corpo na poltrona. Ansiava por resolver aquela situao, mas no poderia precipitar os acontecimentos. Ouviu uma leve batida na porta do escritrio.
	Incomodo?  Leah perguntou.
	No. Entre.
	Com quem conversava a esta hora da noite?
	Com um scio.
Leah se aproximou. Os cabelos soltos quase chegavam  cintura.
	Algum problema?
Ele negou com um movimento de cabea.
	Apenas avisei que estarei em Houston durante o fim de semana.
	Oh.  Parou meio insegura.  Voc... vai deitar logo?
Empurrando a cadeira, Hunter caminhou na direo dela.
	Agora est bem?
	Sim.
Os olhares se encontraram. Hunter nunca vira tanta beleza e graa. Os olhos de Leah brilhavam como ametistas. O rosto em forma de corao estampavam fora, carter e determinao  Quero fazer amor com voc  murmurou, enterrando os dedos na cascata de seda dos cabelos dela.  J fui paciente demais.
Leah apertou as mos.
	Sei. Mas...
	Sexta-feira.  Segurou-a pelo queixo, obrigando-a a encar-lo.  Quero uma deciso at sexta, Leah.
Lentamente, ela concordou com um movimento de cabea.
	Ok. Sexta-feira. Marcaremos uma reunio com o pessoal da Lyon e depois, teremos todo o fim de semana s para ns.
Ele sorriu, satisfeito.
	Combinado. Agora, mulher, hora de deitar.  Abraou-a e Leah tremeu nos braos dele.
	Hunter...
Sentindo que as defesas de Leah comeavam a cair, Hunter a interrompeu com um beijo. Um beijo que antecipava o prazer que ambos compartilhariam durante o fim de semana.
Na sexta-feira, saram do rancho logo ao amanhecer. A entrevista com o pessoal da Lyon Enterprises estava marcada para a tarde daquele dia.
Leah se vestira com esmero, escolhendo saia e blazer azul-escuro e blusa de seda branca. Os cabelos presos num coque emprestavam-lhe um toque de sofisticao. E, para complementar, decidira usar a corrente que Hunter lhe oferecera como presente de casamento.
Surpreendentemente, Hunter se vestira sem qualquer formalidade. Trocara os jeans por calas de algodo. A camisa xadrez era igual s que costumava usar no trabalho.
	Relaxe  aconselhou-a, durante o trajeto.  Ningum vai tortur-la.
	Receio que prefiram estrangular-me  tentou brincar.  Principalmente depois que avisei para no me importunarem mais.
	No exagere. No mximo, a vendero como escrava branca.  Soltou uma gargalhada.  Estou brincando, querida.
	Estou comeando a acreditar que no foi uma boa ideia ir pessoalmente  Lyon Enterprises.
	Quer voltar para casa?
	No.  Agitou-se no banco.  Acha que depois desta conversa me deixaro em paz?
Ele deu de ombros.
	Talvez. No se anime muito, no. Ele so homens de negcio. Tudo o que querem  consolidar o patrimnio da empresa. Se comprar seu rancho significa um aumento substancial nos lucros, ento, no tenha dvidas que continuaro insistindo.
	Preciso encontrar um meio de convenc-los.
	Quem sabe uma bomba...  ele zombou.
O comentrio gerou uma ideia e Leah sorriu misteriosa.
	Tenho minhas dvidas em relao  bomba, porm, no descarto totalmente a ideia. Talvez uma demonstrao menos drstica.
Aguardando o momento propcio, abriu o porta-luvas. Remexeu os objetos at encontrar o que procurava. Sem qualquer explicao, guardou, sorrateiramente, algo no bolso do blazer, atenta para que Hunter no percebesse seu gesto.
Continuaram a viagem em silncio, at Hunter estacionar defronte a um prdio alto, moderno, com janelas de vidro fume.
	Chegamos  avisou-a, entrando no estacionamento.
Descendo da pick-up, pegaram o elevador da garagem, que os deixaria no saguo.
No hall, seguiram direto para a mesa dos seguranas.
	Em que andar fica a Lyon?
	No prdio todo.
	No prdio todo?  repetiu, sem esconder o espanto.
	A Lyon  uma grande empresa e o prdio  prprio.  Segurou-a pelo cotovelo.  Vamos.
Leah apertou a bolsa contra o peito. No imaginara que a empresa fosse to assustadoramente poderosa. De repente, sentiu-se pequena e vulnervel. Quem poderia defender seu rancho contra esse gigante chamado Lyon Enterprises? Olhou de relance para Hunter. Tudo o que precisava era confiar nele.
Depois de verificarem os documentos, o segurana os acompanhou at o elevador exclusivo da diretoria. Assim que a porta se fechou, Hunter pegou na mo de Leah.
	Oua, Leah. Esses homens adoram jogar s feras pessoas como voc. No se mostre to apreensiva. Relaxe. Olhe direto nos olhos deles. No responda nada que no queira responder. E, principalmente, no perca o controle. Entendeu?
	Entendi. - As palavras dele deixaram-na mais tensa.
Os lbios de Hunter se curvaram num sorriso divertido e Leah concluiu que ele vibrava com aquela situao.
	Voc ter todo meu apoio. Se precisar de ajuda, estarei a seu lado para socorr-la. Do contrrio, o show ser todo seu.
	Hunter.
Ele ergueu a sobrancelha.
	Sim?
	Obrigada.
	No me agradea.  O tom srio deu s palavras uma conotao sinistra.  Ainda no.
Assim que saram do elevador, depararam com uma secretria esperando por eles.
	Bem-vindos  Lyon Enterprises  ela os recepcionou.  Acompanhem-me, por favor.
Foram conduzidos at o final de um corredor. Abrindo uma porta dupla, com um gesto, a secretria convidou-os a entrar numa sala de reunio. Sentados ao redor de uma enorme mesa de vidro, havia alguns homens e mulheres. Um dos homens se levantou  chegada de Leah e Hunter.
	Srta. Hampton  cumprimentou-a.   um prazer conhec-la. Sou Buddy Peterson. Nosso presidente pediu-me para assumir esta reunio, se  que no se oponha.
Leah se opunha, sim. Queria falar diretamente com o cabea da empresa.
	Ele no est aqui?
	Bem, ele preferiu que eu negociasse em lugar dele.
Peterson no respondera exatamente  pergunta, mas, baseando-se em sua experincia com Hunter, Leah sabia que no obteria uma resposta direta.
	Pryde  Peterson continuou.  Ficamos muito surpresos quando nos informaram que estaria presente a esta reunio... com a srta. Hampton.
	Ficaram, ? No sei por que, considerando que Leah  minha esposa.
	Sua esposa?  Todos trocaram olhares rpidos. Peterson sentou-se.  Bem, nesse caso as negociaes mudam total mente de figura.
Hunter afastou o chapu da testa.
	Muda, sim.
Peterson riu. Em seus olhos, um brilho de cinismo.
	Parabns... Estou impressionado. Eu no teria feito melhor.
Leah olhou para Hunter, com expresso confusa.
	Eles o conhecem?
	Somos apenas conhecidos.
	Voc no me contou.
	No era importante. Voc tem alguma coisa a dizer para estes senhores?
.    Sim.
	Ento, diga.
Leah sentiu-se como um fantoche num jogos sem regras. Olhou para Hunter, assaltada por milhes de dvidas, mas extremamente consciente de que desconhecia uma pea vital:; de informao. Uma chave que a ajudaria a explicar o clima' misterioso que pairava na sala de reunies. Suspeitava que, naqueles poucos momentos, j fora falado tudo o que precisaria ser dito, numa linguagem que no conseguira decifrar. Qualquer gesto seu seria considerado vazio, intil. Porm, decididamente no poderia perder aquela oportunidade impar. Queria dizer algo inesquecvel... fazer algo inesquecvel. Queria que jamais esquecessem que Leah Hampton Pryde estivera na Lyon Enterprises e que marcara sua presena.
Caminhou at a mesa e estendeu um envelope, que tirara da bolsa.
	Recebi esta semana.
	Sim, nossa oferta  Peterson falou com impacincia. No me diga que pretende aceitar.  Olhou de relance para Hunter.  Nesse caso, poupar tempo e energia de nossa diretoria.
	No aceito sua proposta e tambm no quero nunca mais v-los em minhas terras. Seus empregados j me importunaram muito. No sou mais aquela mulher vulnervel a quem prejudicaram tanto.  Lanou um rpido olhar na direo de Hunter.
Ele assentiu com um movimento de cabea quase imperceptvel.
 Agora, tenho ajuda. No permitiremos mais que Buli Jones contamine nossos poos, corte nossas cercas ou espante nosso gado. Vocs no conseguiro nos intimidar. Nunca mais.
	Sim, sim  Buddy Peterson a interrompeu.  Se j exps sua deciso...
	Ainda no terminei.
Pegou no do bolso do blazer o isqueiro que tirara do porta-luvas. Acendeu-o. Parando a alguns passos da mesa, aproximou a chama do envelope. Esperou at que pegasse fogo. Depois, atirou o papel em chamas no centro da mesa. Os executivos pularam de suas cadeiras.
	No precisava exagerar  Hunter falou, baixinho.
Leah ergueu o queixo,
	Ah, precisava, sim. Agora j expus minha opinio.
	Sua opinio e algo mais  Hunter murmurou.
	Estou satisfeita. Vamos embora?
Mais um minuto s. Espere-me no carro. Irei em seguida.
Assim que Leah saiu da sala, o alarme comeou a tocar. Os executivos fugiam em disparada da sala.
	Desliguem esse alarme!  Buddy Peterson ordenou.
Ele continuava sentado, de braos cruzados, indiferente ao jato do extintor de incndio.  Que loucura, Hunter  gritou, para se fazer ouvir.
	Ela  um tanto... explosiva, no?
	No me referi  ela. At quando vai manter segredo?
At quando vai esconder dela sua verdadeira identidade?
	At quando for necessrio.
	Voc est fazendo um jogo perigoso. Poder perder tudo  Peterson avisou-o.
	No perderei.  A voz de Hunter soou ameaadora.  Um conselho de amigo. Se algum abrir a boca, voc sofrer as consequncias. Aguarde notcias minhas.  Saiu da sala, sem esperar pela resposta.
J no carro, Leah indagou:
	O que conversaram depois que deixei a sala?
Aps dirigir por alguns minutos, Hunter entrou em outro estacionamento. De$ta vez, de um prdio de apartamentos.
	Nada de mais.
	Hunter!  exclamou, exasperada.  Por que nunca me d uma resposta completa? O que voc disse? Onde os conheceu? Por que tanto segredo?
Estacionou num box com a inscrio H. Pryde na parede. Desligando o carro, apoiou os braos no volante.
	Conheo a diretoria da Lyon devido ao meu trabalho. E no h nenhum segredo. Apenas procuro ser seletivo naquilo que conto a voc.
	Por qu?
	Porque, agora, a Lyon  problema meu. Eu lidarei com eles.
Leah aceitou a explicao. Afinal, depois de tantos anos enfrentando as dificuldades sozinha, era confortvel dividir o peso com outros ombros.
Hunter abriu a porta do carro.
	Vamos?
Hunter pegou as malas e caminharam at o elevador. Pressionou o boto do ltimo andar.
	Cobertura?  Leah se contraiu.
Hunter hesitou por um momento.
	Eu tinha um salrio excelente, no meu ltimo emprego.

	Posso imaginar. Alis, estou surpresa por deixado esse emprego. Voc comentou que ainda presta servios ocasionais, quando  requisitado. Resolver problemas!  essa sua especialidade, no?
	Sim.
	Como voc disse mesmo que era o nome da empresa?
	No disse.  Cruzou os braos.  Por que o interrogatrio, Leah?
	Voc deveria adivinhar que eu faria perguntas.  Apertou a bolsa com fora.  Estou... surpresa.
	Por eu no ser mais aquele cowboy p-de-chinelo?
Fulminou-o com o olhar.
	J conversamos sobre isso, Hunter. Voc sabe muito bem que a questo no  essa. Pediu-me para confiar em voc. Cegamente. Porm, no me contou nada sobre sua vida, o que significa que no confia em mim.
	Ponto para voc, Leah  ele admitiu.
A porta do elevador se abriu suavemente, dando para um hall de entrada. Leah no conteve a surpresa.
	Cus! Hunter, que lindo!
	Sinta-se em casa, Leah.
Hunter abriu a porta principal. Com os olhos arregalados, Leah entrou. Seus passos ecoavam no assoalho de carvalho do hall que conduzia  sala de visitas.
	Por que no me contou antes?  ela indagou, num fio de voz.  Que jogo voc est fazendo, Hunter?
Ele atirou o chapu, que voou sobre a mesa de centro, caindo bem no meio do sof.
	Ok. Reconheo que omiti um ou dois detalhes a respeito de minha vida nos ltimos oito anos.
	Um ou dois detalhes?  repetiu com ironia.
	Ou trs. Que diferena faz? Tenho dinheiro. Tenho um apartamento em Houston. E da?
	 uma cobertura.
	Sim.  uma cobertura  Hunter irritou-se.  Isso no muda nada. Ainda somos casados. Ainda administro o rancho. Voc ainda  minha esposa.
 Sou?
Ele passou a mo pelos cabelos.
	Aonde voc quer chegar, Leah?
	Por que casou-se comigo, Hunter?
	Voc sabe por que.
	Pelo rancho. Talvez, por vingana. Porm, o que no consigo entender  por qu? Por que se importaria com um pedao de terra, se voc tem tudo isto?
Hunter no respondeu. Leah sabia que poderia passar horas e horas perguntando, que Hunter no responderia. Pegou sua mala.
	Gostaria de tomar um banho.
	Claro.  Hunter apontou para o corredor.  Terceira porta  direita.
Em silncio, Leah seguiu pelo corredor. Abriu a porta que ele indicara. Era o quarto principal. Fechou a porta e foi direto para o banheiro. Depois de um banho relaxante, vestiu um robe, voltando para o quarto.
Observou a cama de casal por um longo momento, antes de deitar-se. Queria descansar, mas seus pensamentos insistiam em voltar para Hunter e a conversa de ambos.
A situao tornava-se cada vez mais confusa. Dentro daquele apartamento luxuoso de cobertura, uma prova concreta da riqueza e do poder que de h muito suspeitava, era obrigada a encarar os fatos. Hunter Pryde retornara ao rancho por uma nica razo... razo essa que decidira no revelar a Leah.
Por mais que tentasse ignorar, a mesma pergunta martelava sua mente. Com tanto dinheiro, por qual outro motivo Hunter queria o Hampton Homestead e  ela? Qual outro motivo, que no fosse vingana?

CAPITULO IX

	Leah? Acorde, querida.
Ela despertou de um sonho maravilhoso, com rosas, alegria, crianas de olhos e cabelos pretos. Abriu os olhos, deparando com Hunter sentado na cama. Parecia recm-sado do banho. Os cabelos midos puxados para trs ressaltavam os ngulos do rosto. Tambm trocara de roupa. Vestia jeans e camisa aberta no peito, deixando  mostra o amuleto que brilhava contra a pele bronzeada.
	Que horas so?  ela perguntou.
	Hora do jantar. Voc dormiu durante duas horas.
	Tanto assim?  Sentou-se na cama, ajeitando o robe.  J deveria estar vestida.
	No se preocupe. Est noite ficaremos  vontade.
	Creio que esta roupa seja  vontade demais!  Leah brincou.
	S uma pessoa a ver.  Segurou-lhe a mo.  Quero mostrar-lhe algo.
Curiosa, saiu da cama. Voltaram para a sala de visitas. Hunter apontou para uma escada em espiral, que Leah no notara antes.
	Venha comigo.  No final da escada, ele parou.  Me d a mo e feche os olhos.
	Por qu?
	Voc ver.
	Ok. Mas, no me deixe cair.
Num movimento rpido, Hunter a pegou nos braos.
	Confiana. Lembra-se?  murmurou ao ouvido dela. Caminhou alguns passos e colocou-a no cho.  Olhe agora.
Leah abriu os olhos. Suspirou, mal acreditando no que via.
Estavam na laje do prdio. Porm, no era como as lajes de outros prdios que conhecera. Juraria que estavam no meio de um parque. O cho era todo gramado. Havia flores por todos os cantos. Petnias, amores-perfeitos, rosas, margaridas...
	Parece que voc disse  minha av que no era jardineiro  acusou-o.
	Menti  confessou, encolhendo os ombros. Mostrou uma pequena estufa.  As flores mais delicadas ficam ali.
	Quem cuida da casa e das plantas quando voc est fora?
	Tenho empregados. Alis, deixaram tudo preparado para nossa visita.
	Inacreditvel.

	Est com fome?
	Faminta  Leah admitiu.  Vou trocar de roupa.
	No ser necessrio. Pensei em jantarmos aqui mesmo.
	Tudo bem. Antes, porm, satisfaa minha curiosidade. Que tipo de refeio combina com robe e ps descalos?
	Um piquenique, claro!
Levou-a at a um canto do jardim, com uma toalha estendida sobre a grama. Num balde com gelo, havia uma champanhe. Ao lado, uma enorme cesta de vime coberta por uma toalha de linho.
	Frango frito?  Leah brincou.
	E salada de batatas  ele confirmou.
	Fast food"?
Hunter fingiu-se de ofendido.
	Imagine... Encomendei numa rotisseria.
Sentando-se, ele tirou a loua de dentro da cesta.
	Porcelana?  Leah sentou-se ao lado dele.  Num vi um piquenique com pratos de porcelana!
	No  assim que se usa?
	No exatamente.  Examinou a champanhe.  Perrie Jouet? Taas de cristal? Oh. Hunter estou com medo de tocar nisso tudo!  Fitou-o com ar de desalento.  Por que tudo isso?
	Pareceu-me... apropriado.
Leah inclinou a cabea, tentando disfarar a emoo.
	Obrigada  sussurrou.   tudo to bonito.
Com as mos, Hunter pegou um suculento pedao de frango, oferecendo-o a Leah. Sem cerimnias, ela se deliciou, concordando que jamais experimentara um frango to leve e to saboroso.
	No quis confiar-me sua porcelana?  ela brincou.
. Estendendo-lhe a travessa com salada de batatas, ele respondeu:
	No, quando a estou seduzindo.
	Com batatas e frango frito?  Com o garfo, serviu-se de algumas batatas. Esquea a pergunta. As batatas esto deliciosas..
	Que mais voc quer?  Indicou o lugar ao lado dele.  Sente-se aqui.
Rindo, Leah aproximou-se. Num clima descontrado, comeram, beberam champanhe e conversaram. Finalmente satisfeitos, Leah no resistiu e acabou pousando a cabea no colo dele.
	Veja o pr-do-sol  ela murmurou, apontando para as cores vivas que iluminavam o cu.
	Esta  uma das razes para jantarmos aqui.  Encheu uma taa de champanhe, entregando-a  Leah.  Ainda temos sobremesa.
	No, obrigada.  Bebeu um gole de champanhe.  Isto  tudo o que preciso.
Hunter enterrou os dedos nos cabelos dela. Leah fechou os olhos.
	Leah, olhe para o cu  ele murmurou.
As primeiras estrelas surgiam no firmamento como pontos de prata no azul que comeava a escurecer. Era como se as estrelas cassem do cu, como gotas de orvalhos entre as flores.
	Hunter, por qu?  No foi capaz de formular a pergunta de modo mais claro. Porm, ele compreendeu exatamente o que ela pretendia dizer.
	Eu queria que esta noite fosse perfeita.
	Pois conseguiu.
	timo. Porque vou fazer amor com voc e quero que seja tudo muito especial.  Imvel, desfrutava da serenidade do momento.  Oito anos atrs, voc contou  sua av sobre nosso encontro na cabana, no?
Leah estremeceu. Essa era a ltima pergunta que imaginara ouvir naquela noite. Nem pensou em mentir para proteger Rose.
	Sim.
	Mesmo assim, foi at  cabana e esperou por mim.
	Sim  admitiu novamente.
	Quando soube que fui preso?
	Quando voc me contou.
	Foi o que imaginei.  Soltou um longo suspiro.  Devo-lhe desculpas, Leah. No acreditei em voc. Pensei que tivesse mentido.
	Minha av contou a verdade?
	Contou.
	Melhor assim.  Depois de um momento de hesitao, prosseguiu:  Preciso explicar-lhe por que decidira no partir com voc. No sei se ainda lhe interessa.
Os msculos se retesaram, mas ele concordou.
	Claro. Estou ouvindo.
	Falei com minha av sobre nossa partida porque no poderia ir embora sem despedir-me dela. Foi quando soube da doena de papai. Ele sofria de cncer e... estava morrendo.
Precisava ficar para cuidar dele. Por isso mudei de ideia, Hunter. Entretanto, pretendia pedir-lhe para voltar... depois. Olhou-o, suplicante.  Espero que acredite, pois  a verdade.
Hunter permaneceu em silncio por um longo tempo. Depois, falou com voz enrouquecida.
	Por ter crescido num orfanato, aprendi o quanto  importante confiar. L, ningum se preocupava com a verdade, mas apenas em encontrar um culpado.
	Voc costumava ser o culpado em potencial?
	Nem sempre. Mas com muita frequncia.
	Nunca tentou explicar?
	Para qu?  ele rebateu.  Ningum teria acreditado.
Eu era um mestio. No que eu fosse um anjo. Tive minhas parcelas de culpa. Mas, tambm, no era o nico!
	At que um dia...  ela se antecipou.

	Como sabe que houve um dia?
Leah ergueu os ombros.
	Faz sentido. Alis, sempre acontece um dia na vida de todos ns!
	Tem razo. Ok. Um dia... para ser mais preciso, no meu aniversrio de quinze anos, acusaram-se de algo que no cometi. Foi a ltima vez.
	Do que o acusaram?
	De quebrar uma bola de cristal. Dessas bolas que quando voc agita, a gua se mistura com pequenos flocos imitando neve. Dentro da gua, alm dos flocos, havia um cavaleiro armado e um drago.
Leah se contraiu.
	Cavaleiro e drago?
	Sim. Eu era fascinado por essa bola, que pertencia a um dos funcionrios do orfanato. Todos sabiam dessa minha fixao e, por esse motivo, quando a bola quebrou, eu levei a culpa.
	Mas no foi voc quem quebrou.
	No.
	Por que foi a ltima vez que o acusaram?
	Porque, depois disso, fugi do orfanato.
	Confiana cega  ela murmurou.
	Confiana cega  Hunter repetiu.  Nunca tive algum que confiasse incondicionalmente em mim. Nunca tive algum que me apoiasse ou me defendesse diante das injustias, das desigualdades sociais. Sei que essa coisa de confiana cega  uma fantasia boba... mas  a minha fantasia.
Leah se sentou, enlaando-o pelo pescoo.
	Se eu pudesse colocar minha confiana numa caixa, ofereceria a voc como meu presente de casamento  ela declarou.
 Como no  possvel, dou-lhe minha palavra.
	No prometa nada que no possa cumprir  aconselhou-a.
	Nesse caso, prometo tentar.  Um sorriso iluminou o rosto em forma de corao.  Por ora,  o melhor que posso oferecer.
	J  um comeo.
Segurou o rosto dela entre as mos e, depois do que pareceu uma eternidade, beijou-a. Como se tivesse esperado a vida inteira por aquele momento. No poderia haver mais desculpas para adiar o inevitvel. Finalmente, Leah seria dele, ligada com laos mais consistentes do que a aliana que adornava seu dedo.
O beijo de Hunter tinha sabor de champanhe. Um beijo que a deixou desesperadamente ansiosa e faminta.
	Hunter...
Lentamente, ele comeou um ritual de seduo. Beijos vorazes atiava o fogo que ardia entre ambos. Abrindo o robe que Leah vestia, Hunter beijou o pingente de pedra que descansava entre os seios.
Com os olhos cerrados, Leah segurou-o pelos ombros. Inebriava-se com o toque da lngua e dos dentes em seus seios. Vibrava com os movimentos das mos dele, despindo-a.
	Voc  muito mais bonita do que me lembrava  ele murmurou, com voz enrouquecida pelo desejo.
	Ame-me, Hunter. Agora  Leah pediu, tremendo com a fora de seus anseios.
Hunter a deitou sobre a toalha. Leah abriu os olhos, fitando-o. Inclinando-se sobre ela, Hunter era a personificao do poder, da fora, do desejo.
Por fim, a espera acabou. Os corpos se amoldaram e juntos, iniciaram uma longa viagem em direo a mundos harmoniosamente coloridos. Como no passado, experimentaram o verdadeiro significado do xtase. Como no passado, Leah entregou-se com toda a fora de seu amor por Hunter.
Hunter e Leah passaram todo o final de semana no apartamento, vivendo intensamente aqueles momentos de amor. Para Leah, era o retomar de um amor que nunca morrera. Infelizmente, a reao de Hunter era mais difcil de ser decifrada. Nem por um segundo, Leah duvidou que ele a desejava. Conseguia excit-lo com um simples toque. Alm disso, Hunter era gentil, atencioso. Podia at mesmo sentir uma ponta de carinho nas atitudes dele. Mas, amor? Se sentia algum tipo de emoo, no revelava. Guardava-a a sete chaves.
O fim de semana terminou e, na segunda-feira cedo, retornaram ao rancho.
Alguns dias depois, pela primeira vez, Hunter montou Dreamseeker. Foi uma briga de fora, de determinao, de vontade. Leah no pde evitar a comparao. Como Dreamseeker, tambm se sentia sufocada pela perseverana de Hunter. Dando tudo de si, enquanto ele se mantinha distante, independente, com o controle da situao. Nunca se sentira to indefesa, to consciente de sua vulnerabilidade, nem to amedrontada.
Nos dias seguintes, seus temores tomaram nova direo. Dreamseeker desaparecera do pasto.
	Sele Ladyfinger  Hunter ordenou.  No esquea da capa. Parece que vai chover.
Tentando esconder a preocupao, Leah seguiu as instrues dele.
	Ser que Dreamseeker derrubou a cerca novamente? Leah indagou.
	No creio.
A cavalo, seguiram para a rea onde o garanho escapara anteriormente. J estavam quase no limite sul do rancho, quando ouviram um som estridente ecoar pelo pasto.
Leah ouvira aquele som terrvel apenas duas vezes em toda a vida e jamais o esquecera. O sangue pareceu gelar nas veias. Lanando a Hunter um olhar assustado, esporeou Ladyfinger e partiu na direo do som. Hunter a seguiu, alcanando-a. Naquele corrida angustiosa at o Circle P, Leah esperava estar enganada. Esperava encontrar Dreamseeker a salvo.
Chegando  linha divisria, pararam por um momento. A cerca fora destruda novamente. O corao de Leah se comprimiu. No havia dvida do que acontecera... ou do que estava por acontecer. Outro agudo ecoou pelo campo, respondido por outro apelo igualmente imperioso. Atravessando as terras do Circle P, cavalgaram at o topo da colina. Depararam com Buli Jones montado em seu cavalo, assistindo impassvel a cena que Leah tanto temia.
Dreamseeker estava de um lado do pequeno prado, cercando um outro garanho castanho. Do outro lado, uma manada de guas nervosas, indubitavelmente, o motivo da luta. Dreamseeker erguia as patas, arreganhando os dentes, atacando com os cascos. O outro garanho repetia os movimentos ameaadores.
	A culpa  sua, Leah  Buli Jones afirmou.  Avisei-a para reforar suas cercas. Agora,  tarde demais. Se o seu garanho ferir o nosso, voc pagar caro. Muito caro. Baby Blue vale uma fortuna. Se ele morrer, vai lhe custar o rancho.
Leah encarou o capataz.
	Voc trouxe propositadamente seu garanho e as guas para este lado do pasto, apenas para provocar Dreamseeker. Quanto  cerca, saiba que foram reforadas na semana passada. Se o meu garanho a arrebentou, foi porque voc cortou o arame.
Buli Jones soltou uma gargalhada.
	Falar  fcil. Quero ver provar. A, a histria muda!
	Ela no ter que provar nada  Hunter interveio com rispidez.  Eu provarei.
Com um relincho, Dreamseeker ergueu as patas. Depois, voltou  posio normal, preparando-se para o ataque. Baby Blue, com os olhos vidrados, correu na direo do desafiador.
	No!  Leah gritou. Sem considerar os perigos que enfrentaria, pressionou os flancos de Ladyfinger, disparando pela colina.
	Leah! Volte  Hunter ordenou.
Ignorando o chamado dele, brigando para manter-se na sela, forava a gua a seguir at o local da batalha. No meio do caminho, percebeu que o animal, assustado, no conseguiria chegar ao destino. Puxou as rdeas, obrigando Ladyfinger a parar. Em segundos, Leah desceu, pegou a capa de chuva e, a p, correu at os dois garanhes. Gritava e agitava a capa no ar o mais freneticamente que podia.
Quando j estava muito prximo, Baby Blue ameaou recuar. Antes que Dreamseeker o atacasse, Leah atirou a capa na cabea dele. O animal se debateu ferozmente, na tentativa de livrar-se da capa.
	Leah, afaste-se!  Hunter gritou.
Com um movimento rpido, ele a agarrou pela cintura, tirando-a da linha de fogo. Sem a mnima hesitao, colocou-se entre ela e o perigo iminente, munido apenas de uma corda.
Dreamseeker pinoteou loucamente, at desvencilhar-se da capa. Parou por um instante, como se decidindo entre atacar o homem ou o outro garanho. Essa foi a oportunidade que Hunter precisava. Num movimento exato, o lao voou pelos ares, alcanando exatamente as patas dianteiras do animal. Usando toda sua capacidade fsica, puxou a corda at conseguir com que Dreamseeker deitasse no cho. S depois de t-lo dominado, Hunter amarrou a corda na rvore mais prxima.
Ofegando, virou-se para Leah, transtornado pela fria. Seus nervos estavam  flor da pele.
	Mulher, precisamos ter uma conversa muito sria. Desta vez, voc extrapolou.
	Simplesmente eu no poderia esperar at que os garanhes se matassem!  Leah se defendeu.
	Ah, poderia, sim. Mas nossa conversa fica para mais tarde. Por enquanto, voc precisa resolver outro assunto, mais urgente.
	Qual?
Apontou para Dreamseeker.
	Seu cavalo.
Leah no acreditava que o garanho tivesse sido dominado com tanta facilidade. Aliviada, viu Baby Blue se afastando com seu harm de guas. Aproximou-se de Dreamseeker. Deitado de lado, resfolegava e tremia, sem contudo apresentar ferimentos aparentes. Buli Jones parou a seu lado.
	Saia daqui, Leah  ordenou, furioso.
Erguendo a cabea, notou a arma na mo do capataz.
	Vou acertar esse cavalo selvagem, bem no meio dos olhos Buli Jones ameaou.  Se quer seu cavalo vivo, suma daqui.
Leah no percebeu os movimentos de Hunter. Num minuto, Buli estava montado. No outro, estava cado no cho, com a arma fora de alcance e um p de Hunter em seu peito.
	Nunca tivemos a chance de nos apresentarmos  Hunter declarou.  Creio que j  hora de repararmos essa falha imperdovel.
	No me interessa que voc , hombre. Tire esse p de cima de mim e caia fora das minhas terras.  Retorceu-se, tentado escapar da situao embaraosa.
	Primeiro, estas terras no so suas.  Pressionou um pouco mais o p sobre o peito de Buli.  Segundo, meu nome  Pryde. Hunter Pryde. Se me chamar mais uma vez de hombre, nunca mais abrir a boca.
	Pryde?  O capataz arregalou os olhos.  Eu o conheo! Voc ...
	O marido de Leah  Hunter o interrompeu rispidamente.
	Droga! No sabia que voc era Pryde...  Buli Jones protestou.  Deveria ter falado logo!
	Vou lhe dar duas opes. Voc poder se levantar, montar em seu cavalo e sair daqui amigavelmente. Ou poder ficar e, ento, discutiremos o problema mais tarde. O que decide, muchacho?
	Deixe-me levantar. Vou embora.
Hunter recuou alguns passos. Embora parecesse relaxado, com as mos nos quadris e pernas afastadas, Leah sabia que ele estava atento a qualquer reao de Buli Jones. O capataz se levantou, procurando pelo rifle.
	No se preocupe. No precisar mais dele.  Hunter apoderou-se da arma.
	Voc no pode fazer isso.  Buli montou.  Tenho influncia.
	Eu tenho mais  Hunter rebateu.
	Eu ainda no disse tudo...
Hunter o interrompeu.
	Quando quiser terminar a discusso, aparea.  Esperou at que o capataz se afastasse o suficiente para no ouvi-lo.
Ento, voltou-se para Leah.  Agora, sua vez.
	Como pde fazer isso?  perguntou, apontando Buli Jones.  Como pde demiti-lo?
O olhar de Hunter tornou-se enigmtico.
	Digamos que Buddy Peterson achar muito interessante atender  minha... sugesto.
Aps refletir por um momento, Leah falou:
	Espero que esteja certo.
	Estou.
Deu um passo na direco dela. Leah gelou. Sua vontade era correr pela colina, mas no tinha escapatria. Precisava enfrent-lo.
	J sei. J sei.  a minha vez. Bem, v em frente. Fale tudo o que quiser falar. Assim, terminamos logo com isso.
	Isto no  uma brincadeira, Leah.  Segurou-a pelos ombros.  Voc poderia ter morrido sem que eu pudesse fazer nada para evitar.
	Ora, j expliquei. Eu precisava salvar Dreamseeker.
	O cavalo no  nada comparado com sua segurana. Teria permitido que Jones matasse o animal.
Leah prendeu a respirao.
	Voc no teria coragem!
	Claro que teria. Quero que me prometa que jamais tornar a arriscar sua vida por causa desse cavalo. Do contrrio, dou um sumio nele.
Hunter no estava brincando. Leah compreendeu que ele chegava nos limites de sua tolerncia. Movimentou lentamente a cabea, concordando.
	Prometo.
	Espero que cumpra sua promessa.
Leah apertou as mos.
	Voc no vender Dreamseeker, no ?
	No se preocupe, Leah. Por enquanto, seu cavalo est a salvo. Monte. Vamos levar esse garanho para casa. At l, esfriarei a cabea e, ento, terminaremos nossa conversa. 
Em casa, Hunter telefonou para Kevin Anderson. Sem perder tempo com preliminares, foi direto ao assunto.
	Despedi Buli Jones.
Kevin resmungou uma imprecao.
	O que quer que eu faa, agora?
	Cuide de tudo. Fique atento para que no haja nenhuma... complicao.
	E Leah? Descobriu a verdade?
	Creio que no. Mas, considerando que dei o bilhete azul para Jones diante dela,  um milagre que, no mnimo, no suspeite de nada.
	Se suspeitar...
	No se preocupe. Sei como lidar com minha esposa.
Um rudo chamou-lhe a ateno. Viu Leah parada na porta, olhando-o, nervosa e insegura. Impassvel, acenou para que entrasse.
	Preciso desligar, Kevin. Ligo depois.
Desligou, sem esperar pela resposta. Levantando-se, deu a volta na escrivaninha. Em silncio, esperou que Leah se aproximasse. Segurou-a pela trana. Desejava-a. Como a desejava! No tinha dvidas que ela o desejava tambm. Estava estampado nos olhos dela, no tremor dos lbios, nas pulsaes aceleradas.
Sem se preocupar em esconder a fora de seu desejo, apoiou-se na beira da escrivaninha, prendendo Leah entre suas pernas. Os olhos dela se estreitaram. Escureceram quase at cor de violeta. Hunter levou apenas alguns segundos para destranar os cabelos, que se espalharam pelos ombros como um manto de prata.
Incapaz de resistir, beijou-a.
	No brigue, Leah  murmurou.  No agora.
	Brigar? Por que brigaria com voc?
	Beije-me, Leah.
Os corpos se fundiram. Enlaando-o pelo pescoo, beijou-o, entregando-se todo nesse beijo.
Leah olhava para o teto. O luar iluminava o quarto silencioso. Refletia sobre o que ouvira da conversa de Hunter ao telefone.
Olhou-o, adormecido. Naquela noite, a paixo dele excedera a tudo o que j acontecera antes. Por vrias vezes, Leah esteve a ponto de confessar-lhe o que nunca traduzira em palavras. Quase lhe dissera o quanto o amava. Porm, alguma coisa a impediu. Talvez, a conversa com Kevin.
Fechou os olhos. Daria tudo para saber o quer Hunter quisera dizer com sei como lidar com minha esposa. No entendia exa-tamente o motivo, mas, aquele conversa a assustara muito. Muito.

CAPITULO X

Pela primeira vez, desde o casamento, Leah acordou sozinha na cama, na manh seguinte. Sentou-se, no gostando em nada da sensao de abandono. Hunter estava certo. O fato de acordar nos braos dele fazia uma grande diferena no transcorrer do dia.
Levantou-se para procur-lo. Na mesa-de-cabeceira encontrou um bilhete dele, explicando que recebera um chamado inesperado de Houston. Inexplicavelmente, ficou apreensiva com a notcia. Esperava que Hunter lhe esclarecesse que a conversa com o tal Kevin no tinha nada a ver com o casamento deles. Ou com o rancho.
Foi at a janela. De repente o rancho parecia grande demais, sem Hunter. Precisava de distrao.
	Vou  cidade fazer compras  comunicou  av.
	Passe pelo joalheiro e veja se meu relgio j est pronto  Rose pediu.
Com a pick-up do rancho, dirigiu trinta minutos at a pequena cidade de Crossroads. Perambulou pelas lojas antes de entrar num antiqurio. Examinou as peas e, surpresa, deparou com algo que a fascinou.
Uma estatueta de estanho, representando um cavaleiro, montado em seu cavalo, tendo em uma das mos uma lana que subjugava um drago com olhos de rubi. Com a outra mo, ele segurava uma donzela, a salvo do perigo. O vestido da donzela lembrava seu prprio vestido de noiva. Considerando a histria da bola de cristal que Hunter contara, a estatueta era perfeita. Colocaria a pea no escritrio e esperaria at que Hunter a notasse. Talvez, at mesmo entendesse o significado do gesto. Depois de pagar, foi direto  joalheira.
	Bom dia, Leah  Clyde, o proprietrio, cumprimentou-a. 
	O relgio de Rose j est pronto.  Vendo a sacola da loja de antiguidades que Leah carregava, perguntou:  Achou alguma pea interessante?
	Sim. Quer ver?  Leah abriu a caixa, exibindo orgulho samente a estatueta de estanho.
	Que pea maravilhosa!  Avaliou-a com olhos de perito.
	Presente de casamento atrasado?  indagou com a intimidade de amigo de longa data.  Estou muito feliz por voc, Leah. Hunter  um bom homem.
Uma ideia brilhou na mente de Leah. Mostrando a Clyde o pingente de pedra que Hunter lhe dera, quis saber:
	Clyde,  possvel fazer uma miniatura disto?
	Para colocar no pescoo do cavaleiro?  O joalheiro refletiu por um momento.  Hum... no seria to difcil. Por acaso, tenho uma pedra que parece ser ideal.
	Quanto tempo levaria para apront-la?
Os olhos de Clyde brilharam, divertidos.
	Creio que o ajuste do anel da sra. Whilehaven pode esperar. Uma hora, est bem?
	Otimo.
	Posso dar uma pequena sugesto?  Tirou o display de pingentes da vitrina e escolheu uma das peas maiores. Um chapu de cowboy. Assentava perfeitamente no cavaleiro.  Posso eliminar a argola. Depois do acabamento, fixarei o chapu na cabea do cavaleiro, para no cair. O que acha?
	Perfeito, Clyde. Adorei sua ideia. Voltarei dentro de uma hora. Obrigada.
	Por nada, Leah. At j.
Exatamente uma hora depois, saa pela segunda vez da joalheira, levando para casa a estatueta completa, com chapu e pingente de pedra. Para seu pesar, cruzou com Buli Jones. Antes que tivesse tempo para escapar, ele interceptou sua passagem.
	Ora, ora, se no  a srta. Hampton.  Acendeu um cigarro.  Oh, desculpe. Sra. Pryde, no  mesmo?
	Sim. Se voc fosse esperto, se lembraria disso e ficaria fora do meu caminho, antes que Hunter saiba que andou me importunando novamente.
	No estou nem um pouco preocupado. Seu marido no est. E, quando ele voltar, estarei bem longe.
Leah olhou ao redor, tranqilizando-se com a presena de algumas pessoas nas imediaes. Encarou Buli.
	Tem alguma coisa para me dizer? Se tiver, diga logo. Do contrrio, desaparea, antes que toda a cidade caia em cima de voc.
	Voc sempre foi uma garota irascvel e rabugenta. Qual o problema? Seu marido est em Houston, no?  Leah olhou-o surpresa. Buli soltou uma gargalhada.  E, ento? No diz nada? No vai perguntar como eu sei?
	No me interessa.  Recusava-se a entrar no jogo de Buli Jones.
	Vou lhe contar uma coisa  Confidenciou, como se praticasse um gesto de generosidade.  Ele est l, porque convocou uma reunio da diretoria da Lyon Enterprises.
Ela deu de ombros.
	Hunter conhece o pessoal da diretoria. Isso no  novidade para mim.
Buli negou com um movimento de cabea.
	Ele no s conhece, como tambm comanda a diretoria.
Um tremor sacudiu o corpo de Leah.
	Que bobagem  essa que voc est dizendo?

	Agora, est interessada, no ?  Nova gargalhada. Hunter Pryde  a Lyon Enterprises. Claro, descobri isso s depois que ele me despediu.
	No acredito.
	Como quiser, madame. Mas, pense a respeito.  Atirou o cigarro longe.  Lyon... Pryde... Circle P. O elo se fecha.  muito fcil verificar se estou mentindo ou no.
	Como?  A pergunta escapou de seus lbios.

	Telefone para a Lyon Enterprises. Pea o escritrio de Hunter Pryde. Se ele tiver um escritrio l, ter a resposta. Ele se casou com voc para se apossar do rancho.
	O que eu sei  que Hunter tem um escritrio. Isso no significa que seja o proprietrio da Lyon Enterprises. Nem que se casou comigo por causa do rancho.  Suspeitava que Buli Jones percebera o desespero contido em sua voz.
	Ele  o proprietrio, sim  ele afirmou com absoluta confiana.  Quando se convenceu que voc no venderia o rancho, decidiu casar.
Precisava ir embora. No poderia ficar ali, no meio da rua, sendo envenenada pela maldade daquele homem.
	Saia do meu caminho, Jones. No quero mais ouvi-lo. Tentou afastar-se, mas Buli segurou-a pelo brao.
Ele falava rpido. Suas palavras atingiam-na com mordacidade.
	Voc estava disposta a casar com qualquer cara que aparecesse na sua frente, s para no perder seu rancho. Com o casamento, a Lyon ficaria definitivamente fora do preo. No instante em que Pryde soube do seu anncio, surgiu do nada e casou com voc. Um golpe de mestre! Numa s tacada, ele conseguiu a garota e a terra, sem gastar um tosto furado.
	Ainda sou eu a proprietria do rancho. No Hunter.
	E mesmo? Talvez, ainda seja, por ora. Mas, por quanto tempo? Esses homens de negcio sempre acabam encontrando uma sada honrosa para contornar qualquer situao. E conseguem. Ao passo que, tudo o que voc e sua av conseguiro ser um belo pontap.
Depois disso, Buli Jones a soltou. Acendeu outro cigarro e se afastou. Leah continuou imvel por um longo momento. Lentamente, voltou para a pick-up. Sentada na cabine, apoiou a cabea no volante, refletindo sobre o que Buli Jones revelara.
Buli tinha todos os motivos do mundo para estar ressentido com Hunter. Porm, tudo o que ele dissera fazia sentido. Tudo se encaixava, respondendo, de certa forma, s perguntas que nunca tivera coragem de formular a Hunter. E, mesmo que perguntasse, ele no teria respondido. Hunter sempre quisera o rancho, de qualquer maneira. Nunca revelara o motivo.
Talvez, por saber que Leah jamais se casaria com ele, se descobrisse esse motivo.
Precisava pensar com clareza. Buli falara a verdade ou mentira. Era muito simples. S uma questo de descobrir.
Conrad Michaels! O nome surgiu naturalmente. Claro! Ele tinha amizades influentes. Poderia ajud-la a descobrir. Ligou motor da pick-up, pegando o caminho de volta para casa. Telefonaria para Conrad. Ele a ajudaria.
Confiana cega, pensou com angstia. Como poderia confiar em Hunter, se, de repente, o cavaleiro transformara-se em drago?
Respirando fundo, Leah discou o nmero de Conrad. Depois de alguns toques, ele atendeu.
	Al?
	Conrad?  Leah. Tudo bem?
	Leah, querida. Como vai?
	Bem, obrigada.
	Algum problema?
	No, exatamente. Bem, estou curiosa a respeito de algo e creio que possa me ajudar.
	Claro, Leah.  Conrad mostrou-se solcito demais.  Em que posso ajud-la?
Ela batia o lpis na escrivaninha.
	 sobre... nosso emprstimo. O emprstimo para o rancho.
Hunter o conseguiu no banco em que voc trabalhava? Como voc j fizera o pedido antes... pensei que...
	No, no foi com o nosso banco. Seu advogado insistiu para que Hunter fizesse o emprstimo conosco, como parte do seu acordo pr-nupcial. Porm, eu soube que, logo depois do casamento, Hunter conseguiu o dinheiro com uma financeira. Tudo perfeitamente legal.
	Mas estava tudo combinado com o seu banco.
	Sim.
Leah suspirou. Chegara o momento da pior parte da conversa.
	Voc sabe que financeira  essa?
	Leah, o que  isso? Por que no pergunta a Hunter?
Percebendo a tenso na voz dele, arrependeu-se por t-lo colocado numa situao to delicada. Infelizmente, precisava saber.
Estou perguntando a voc, Connie  insistiu, usando deliberadamente o apelido de famlia.  Quero ter certeza de que os pagamentos esto sendo saldados em dia. Que no estou em dbito.
	Entendo.  A voz soou cansada e envelhecida.
Fechou os olhos, odiando-se por envolv-lo. Todavia, Conrad era a nica pessoa a quem poderia recorrer.
	Como voc est aposentado, imagino que esteja meio fora do circuito. Mas, imagino tambm, que tenha contatos que possam fornecer a informao. Desculpe por estar lhe pedido este favor. Jamais o incomodaria se no fosse to importante.
	Claro. Vou fazer o possvel.
	Voc ser discreto, no?
	No se preocupe, Leah. Serei discreto.
	Obrigada, Conrad. Voc  uma grande amigo.
Despediram-se. Leah desligou o telefone, riscando o nome dele de uma lista que organizara. Estudando a folha de papel  sua frente, verificou o segundo nome da lista e o nmero. Essa ligao exigiria mais frieza. Determinada a descobrir a verdade, tirou novamente o fone do gancho e discou. A telefonista atendeu de pronto.
	Lyon Enterprises. Com quem quer falar?
	Hunter Pryde, por favor.
	Um momento.
Aps um rpido silncio, a secretria atendeu.
	Felcia Crter. Pois no?
.    Leah estremeceu.
	Desculpe. Pedi para falar com o escritrio de Hunter Pryde.
	Sou a secretria do sr. Pryde. Quem quer falar com ele?
	Ele est?  insistiu,
	Ele estar em reunio com a diretoria durante o dia inteiro. Posso transmitir-lhe o recado, se quiser.
Fechando os olhos, apertou o fone com fora.
	No tem recado.  De repente, mudou de ideia.  Espere. O cargo! Sim, qual  o cargo do sr. Pryde na empresa?
	Receio que ter que conversar com o sr. Pryde.  A voz de Felcia soou com uma ponta de suspeita.  Qual o seu nome, por favor?
Sem dizer mais nada, Leah desligou o telefone. Pronto. Uma parte da histria de Buli Jones j fora verificada. Hunter poderia ser encontrado na Lyon Enterprises. Isso no significava necessariamente que tinha um escritrio na companhia. Nem que trabalhava l. E muito menos que fosse o proprietrio da empresa. Repetiu a si mesma que no era o caso de entrar em pnico. Conseguira reunir duas informaes. Hunter tinha negcios em Houston com a Lyon Enterprises e que a diretoria estava em reunio. O telefone tocou.
	Al?
	Leah?  Conrad.
Pela relutncia da voz dele, no foi difcil imaginar que Conrad no apreciara as informaes.
	Pode falar, Conrad. Estou preparada para tudo.
	No  nada definitivo  apressou-se em explicar.  Por isso, no se precipite nas concluses. A companhia que concedeu o emprstimo  HP, Incorporation.
	HP, Incorporation? Como em... Hunter Pryde, Incorporation?
	... possvel, suponho. No consegui saber nada sobre o contrato de financiamento. Se voc quiser mais detalhes, tenho o nmero do telefone da empresa, em Houston.

	Quero, sim.  Anotou o nmero.
	Avise-me, se precisar de ajuda  Conrad prontificou-se. Esperava que...  No finalizou a frase. Nem precisava.
	Eu tambm  disse com gentileza.  Obrigada, Conrad.
Despediram-se. Leah no demorou para fazer a ligao seguinte. Pediu pelo escritrio de Hunter e, mais uma vez, a telefonista colocou-a em contato com a secretria.
	Aqui  Felcia Crter, da Lyon Enterprises  Leah falou. Estou tentando me comunicar com o sr. Pryde.
	Por que... Creio que hoje ele est trabalhado a, srta. Crter.
Leah forou um riso abafado.
	Que tola! Estou to atarefada que devo ter feito alguma confuso na minha agenda.  Depois, num impulso acrescentou:  No sei como o sr. Pryde consegue ser to organizado.
Deve ser muito difcil administrar duas grandes empresas.
	Sim,  difcil. Mas o sr. Pryde  um homem extraordinrio. S contrata os melhores profissionais do mercado. Delegao de poderes. Isso torna sua vida muito mais fcil. Um minuto, por favor.  Leah ouviu um som de vozes conversando, antes de a secretria voltar  linha.  O assistente do sr. Pryde acabou de chegar. Quer falar com ele?
	Kevin?
	Oh, voc o conhece?
Ignorou a pergunta.
	No  necessrio. Afinal, no era nada to importante assim.  A voz tremulou.  Obrigada pela ajuda.  Conseguiu agradecer, antes de desligar.
No conseguiu evitar que as lgrimas banhassem suas faces. Desprezava-se por ser to fraca. Afinal, no era o fim de seus sonhos. Ainda tinha a av e o rancho. Ainda tinha os empregados e Dreamseeker. Mas no era tudo. Queria Hunter. Mais do que qualquer outra coisa, desejava o amor de Hunter. Pior para ela, pois tudo o que Hunter desejava era o rancho.
	O que aconteceu, Leah?
Rose entrou no escritrio. Em silncio, Leah enxugou as lgrimas, esforando-se para manter as emoes sob controle.
	Hunter?  Rose perguntou.  Alguma coisa com ele?
	No! Sim!  Cobriu o rosto com as mos. No suportaria nova decepo.  Sua sade est tima, se  isso que voc quer saber.
Rose se aproximou da escrivaninha.
	O que est errado, ento?
	Hunter  o proprietrio da Lyon Enterprises. Isso  que est errado!  Soltou o corpo na poltrona.  Desculpe... Desculpe. No queria ter soltado a bomba assim...
	Hunter  proprietrio da Lyon Enterprises  Rose repetiu.  Voc est brincando!
	 verdade  Leah confirmou com voz cansada.  Acabei de ligar para o escritrio dele. Droga! O que fao agora?
	Vai conversar com ele, claro.
	Conversar?  Perplexa, fitou a av.  Dizer, por exemplo "Oh, Hunter querido, voc realmente se casou comigo para pr as mos no meu rancho?" Sim, por que foi s por isso que me pediu em casamento. Alis, Hunter nunca fez segredo disso.
Rose colocou as mos na cintura.
	Ento, por que se comportar como se fosse vtima de uma grande traio?  argumentou.  Se, como voc afirma com tanta convico, Hunter se casou apenas para se apossar do rancho, qual a diferena entre querer as terras para uma satisfao pessoal ou para comrcio? Se voc se casou com o proprietrio da Lyon Enterprises, tenho a impresso de que a maior beneficiada nesta histria toda  voc mesma. Leah franziu as sobrancelhas.
	Desculpe. No entendi.
	Voc entendeu, sim. Pense em tudo o que lhe falei. Sabe o que Hunter ganhou nessa... permuta? Muito trabalho, muitas preocupaes e pouco lucro. Em compensao, j que ele  o proprietrio da Lyon, voc, alm de salvar o rancho, conseguiu a Lyon, o Circle P. e tudo o mais que Hunter tem reunido na manga do palet.  Apontou o dedo em riste para Leah.  Acima de tudo, voc tem Hunter. Sim, senhora. Realmente, isso me parece um bom negcio.
	At ele conseguir os documentos do rancho e nos executar judicialmente. Depois, vem o divrcio e ns duas ficamos na rua da amargura.
Rose abriu os braos, num gesto de impacincia.
	Voc  realmente uma criana tola, Leah. Por que no levanta desse cadeira, pega o carro e vai para Houston? Converse com ele. Abra o jogo. Fale de suas dvidas. Insista para que conte o motivo pelo qual se casou com voc. Esclarea tudo, Leah. No fique a, chorando pelos cantos. V  luta!
Voc nem parece uma Hampton!
	J sei o que Hunter...
	Ele afirmou ter casado com voc por causa do rancho?  Rose insistiu.  Ou  apenas uma suposio?
Desorientada, Rose movimentou a cabea.
	No sei. No me lembro. No creio que ele tenha afirmado. Todas as vezes em que toquei no assunto, ele se retraiu.
	Como se tivesse sido insultado.  isso? Ora, eu tambm me sentiria insultada.

	Por qu?  Leah questionou.  Se foi por isso que nos casamos. No  segredo para ningum. Por mais que voc queira enfeitar o pavo, vov, eu me casei por interesse e no por amor. Hunter tambm. Bobagem negar.
	Voc est certa, querida. Um homem to rico, poderoso, inteligente, bonito, precisava mesmo sacrificar sua vida e sua liberdade apenas para se apossar de um rancho pequeno no Texas.  Suspirou.  , me parece razovel.
Leah mordeu o lbio.
Ora, vov. Pare de defender Hunter. Voc est me confundindo.
	Otimo. Agora, ao ataque. Voc o ama?	.
S havia uma resposta possvel para aquela pergunta to objetiva. Leah no via razo para esconder a verdade da av.
	Sim  afirmou sem hesitar.  Mais do que tudo. 
O rosto de Rose se iluminou com um sorriso de satisfao.
	Isso  tudo que voc precisa lembrar. Aqui esto as chaves da pick-up. Jogue algumas roupas na mochila, pegue sua bolsa e... p na estrada, garota. Vejo-a amanh. Ou depois... No importa. V para o aquele apartamento de Hunter, em Houston, e providencie alguns bebs. Estou ansiosa para ser bisav. Rpido. Voc me ouviu, Leah?
	Claro que ouvi. Pelo seu tom de voz, creio que Inez, suas crianas e, pelo menos, metade dos empregados tambm ouviram.
Leah obedeceu as ordens da av sem protestar. Com as chaves da pick-up nas mos, subiu at o quarto, arrumou uma valise e, antes que mudasse de ideia, seguiu para Houston.
Durante o trajeto, por vrias vezes pensou em voltar. Alguma coisa, porm, impulsionava-a para frente. De alguma forma, obteria as respostas que tanto buscara, independente de gostar ou no. Talvez, at convencesse Hunter a dar uma chance para o casamento deles. Afinal, o amava e estava disposta a lutar pelo seu amor.
Devido  tenso, que crescia a cada momento, Leah perdeu o caminho, por duas vezes. Finalmente, chegou ao prdio da Lyon Enterprises. Estacionou a pick-up e seguiu direto at  mesa dos seguranas. Apresentou o documento.
	Leah Pryde  identificou-se ao guarda.  Sra. Hunter Pryde. Vou encontrar meu marido.
	Pois no, sra. Pryde. Vou avis-lo de sua chegada.
	No, por favor.  Presenteou-o com um sorriso amvel.   Gostaria de fazer uma surpresa.
O vigilante hesitou por um momento. Depois, concordou.
	Certo. Pode subir, senhora.
	Obrigada.
Com uma calma que estava longe de sentir, tomou o elevador, descendo no andar da diretoria. Dessa vez, no havia uma secretria  sua espera. Olhou de relance para suas roupas, arrependendo-se por no t-las trocado. Jeans e camiseta de algodo no pareciam muito apropriados para uma visita  sede da Lyon Enterprises.
Com passos lentos, atravessou o corredor deserto. Esperava ser interceptada a qualquer momento. Algum chamaria a segurana ou... Hunter. Sem olhar para os lados, seguiu para a sala de reunies. Se tivesse que ser expulsa do prdio, pelo menos, que fizesse por merecer.
A apenas alguns passos da sala, apareceu o primeiro obstculo.
	Posso ajud-la?  a mulher alta, de aparncia impecvel, perguntou.
	No.  Leah continuou a caminhar, sem lhe dar ateno.
A mulher a acompanhou, colocando-se na porta da sala de reunies.
	Sou Felcia Crter  apresentou-se.  E, voc quem ?
	Estou com pressa. Desculpe.  Forando a passagem Leah colocou a mo na maaneta.
Felcia foi mais rpida. Segurou-lhe a mo, impedindo-a de abrir a porta.
	Muito prazer, srta...?
	Leah.
	Leah.  Felcia apertou a mo de Leah com dedos de ferro.  Se nos dizer com quem deseja falar e esperar naquela sala, poderemos resolver seu problema.
	Ns agradecemos pelo interesse.  Leah olhou na direo que Felcia indicava.
Quando a secretria fez meno de conduzi-la, Leah abriu rapidamente a porta da sala, fechando-a diante da secretria
estupefata. Trancou-a.
	Superado primeiro obstculo  resmungou, virando-se para a mesa de reunies.
Horrorizada, constatou que, ao redor da mesa, havia, pelo menos, o dobro de pessoas do que a primeira vez que ali entrara. Todos os presentes a fitavam estarrecidos, como se ela tivesse cado de um disco voador. Sentado na cabeceira da mesa, estava Hunter.  sua direita, Buddy Peterson.
 No precisa ficar embaraada.  A voz de Hunter, gentil, mas, estranhamente ameaadora, quebrou o silncio da sala.  Venha c.
	Ok.
Por um longo momento, seus olhares se encontraram. O olhar de Hunter, implacvel e distante. O de Leah, uma mistura de desafio e medo.
O telefone ao lado de Hunter tocou. Ele atendeu.
	Sim, Felcia. Ela est aqui. Calma. Cuido disso.  Desligou e se dirigiu  diretoria.  Senhoras. Senhores. Minha esposa.  Murmurinho geral. Depois de um alguns minutos de tenso, Hunter perguntou:  O que poderemos fazer por voc, Leah?
Ela tremeu ligeiramente. Durante o trajeto, no ensaiara esse parte da cena. Fitou-o, meio insegura.  Eu queria...  Respirou fundo.  Eu quero saber se voc tem alguma coisa para me contar.
Hunter estreitou os olhos. Ajeitou-se na poltrona.
	No. E, voc? Tem alguma coisa para me contar?
Hunter estava mesmo disposto a no revelar quem realmente era. Prevenira de que nunca explicaria nada a seu respeito. Contudo, deveria imaginar que, se Leah fora at Houston procur-lo, era porque, no mnimo, desconfiava de algo. Hunter deveria saber que as cartas estavam na mesa. Contra ele. Ainda esperava que Leah confiasse nele!
De repente, Leah se conscientizou de que, apesar dos fatos atestarem a duplicidade de Hunter, confiava nele. E que o amava.
	No  murmurou.  No tenho nada para contar-lhe.
Hunter contraiu os lbios.
	Voc nos d licena?
Com os olhos marejados de lgrimas, Leah desejou que Hunter nunca tivesse voltado. Que Buli Jones nunca tivesse revelado a verdade. Que nunca tivesse dado ouvidos s palavras do capataz. Acreditara mais em Jones do que em Hunter. Errara. Errara com o marido e com ela mesma. Quando surgira a oportunidade de demonstrar que confiava em Hunter, escolhera por duvidar dele. Hunter jamais a perdoaria.
Com os ombros cados, preparou-se para deixar a sala. Ento, lembrou-se do que Hunter dissera, a respeito de nunca ter tido algum que confiasse nele, que o defendesse ou apoiasse.
Mordeu o lbio. No. No iria embora. No desistiria. Amava Hunter. Amava-o mais do que tudo na vida. Mais do que amava Dreamseeker. Os empregados. Mais at do que o bendito rancho! Hunter esperava uma confiana cega. Otimo. Era o que ele lhe ofereceria.
	Sim  afirmou, olhando-o.  Tenho algo para dizer sim. Em particular, se possvel.
	Senhoras. Senhores. Por favor, assinem os documentos  Hunter ordenou, fechando a pasta e se erguendo.  Se nos
derem licena, minha esposa e eu temos uma conversa em particular.  Seguiu at uma porta que dava para uma sala menor. Colocou a pasta sobre a escrivaninha.  O que aconteceu, Leah?
Refletiu antes de falar, procurando pelas palavras certas, para se expressar com clareza e objetividade.
 Durante todo este tempo em que estamos casados, voc me pediu uma nica coisa. Afirmou que era o que havia de mais precioso para voc. Ento, propus-me a colocar esse algo numa caixa para dar-lhe como meu presente de casamento. Bem... Aqui est. Meu presente para voc. Faa o que quiser com ele.  Abrindo a bolsa, entregou-lhe a caixa com a estatueta de estanho.
Hunter no fez qualquer movimento para peg-la.
	O que  isso?
	Abra e descubra.
S ento pegou o pacote. Tirou o papel, abriu a caixa e retirou a estatueta. Leah ouviu a respirao se alterar. Viu as linhas do rosto se contrarem. Erguendo a cabea, olhou-a. Os olhos negros brilhavam de alegria.
	O que significa?  perguntou.  Que confia em mim?
	Com toda a minha alma.
Ouviram uma batida leve na porta. Buddy Peterson entrou.
	Documentos assinados. J saram todos. A sala de reunies est vazia. Bem, voc pode respirar aliviado. Correu o risco de perder tutlo.
	Mas ganhei.  Olhou para Leah.  Ganhei tudo.
Buddy sorriu.
Espero que tudo mude para melhor, agora que voc  o dono do grupo todo.
	Pode apostar que sim  Hunter garantiu.
Buddy se retirou, fechando a porta.
	No entendi  Leah disse.  Pensei que voc j era proprietrio da Lyon Enterprises.
	No era at dois minutos atrs.
	E antes?
	Bem, eu era o maior concorrente e o pior pesadelo da Lyon.
	Por que no me contou?
	Porque at que os papis fossem assinados, no havia nada para contar. Repetindo as palavras de Buddy, eu poderia ter perdido tudo.
	Nem tudo. Voc no teria perdido o rancho.
	No. Tomei precaues para que o rancho fosse protegido pelo nosso acordo pr-nupcial.
	Hunter?  Leah o olhou, hesitante.
	Sim? Ser que esqueceu de me contar alguma coisa?  Segurando a trana, tratou de soltar os cabelos dela.
	Creio que sim.  Sorriu.  Ou melhor, tenho certeza que sim.  Aninhando-se nos braos dele, pousou a cabea em seu peito.  J disse que o amo?
	No. Acho que esqueceu de mencionar isso.
	Bem, Hunter, desculpe minha insistncia, mas... preciso fazer uma pergunta. S que, desta vez, voc ter que me responder.  Recuando, encarou-o.  Por que casou-se comigo?
Hunter no hesitou.
	Porque voc pretendia se casar com o primeiro homem que batesse  sua porta. Simplesmente, eu no poderia permitir essa loucura. A menos que fosse eu esse homem. Na verdade, sempre pretendi ser o nico homem a bater  sua porta.
	Voc queria comprar o rancho...
	Certo. Em princpio, queria apenas bloquear os movimentos da Lyon e deixar a empresa numa posio vulnervel.
Depois, percebi que essa era a nica maneira de proteg-la contra o poder da Lyon.
Se voc estava negociando a compra da Lyon, no acha que foi um risco casar-se comigo.
	Realmente, foi um tanto arriscado. Mas valeu a pena.
	Hunter...  ela murmurou.
	Eu a amo, Leah. Sempre a amei. Como poderia deixar de am-la? Voc realizou meu sonho.
Ela sorriu, com os olhos embaados pelas lgrimas.
	Acho que j  hora para novos sonhos, no?
Hunter a envolveu em seus braos.
	Desde que voc me ajude a realiz-los, Leah.
Beijou-a. Um beijo de amor, de paixo, que destrua todas as dvidas de Leah. Aninhada nos braos de Hunter, ela sabia que encontrara sua vida, seu corao, sua alma. Encontrara seu cavaleiro de armadura reluzente. Seu drago fora banido para sempre.

EPLOGO

Leah folhava o jornal, enquanto tomava o caf a manh. De repente deparou com o anncio, que, literalmente, saltava-lhe aos olhos.
PROCURA-SE UMA ESPOSA
Rancheiro procura urgente por uma esposa. As interessadas devero:
1.	Ter 27 anos, olhos cor de violeta e cabelos claros como o sol do Texas. Personalidade marcante e fora de carter.
2.	Ter grande experincia na rea agropecuria e bom senso para saber quando deve usar esse conhecimento.
3.	Ter slida experincia administrativa, principalmente a habilidade para lidar com gerentes teimosos.
4.	Estar grvida. Preciso mencionar o nome do mdico?
Tenho 34 anos e posso oferecer uma cama confortvel e piqueniques sob o cu estrelado do Texas. (Coloco-me  disposio para discutir maiores detalhes de carter pessoal). Seu marido a espera. Impacientemente!
Recortando o anncio, Leah levantou-se e correu... correu para seu marido, o grande amor de sua vida... mas, o mais importante, o pai de seu filho.

FIM
